Armando Evangelista reconhece mérito ao treinador leonino

«Rui Borges está a fazer um trabalho fantástico. Se calhar faz confusão a muita gente...»

Em entrevista a A BOLA, Armando Evangelista não passa ao lado da atualidade do futebol nacional, deixando elogios ao treinador do Sporting, após herança difícil de Ruben Amorim

— Rui Borges é campeão em título, está nos quartos de final da Champions, mas muitas vezes é criticado por ser uma pessoa simples, a quem tem sido dado pouco crédito. É injusto?

— O Rui Borges está a fazer um trabalho fantástico. Entrou num clube organizado, estruturado, a ganhar, e provavelmente não tem a áurea que alguns têm. E toda a gente estava à espera do insucesso do Sporting alavancado pelo Rui Borges. O Rui Borges vai alavancar o insucesso porque isto está a funcionar bem. E está a ser difícil de aceitar que o Rui Borges teve capacidade e está a fazer um grande trabalho no Sporting. O Sporting continua a demonstrar que é competitivo, que tem capacidade e potencial para continuar a lutar pelo campeonato, que tem qualidade para fazer uma boa campanha europeia. Se calhar isso faz confusão a muita gente, mas se olharmos para os dados, as estatísticas, os números, acho que o Rui está a fazer um campeonato fantástico.

— Mas tem mais dificuldades em prová-lo do que, por exemplo, Ruben Amorim?

— Sim, até porque não é fácil substituir o Ruben Amorim dado o impacto que teve no Sporting. São duas pessoas diferentes, que pensam e comunicam de maneira diferente. A tarefa do Rui Borges é mais difícil, por causa do contexto. Quando o Ruben Amorim entra no Sporting, o Sporting não ganhava nada, qualquer coisa que o Ruben ganhasse já era um trabalho fantástico, por muito pouco que fosse. Havia um espaço de tempo em que teria crédito para poder trabalhar sem a pressão que o Rui Borges está a ter. O Rui Borges entra com o Sporting a ser campeão, com títulos. Ou seja, ou ele mantém o Sporting a ganhar títulos ou vai ser criticado. Não tem o espaço que o Rúben Amorim teve para se afirmar, entrou e no imediato tem de ganhar. A tarefa do Rui é mais difícil e ele está a desempenhá-la de forma exemplar. Não estou a querer tirar mérito ao Ruben Amorim. Aquilo que ele fez foi fantástico, mas que em termos de pressão a de Rui Borges é muito maior.

— A Liga encaminha-se para o fim. Quem é que vai ter sucesso, um treinador português ou um italiano?

— Não queria colocar as coisas neste ponto. Espero que o que tenha mais sucesso seja mais competente e mais regular. É bom que esta competitividade exista, que exista ainda alguma indefinição em relação à tabela, porque mantém-nos vivos, mantém o campeonato com um interesse ainda maior. Sem preferências, fico contente que haja esta competitividade e este equilíbrio.