Houve de tudo em Dakar. Duas vitórias com a assinatura de sempre — intensidade, ressalto e um banco que já não é coadjuvante — e uma derrota que dói mais do que qualquer estatística consegue mostrar.

Angola fechou a 4.ª janela de apuramento para o Campeonato do Mundo da FIBA de 2027 com dois triunfos claros, sobre a R.D. Congo e Costa do Marfim, e uma queda de apenas dois pontos diante do anfitrião Senegal, num jogo que se ganhou e se perdeu ao mesmo tempo.

Contra a RDC, Angola entrou em campo a 27 de Agosto disposta a mandar um recado e cumpriu à risca: 100-68, com três dos quatro parciais claramente do lado angolano (25-20, 26-10, 18-19, 31-19).

A equipa de Pep Clarós defendeu com raça — 34 pontos nasceram diretamente de perdas de bola congolesas — e ofereceu um dos jogos mais completos da janela.

Abou Gakou foi, sem margem para dúvidas, o homem da noite: 18 pontos, seis deles vindos do perímetro, numa exibição eficiente e decisiva. Gerson Gonçalves, de braçadeira ao peito, e Childe Dundão somaram 13 pontos cada, enquanto Selton Miguel e Macachi Braz acrescentaram 11.

 

Dois dias depois, o golpe de Dakar: Senegal 84-82. Angola entrou determinada, chegou ao intervalo a vencer (46-43) e ainda começou o terceiro período com a vantagem no bolso. Mas o Senegal, jogando em casa e diante do seu público, foi crescendo período a período até empatar 63-63 e, num último quarto de nervos, fechar as contas a seu favor por 21-19. No marcador final, 84-82 para os senegaleses — uma diferença mínima, decidida praticamente ao cronómetro, num jogo que somou 22 trocas de liderança e 15 empates.

Se há um consolo para Angola nesta derrota, chama-se Selton Miguel. O base esteve simplesmente imparável: 28 pontos, cinco triplos convertidos em seis tentativas e cinco roubos de bola, em pouco mais de 30 minutos. 

Angola voltou a impor o seu ritmo e fechou com um confortável 91-70 diante da Costa do Marfim. Selton Miguel voltou a liderar os angolanos, com 14 pontos, 5 ressaltos e 3 assistências, e teve em Childe Dundão (12 pontos, 6 assistências) um parceiro à altura. 

Duas vitórias em três jogos, um triplo-duplo de talento a espreitar em Selton Miguel. Fica também um alerta: nos momentos de maior pressão, Angola ainda cede espaço a rivais mais experientes na gestão do relógio. É esse o trabalho de casa que Pep Clarós leva agora para a próxima paragem, com os olhos postos no Mundial da FIBA de 2027, no Qatar.

Com esta janela concluída, a tabela do Grupo F da segunda fase ficou assim:

Senegal e Costa do Marfim lideram o Grupo F, ambos com 7 vitórias e 2 derrotas (16 pontos), muito por causa do triunfo dos senegaleses sobre Angola na última jornada. Angola surge em 3.º lugar, com 6 vitórias e 3 derrotas (15 pontos), empatada com o Mali, também com 6-3 e 15 pontos. Egipto ocupa o 5.º posto, com 4 vitórias e 5 derrotas (13 pontos), e a R.D. Congo fecha o grupo, com 3-6 e 12 pontos — resultado agravado pela pesada derrota sofrida diante dos próprios angolanos.

Vale recordar o formato: apuram-se para o Mundial os dois primeiros classificados de cada grupo (E e F), mais o melhor terceiro entre os dois grupos.Ou seja, Angola continua com o destino nas próprias mãos, mas já não tem margem para tropeços. 

A iniciar sessão com Google...