Analgésico a Bednarek, o FC Porto está a voltar e o elogio a Mourinho: o que disse Farioli
— Faltam 10 jornadas para o fim do campeonato e há 30 pontos em jogo. Seria inconsciente tirar o Benfica da luta pelo título?
— Desde o início que sempre os mencionei como um dos candidatos ao título, especialmente agora que estão num momento muito positivo. Penso que a evolução desde que o [José] Mourinho assumiu o comando tem sido muito clara. No último período, creio que provaram a sua qualidade nas competições internas. O facto de continuarem invictos na Liga — creio que são uma das únicas duas equipas na Europa ainda sem derrotas no campeonato — diz muito. Além disso, o que fizeram na Liga dos Campeões, primeiro qualificando-se para os oitavos de final e depois com dois jogos muito difíceis contra o Real Madrid, prova o seu nível e as suas qualidades. Portanto, é claro quem temos pela frente: a qualidade do nosso adversário, liderado por um treinador por quem já mencionei várias vezes a minha admiração, tanto como treinador como pessoa. Um treinador com 1200 jogos e uma taxa de vitória acima dos 60%. Todos estes elementos deixam claro que amanhã será um grande desafio para nós, mas estamos prontos. Estamos muito confiantes pelo caminho que temos feito desde o início da época, pela nossa evolução e pela nossa capacidade de superar dificuldades. Amanhã será um grande jogo e estamos prontos para isso.
Penso que a evolução desde que o Mourinho assumiu o comando do Benfica tem sido muito clara. No último período, creio que provaram a sua qualidade nas competições interna
— Como está Bednarek? Thiago Silva estará apto para o clássico?
O Bednarek é um jogador que claramente quer fazer parte do jogo, ao nível de aptidão física não há problema, apesar de ter falhado os dois últimos treinos. Mas, claro, precisamos de ver se está confortável
— Vamos treinar esta tarde e vamos ver a condição dele. Ontem [sexta-feira] não treinou. É uma situação que está no limite e, se jogar, vai precisar de um bom analgésico, porque a pancada foi forte. O Jan [Bednarek] é um jogador que claramente quer fazer parte do jogo, ao nível de aptidão física não há problema, apesar de ter falhado os dois últimos treinos. Mas, claro, precisamos de ver se está confortável e se hoje consegue fazer tudo com a equipa. Depois, nas próximas horas terei de tomar a melhor decisão. O Thiago está a recuperar, tem feito todo o treino com a equipa. Está a voltar ao melhor nível e estamos muito felizes por tê-lo de volta.
— Do ponto de vista do ataque, num jogo destes, que será à partida de equilíbrio, qual é a melhor abordagem para o FC Porto defrontar o Benfica? Apostar na coesão, com jogadores como Pepê ou Borja Sainz, que talvez taticamente dão mais à equipa, ou na irreverência do William Gomes e do Oscar Pietuszewski?
— Acho que vamos precisar de ambos. E, como sabem, em 99% das vezes, os quatro acabam por fazer parte do jogo. Depois, como misturá-los, com quem começar e com quem terminar, é uma história diferente. Mas certamente precisaremos de todas as características dos nossos avançados, porque todos eles podem acrescentar dinâmicas ofensivas diferentes à nossa equipa. Há jogadores que têm mais o um-contra-um, outros que têm mais ameaça no espaço. Em termos de compromisso tático, acho que todos os quatro estão a trabalhar arduamente para a equipa, e isso é algo que gosto sempre de destacar e reforçar, porque, para a forma como somos e como queremos jogar, o contributo dos avançados em todas as fases do jogo é fundamental para nós. Por isso, sim, creio que todos eles vão participar no jogo.
— O resultado do Sporting pode influenciar o comportamento emocional dos jogadores na Luz?
— Estamos conscientes do que se passa, mas isso não pode mudar a nossa abordagem e dinâmica. Como já se falou, faltam 30 pontos e vai ser até ao fim. Podemos estar focados em nós, um privilégio que alcançámos.
— No final do jogo do Sporting disse que o critério dos amarelos não era o mesmo. O que quis dizer com isso e o que espera da arbitragem na partida com o Benfica?
O Alberto Costa saiu por causa do amarelo ao intervalo, mas o Maxi [Araújo] podia ter visto amarelo logo aos 20 minutos, na falta sobre o William. O Suárez podia ter visto amarelo, laranja ou vermelho. Sabemos como é e seguimos em frente. Na Luz todos sabem da importância do jogo.
— Gostava de fechar o tema. Claro que, com dois clássicos na mesma semana, há muita carne no assador para discutir. Se menciona a minha frase sobre o micromanagement, falava sobre amarelos, faltas que determinam a direção do jogo. Na segunda parte, devia ter havido cinco faltas para o Sporting e quatro para nós, acabou por ser seis para o Sporting e uma para nós. No jogo isso não nos dá a oportunidade de estender a equipa no relvado, respirar e mudar as dinâmicas. O Alberto Costa saiu por causa do amarelo ao intervalo, mas o Maxi [Araújo] podia ter visto amarelo logo aos 20 minutos, na falta sobre o William. O Suárez podia ter visto amarelo, laranja ou vermelho. Sabemos como é e seguimos em frente. Na Luz todos sabem da importância do jogo.
— Como sente a equipa depois da derrota em Alvalade?
— Muito bem. Teremos a segunda mão no Estádio do Dragão e fomos a Alvalade sem cinco ou seis jogadores e ninguém deu por isso, porque fizemos um bom jogo, com mentalidade clara. Saímos de Lisboa com muitas energias que temos de usar na Luz.
— Thiago Silva falou com grande entusiasmo do espírito de família que se vive no FC Porto e cobriu-o de elogios. Como analisa estas palavras do internacional brasileiro?
Os adeptos são os que entendem onde estamos: estamos a reconstruir o FC Porto e uma forte mentalidade no clube. Isso faz-me sentir confortável. Este trabalho não está terminado, estamos longe disso, mas o FC Porto está a voltar.
— Um jogador com tanta experiência, que chegou há dois meses, ter encontrado energia e uma família no FC Porto diz muito; são os nossos princípios. É o que sente na cidade e nos nossos adeptos também. Após o jogo, a forma como os adeptos nos apoiaram para recuperar da derrota é algo único. Os adeptos são os que entendem onde estamos: estamos a reconstruir o FC Porto e uma forte mentalidade no clube. Isso faz-me sentir confortável. Este trabalho não está terminado, estamos longe disso, mas o FC Porto está a voltar.
— Se o FC Porto ganhar na Luz afasta o Benfica da luta pelo título? Já agora, espera um adversário mais ofensivo do que no jogo da 1.ª volta?
— Nenhum resultado fechará o capítulo para ninguém. É um jogo importante, mas depois faltará um jogo a menos para todos e veremos como fica a tabela. Por experiência pessoal, enquanto não acaba, não acaba. Enquanto houver pontos em jogo, temos de ir a “todo o gás”. Sobre o que espero deles, a evolução é clara. Desde que o Mourinho assumiu, mudaram muito. A progressão em termos de padrões e mentalidade é evidente. São mais ofensivos do que no início da época. Se virmos a segunda mão no Bernabéu, a pressão e qualidade que colocaram na bola foi fantástica. Espero um jogo muito aberto, com duas equipas que partilham o mesmo desejo. Será um grande desafio, mas o mais importante é como nos preparamos. Acredito que fizemos tudo para chegar aqui da melhor forma possível e amanhã temos de traduzir o bom trabalho numa performance de topo.
Nenhum resultado fechará o capítulo para ninguém. É um jogo importante, mas depois faltará um jogo a menos para todos e veremos como fica a tabela. Por experiência pessoal, enquanto não acaba, não acaba
— Será a primeira vez que vai ao Estádio da Luz. Dentro do clube já lhe falaram sobre as visitas à casa do Benfica?
— Estive lá há alguns anos como espetador, por isso conheço um pouco a atmosfera. Estamos cientes do tipo de ambiente que vamos enfrentar. Mas nós somos o Porto. Vamos a todos os campos com a mesma atitude, o mesmo espírito e a mesma bravura. Conhecemos a rivalidade, são o nosso principal rival, mas isso não mudará a nossa mentalidade nem o nosso desejo de aplicar as nossas ideias em campo. Com muito respeito pelo adversário e pelo treinador, mas amanhã vamos dar um passo em frente com uma mentalidade clara para jogar as nossas cartas e obter o resultado que queremos.
Vamos a todos os campos com a mesma atitude, o mesmo espírito e a mesma bravura. Conhecemos a rivalidade, são o nosso principal rival, mas isso não mudará a nossa mentalidade nem o nosso desejo de aplicar as nossas ideias em campo.
— O Benfica ganhou novas dinâmicas no ataque com Schjelderup e Rafa. Que impacto terá essa dinâmica nos movimentos defensivos do FC Porto?
Schjelderup é um jogador fantástico no um-contra-um; o Pavlidis, que, se virmos os números, o impacto é evidente; o Rafa, que é uma nova adição
— Acredito que, quanto mais longe os conseguirmos manter da nossa baliza, melhor. Para isso, precisamos de ser muito bons com a bola primeiro, para os obrigar a defender mais tempo do que o tempo que passam a atacar. E, por outro lado, para os manter longe da baliza, temos de pressionar muito alto, como costumamos fazer. Haverá momentos em que seremos obrigados a defender mais baixo. Mencionaste o Schjelderup, que é um jogador que no um-contra-um é fantástico; o Pavlidis, que, se virmos os números, o impacto é evidente; o Rafa, que é uma nova adição. Têm muita qualidade individual. A melhor estratégia é sermos muito bons com a bola, precisos e, no momento em que a perdemos, ser muito agressivos. Será crucial correr mais do que eles, ser fortes nos duelos. Elementos que são sempre importantes, mas amanhã ainda mais.