Sporting empata com FC Porto e garante ida à final da Taça de Portugal - FOTO DE: Rogério Ferreira/Kapta+
Sporting empata com FC Porto e garante ida à final da Taça de Portugal - FOTO DE: Rogério Ferreira/Kapta+

A que sabe a época do Sporting?

O Sporting perdeu a Supertaça, a Taça da Liga e o campeonato está difícil de reconquistar. O leão pode, porém, revalidar a conquista da Taça de Portugal.

O Sporting atravessa momento de definição. «A época tem sido boa», disse Rui Borges, depois do jogo no Dragão que carimbou a passagem à final da Taça de Portugal.

Após o feito histórico do bicampeonato, algo que o clube não saboreava há 73 anos, a temporada de 2025/26 apresentou-se como o palco para o assalto ao tricampeonato - algo que garantiria uma hegemonia leonina no futebol português. Contudo, as coisas serão bem diferentes.

Num ano em que a Supertaça e a Taça da Liga escaparam e a Liga está difícil, o Jamor é a derradeira oportunidade para o Sporting evitar uma vitrine de troféus vazia. Vencer a Prova Rainha permitirá fechar o ciclo com nota positiva. Salva-se a honra e celebra-se uma conquista que mantém o hábito de vencer.

É de notar que esta época teve momentos de excelência. A chegada aos quartos de final da Liga dos Campeões representa o pico histórico do Sporting na era moderna, e na clássica também, da competição. Bater-se de igual para igual com a elite europeia não é um detalhe, é uma afirmação de competência e, igualmente relevante, valorização de ativos.

No entanto, o futebol vive de sentimentos, de marcos geracionais e memória coletiva. Por muito que os quartos de final da Champions sejam feito desportivo de elogiar, por muito que as possibilidades de vencer a Taça sejam grandes, ficará sempre o sabor de oportunidade perdida, caso se confirme o mais provável dos desfechos: o FC Porto campeão.

Numa altura de aposta total, quase em desespero, do FC Porto, e de um momento político e conflituoso na Luz, o Sporting tinha estrutura e momento para o «tri». Talvez lhe tenha faltado o futebol ou a coragem de arriscar em janeiro. Parece estranho que o Sporting de 2025/26 seja uma equipa de contradições: nunca foi tão respeitada na Europa, mas falhou em manter o cetro no seu próprio reino.

Se vencer no Jamor, a época até deve ser considerada positiva, mas ficará para sempre marcada pelo facto de o sonho do tricampeonato histórico ficar por terra. Se olharmos pela perspetiva da gestão, este sabor agridoce é fruto do crescimento leonino com Frederico Varandas. O que merece a pergunta: terá o presidente nova hipótese de fazer do clube tricampeão?

O Sporting está na final do Jamor, tem grandes possibilidades de revalidar a conquista da Taça. Mas o crescimento desportivo tem destas dores. Numa altura de satisfação pela ida a uma final, o verdadeiro sabor desta temporada talvez só se conheça quando se souber, no contexto histórico, a resposta à pergunta do parágrafo anterior.