«Cabecear a bola matou o meu pai»
Nobby Stiles foi um dos poucos ingleses que conseguiram conquistar o Mundial com a sua seleção. Faleceu em 2020 e desde então, o seu filho, John, procura angariar apoios a doenças de ex-futebolistas causadas por impactos sucessivos na cabeça.
«Quando o meu pai morreu, doámos o seu cérebro e este estava repleto de uma doença chamada encefalopatia traumática crónica (ECT), que só é causada por vários impactos na cabeça. Por isso, sabemos que o facto de cabecear a bola matou o meu pai», explicou, em declarações à GB News.
‘His brain was riddled with disease… that can only be caused by head impacts.’
— GB News (@GBNEWS) January 16, 2024
Footballer Nobby Stiles’ son John discusses his efforts to raise awareness of the ‘scandal’ around footballers putting their health at risk for the sport, as he takes on the FA. pic.twitter.com/YJt4mOfkmm
John afirma que «já é tarde demais para salvar» o seu pai, mas que está a falar sobre este assunto agora «para conseguir ajuda para os jogadores que sofrem de ECT», mas que até ao momento, nada aconteceu.
A família de Stiles faz parte dos 19 requerentes que já tomaram ações legais contra a Associação de Futebol Inglesa, a Liga Inglesa de Futebol e o International Football Association Board, órgão responsável pela manutenção e alteração das regras do futebol, devido a lesões cerebrais alegadamente sofridas por ex-futebolistas durante as suas carreiras.
«Ninguém parece conhecer esta doença que matou o meu pai e estou convencido de que centenas, se não mesmo milhares, de jogadores morreram e vão morrer por causa dela e nada está a ser feito», queixa-se John, dizendo depois: «Aposto que o Harry Kane e o Kyle Walker não conhecem isto.»
Stiles diz o que quer que aconteça para auxiliar aqueles que sofrem da doença: «Eu quero que seja criado um fundo adequado para todos os jogadores que ficam com ECT por causa dos cabeceamentos da bola e para suportar os seus cuidados de saúde. E quero que os jogadores sejam informados, os atuais jogadores.»
«Penso que o futebol está a lavar as mãos. Ele sabe disto. O médico legista de Jeff Astle» - antigo jogador internacional inglês que faleceu em 2002 com 59 anos - «disse, há 20 anos, que o facto de ele ter cabeceado a bola o matou. Depois, em 2013, descobriram que Jeff tinha ECT, o mesmo que o meu pai.»
John diz que não quer «banir os cabeceamentos do futebol», apenas deseja que os responsáveis pelo mesmo tenham consciência desta doença e que tomem as ações necessárias para melhor a prevenirem.