Não há gente como a gente, bravos açorianos! (crónica)
Num jogo aberto e que valeu cada cêntimo do bilhete, concebeu-se um clássico das ilhas intenso e emotivo do primeiro ao último segundo. Aos 15’ o Santa Clara vencia por 2-0, mas três golos de Chuchu Ramírez deram a volta ao marcador. Contudo, o aperto final dos açorianos foi premiado com o empate, por Elias Manoel nos descontos, assistido pelo seu guarda-redes, Gabriel Batista, na sequência de canto.
«Não há gente como a gente, bravos açorianos!» Esta junção do lema do Nacional com o cognome com que o Santa Clara é conhecido nos Açores, enquadra-se, perfeitamente, na história do jogo. O adepto dos madeirenses exultou com a união da sua equipa que lutou para inverter um início de jogo horrível, e o dos açorianos deslumbrado com a valentia com que a sua equipa entrou em campo e batalhou para evitar a derrota. No final, e embora o resultado não tenha deixado ninguém satisfeito, os dois saíram convencidos de que com gente como a que veste as suas cores, não faltará bravura para lutarem pelos objetivos finais.
Houve qualidade nos movimentos ofensivos, erros também no capítulo defensivo, e uma enorme vontade mútua em vencer. O Santa Clara aproveitou um deslize de Zé Vítor (4’) – que perdeu a bola para Vinícius Lopes – para se adiantar, com o avançado a correr isolado desde o meio-campo para finalizar. E aos 15’ sofreu novo golpe, quando Sidney Lima cruzou/rematou na direita, com a bola a bater na barra e na recarga Paulo Victor atirou para o segundo dos açorianos.
O esforço de Liziero relançou o Nacional na discussão do resultado, ao ganhar, na raça, a bola a Vinícius Lopes e a lançar Paulinho Bóia, com a bola a sobrar para o instinto matador de Chuchu Ramírez, que finalizou à meia-volta. Um golo que também teve o condão de acalmar os madeirenses, que sofreram muito até então com a exploração dos corredores e da profundidade, colocada em prática pelos açorianos. E antes do intervalo o goleador venezuelano anulou a vantagem, de penálti, após ser derrubado por Luís Rocha.
Liziero voltou a ser decisivo na reviravolta, ao deixar Chuchu Ramírez na cara de Kaique com um excelente toque de calcanhar.
Assistiu-se depois a um vaivém, de oportunidades, em que o empate ou o alargar de distância do Nacional esteve sempre presente, com o prémio a sair ao Santa Clara nos descontos e com ação decisiva do seu guarda-redes Gabriel Batista, que foi à área contrária desviar de cabeça um canto de Welinton Torrão, colocando a bola para a finalização de Elias Manoel.
As notas dos jogadores do Nacional (4x2x3x1): Kaique (6), João Aurélio (5), Léo Santos (6), Zé Vítor (5), José Gomes (6), Liziero (7), Matheus Dias (6), Pablo Ruan (5), Miguel Baeza (5), Paulinho Bóia (6), Jesús Ramírez (8), Deivison (5), Daniel Júnior (6), Witi (5), Laabidi (5) e André Sousa (-)
As notas dos jogadores do Santa Clara (3x5x2): Gabriel Batista (7), Sidney Lima (6), Luís Rocha (5), Henrique Silva (6), Lucas Soares (5), Serginho (6), Djé Tavares (5), Klismahn (6), Paulo Victor (7), Vinícius Lopes (6), Gabriel Silva (5), Brenner Lucas (5), Adriano Firmino (5), Pedro Ferreira (5), Elias Manoel (7) e Welinton Torrão (5).
O que disseram os treinadores
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«O empate tem um sabor amargo, depois de termos conseguido dar a volta. Foi uma entrada em falso que permitiu ao adversário ter uma vantagem de dois golos, a equipa acreditou sempre, reagiu bem, conseguiu fazer a reviravolta e apesar do maior ascendente nos últimos minutos do Santa Clara, perder assim, no último lance do jogo, quando eles colocam muita gente dentro da área, inclusive o guarda-redes, acabou por cair para o lado deles. Quero valorizar o que a minha equipa fez e penso que foi um grande jogo de futebol»
Vasco Matos, treinador do Santa Clara
«Uma entrada muito forte da nossa equipa, conseguimos fazer dois golos e depois não podemos sofrer como sofremos daquela maneira e deixámos o Nacional entrar no jogo. Sabíamos que é uma equipa muito difícil, bem trabalhada e com muita alma e deram a volta. A minha equipa nunca desistiu, manteve sempre o equilíbrio e identidade, criámos muitas situações de finalização na segunda parte e acabámos, na minha opinião, de uma forma justa conseguir o empate. Foi um grande jogo e parabéns também ao Nacional»