Anémico e esquálido galo no prato do grande rei leão: a crónica da goleada
Trincão marcou dois golos e foi 'rei' em Barcelos (Grafislab)

Gil Vicente-Sporting, 0-4 Anémico e esquálido galo no prato do grande rei leão: a crónica da goleada

NACIONAL12.04.202423:16

Avassaladora entrada com quatro golos até ao intervalo; há 16 anos que tal não acontecia fora de casa; sete pontos de avanço sobre o Benfica

Poucas dúvidas haveria sobre o resultado, se o rendimento de ambas as equipas fosse aquilo que tem sido: altíssimo o do Sporting, baixinho o do Gil Vicente. Assim foi. O rei leão da Liga 2023/2024 entrou verdadeiramente esfomeado em campo, como se de mais três pontos e de muitos golos dependesse a sua vida: velocidade, intensidade, classe com bola e agressividade sem ela. Depois, quando a estes atributos se junta um adversário demasiado frágil, desconcentrado e até apático, tudo se conjugava para uma goleada das antigas.

E depressa, bem depressa, o leão foi devorando o galo de Barcelos, o qual, de tão anémico, quase pareceu um pintainho: 0-1 aos 7’ e 0-2 aos 11’, 0-3 aos 31’, 0-4 aos 38. Tão fácil foi o passeio leonino em Barcelos que é preciso recuar mais de 16 anos, até 30 de março de 2008, para encontrarmos outro jogo do Sporting com quatro golos marcados ao intervalo: 4-1 em casa da Naval, golos de Liedson (11’, 22 e 36’) e Miguel Veloso (20’).

Porém, quando tudo se encaminhava para uma goleadas das antigas (ou das modernas, pois já houve, esta época, um 8-0 ao Dumiense, outro 8-0 ao Casa Pia e um 6-1 ao Boavista), tendo o Sporting terminado a sua obra, ele descansou ao 45.º minuto. Já na próxima terça-feira, realiza-se o jogo em atraso com o Famalicão, da 20.ª jornada, pelo que mais importante do que somar golos atrás de golos era dar algum descanso aos jogadores. Coates e St. Juste, por exemplo, estavam no banco e Hujlmand e Nuno Santos, por castigo, nem sequer puderam estar na ficha de jogo.

VENHA DE LÁ ALGUM DESCANSO

Ao intervalo, Carlos Cunha mexeu no onze e trocou Pedro Tiba, Murilo e Martim Neto por Alipour, Félix Correia e Fujimoto. Rúben Amorim limitou-se a trocar o posicionamento dos alas: Ricardo Esgaio passou da esquerda para a direita e Geny Catamo deslocou-se da direita para a esquerda. E o Gil Vicente melhorou. Não devido a esta troca leonina, claro está, mas melhorou. Deixou de ser o galo anémico e esquálido, levantou a crista e equilibrou a tendência do jogo. Claro que, quando assim acontece, dificilmente se dirá com exatidão se foi o mais pequeno que cresceu ou o maior que decidiu encolher-se um pouco. Sempre pareceu, porém, ter sido por decisão do Sporting e do seu treinador que o jogo se tornou mais equilibrado. Havia 4-0 ao intervalo e, com novo jogo dali a 96 horas, importante era minimizar potenciais desgastes e não, sofregamente, ir em busca de mais e mais golos.

EM BUSCA DE OUTRO ZERO

O Gil Vicente passou, então, a ter mais bola, mais espaço para jogar até perto da área leonina, mas, sejamos justos, quase nunca criando perigo junto da baliza de Israel. O Sporting passou a uma espécie de descanso com bola, diminuindo a intensidade e a agressividade até níveis que não colocassem em causa o zero defensivo. E sabe-se como Rúben Amorim, aliás como qualquer treinador, sente a preciosidade de não sofrer golos, algo que acontecera apenas em dez das 27 jornadas de Liga realizadas até então.

Diomande fez o 2-0 em Barcelos

Pareceu ainda, na parte final, que os jogadores do Sporting tentaram oferecer um ou mais golos a Viktor Gyokeres para acalmar a óbvia ânsia do sueco em marcar, depois de três jogos sem o fazer. Não o conseguiu e passa agora a somar quatro sem festejar individualmente, pois o quarto golo foi, justamente, atribuído a Andrew na própria baliza. Com ou sem golos do seu 9, os leões têm agora 7 pontos de avanço sobre o Benfica.