Luís Castro imune a protestos: «Nada me perturba, sei para onde vim»

Botafogo 15.07.2022 09:54
Por Redação

Quatro derrotas nos últimos cinco jogos e eliminação na Taça do Brasil não retiram foco a Luís Castro, que disse perceber a insatisfação dos adeptos do Botafogo, mas que não se desvia do seu caminho.


A equipa perdeu por 0-2 na receção ao América Minejro (já tinha sido derrota por 0-3 na primeira mão dos oitavos de final) mas logo depois do primeiro golo os adeptos começaram a gritar «equipa de vergonha».


O treinador preferia analisar o jogo, mas as perguntas foram mito direcionadas para a contestação, que de resto não é nova.


«Já percebi que a conferência vai ser encaminhada para o meu trabalho dentro do Botafogo. Estou há muitos anos no futebol e habituado a tudo, portanto nada me perturba. Se os adeptos se manifestam de forma negativa têm razões para isso. Não estamos à espera de ser elogiados quando perdemos. Ainda mais numa eliminatória em que perdemos os dois jogos. É normal», disse, voltando a demonstrar controlo sobre o ambiente que o rodeia:


«Antes de vir para o Brasil eu sabia para onde vinha, sei qual é a cultura do futebol brasileiro, que não é igual à de outros países. Estou totalmente preparado para esta cultura, que é de vaias quando perdemos e de elogios quando ganhamos. Aconteceu algumas vezes e vai continuar a acontecer. Estamos conversados sobre esse tema, mas se alguém quiser voltar a isso, volto a dizer que no futebol é assim. Já tenho 25 anos de carreira.»


«O que mais me surpreende é um país que é pentacampeão do mundo, que tem os melhores jogadores do mundo, que tem milhões de torcedores, como é que não consegue vender bem o seu futebol? Já viram alguma vez Real Madrid, Barcelona, Benfica, Bayern, Borussia... Por que é que os campeões destes países não descem e no Brasil sim? Reflitam e depois respondam. Não estou a dizer que não devemos sair de vez em quando. Mas uma média de seis meses de cada treinador quer dizer que todos os treinadores são incompetentes? Não há técnicos que fiquem mais de dois anos? Por quê? A diferença está onde?», questionou.


«Eu procuro pacificar sempre o futebol, vou tentar fazer isto sempre e não me vou calar. Estou determinado a seguir esse caminho. Até o último segundo da minha vida no Brasil. Por mim vou continuar até o limite e cumprir o meu contrato. Pode aumentar a pressão, não quero saber. Sabem quando é que tive pressão? Quando tive que amparar os meus pais com cancro no hospital. Aí tive uma pressão louca. Essa é a pressão da minha vida. Pressão por perder um jogo? Pelo amor de Deus...»


Luís Castro voltou então ao encontro, deixando elogios à equipa. «Interessa dizer que comando um grupo de jogadores muito digno, trabalhador.  São concentrados, dão o exemplo. Nunca chegam atrasados aos treinos, vão embora muito depois de terminar. Apesar da desvantagem de 0-3, entraram em campo muito determinados. Tivemos 26 remates, quisemos muito ganhar este jogo», sublinhou.


«A nossa qualidade de jogo não tem sido aquela que eu quero, claro que não. Acho que vamos atingir, mas não consigo ter quando entra um e sai outro. Hoje ficámos sem o Patrick [de Paula, lesionado] e sem o Carli. Temos de fazer outras alterações», lamentou.



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