Um Olímpico Mercantilismo (artigo de Gustavo Pires, 96)

Espaço Universidade 07-12-2018 16:15
Por Gustavo Pires

Durante a sessão de abertura da II convenção MEMOS (Executive Masters in Sport Organisations Management) que se realizou no Estoril o presidente Constantino do Comité Olímpico de Portugal (COP), destacou a importância da gestão do desporto no combate à “mercantilização do desporto”. E, num discurso de carácter moralista, afirmou: “A mercantilização do desporto a que assistimos, que acentua a avidez pelo lucro e pelo dinheiro, traz com ela o aparecimento de fenómenos que lesam a boa imagem do desporto, como a dopagem, a corrupção ou a manipulação de resultados. Portanto, se o desporto deve estar ao serviço do desenvolvimento humano, a governação não pode viver apenas em função da obsessão pelos resultados desportivos e descurar a credibilidade, a integridade e a democraticidade das suas organizações”. (Cf. Sapo, 2018-12-6).

 

O mercantilismo, enquanto sistema económico, do ponto de vista lato, teve diversas interpretações desde que Adam Smith, em 1776, publicou “A Riqueza das Nações”. Do ponto de vista estrito significa a tendência para, a partir de interesses pessoais ou corporativos, subordinar tudo ao comércio. Desde Adam Smith que políticas mercantilistas foram desenvolvidas e postas em prática por comerciantes e governos nos mais diversos países. O desporto não escapou ao mercantilismo pelo que, desde inícios do século XX, que o comercialismo afligia aqueles que lideravam o Movimento Olímpico (MO) tanto a nível internacional quanto nacional. Pierre de Coubertin, ao longo da sua vida, foi um inquebrantável lutador contra o mercantilismo que já ameaçava tomar conta dos Jogos Olímpicos. Repare-se que ele não era contra a economia associada ao desporto mas, simplesmente, contra os abusos da sua exploração comercial.

 

Postas estas premissas, temos de dizer que não se percebe o discurso do presidente do COP. Em primeiro lugar, porque, nos tempos atuais, à revelia do espírito de Coubertin, têm sido as organizações do MO aquelas que mais têm mercantilizado e comercializado o desporto como qualquer pessoa minimamente atenta pode constatar. Em segundo lugar, se existe organização que mais tem demonstrado avidez pelo dinheiro tem sido o Comité Olímpico Internacional (COI) com os seus cadernos de encargos destinados às cidades candidatas e os seus contratos milionários com as cadeias de televisão em todo o Mundo. Em terceiro lugar, o evento que mais tem descredibilizado o desporto, lamentavelmente, tem sido os Jogos Olímpicos (JO) desde os velhos comportamentos da URSS e da RDA que, no Rio de Janeiro (2016), tiveram um epílogo monumental com a questão do doping que envolveu o Comité Olímpico Russo, o Estado Russo e os atletas russos. Em quarto lugar, quanto à credibilidade, integridade e democraticidade das organizações, só podemos estranhar a posição do presidente do COP quando, ele próprio, chefia uma organização em que o processo eleitoral decorre com listas solidárias (Assembleia Plenária, Comissão Executiva, Conselho de Ética e Conselho Fiscal) e, como se não bastasse, a Assembleia Plenária e a Comissão Executiva  são presididas pela mesma pessoa, quer dizer, ele próprio. Acresce que o Conselho de Ética, incompreensivelmente, não segue o padrão democrático de eleição livre e independente da Comissão de Ética do COI. E, por isso, não merece qualquer credibilidade.

 

Todavia, o discurso do presidente do COP tem a virtude de levantar uma das questões mais críticas que, de há vários anos a esta parte, caracteriza a práxis do MO nos mais diversos países do Mundo. Trata-se do mercantilismo e da sua dimensão comercialista. Qualquer observador minimamente atento sabe que as organizações desportivas que mais têm mercantilizado o desporto têm sido, precisamente, as do MO. E de tal maneira que, para além da máquina mercantilista em que os atletas são envolvidos e, até, explorados, quando se chega aos cadernos de encargos absolutamente exorbitantes exigidos pelo COI às cidades candidatas a receberem os JO e respetivos países, é confrangedor verificar,  posteriormente, o rasto de miséria que fica da realização dos JO como, entre outros, foram os casos de Atenas (2004), Sochi (2014) ou Rio (2016) em que, como referem os brasileiros, o COI ficou com os lucros e eles com as dívidas para pagar.

 

Apesar dos inúteis esforços posteriores à Grande Guerra (1939-1945) desenvolvidos por Siegfried Edström, Michael Killanin e Avery Brundage, o que aconteceu foi que Antonio Samaranch resolveu abrir as portas do COI ao mercantilismo iniciando uma política, diga-se em abono da verdade, que reanimou o MO que, ao tempo de Killanin, ameaçava extinguir-se. Na realidade, o mercantilismo começou a tomar conta do MO a partir dos JO de Roma (1960) quando a televisão entrou, pela primeira vez e em força, no JO. Mais tarde, o mercantilismo assentou verdadeiramente arraiais no MO quando, em 1980, Antonio Samaranch foi eleito para a presidência do COI. E não foi por acaso que ele foi eleito, sobretudo, com o apoio dos países socialistas e dos países africanos que, na sua generalidade também eram socialistas. A partir de então, Samaranch instituiu uma dinâmica mercantilista no MO que, com uma estratégia comercial de grande agressividade, encheu os cofres do COI e abriu a caixa de Pandora. Mas, pelo que nos foi dado observar ao longo dos anos, nem os CONs, nem as Federações Internacionais (FI), nem os Comités Organizadores dos JO (COJOs) alguma vez manifestaram qualquer preocupação relativamente às avultadas somas de dinheiro que que passaram a receber da máquina mercantilista organizada por Samaranch. E os próprios governos que, como se viu nos JO de Montreal (1976), ficavam com as faturas para os contribuintes pagarem, a partir de então, aderiram à nova dinâmica mercantilista de Samaranch que passou a ser recebido nos mais diversos países como um autêntico chefe de Estado. E, deste modo, os CONs, numa lógica neo-mercantilista, passaram a ser considerados um instrumento da política económica dos respetivos governos a fim de estes, no domínio do “soft power”, ganharem vantagem competitiva nas relações internacionais. E Samaranch, já no final do seu mandato, na 108ª Sessão do COI, realizada em Lausana, a 17 e 18 de março de 1999, esclareceu a sua estratégia com uma simples metáfora: “… we said yes to commercialisation...”.

O problema é que parece que ninguém reparou ou quis reparar que, entretanto, os diabretes que tinham fugido da caixa de Pandora já estavam, por todo o Mundo, a corroer a alma do desporto moderno instituída por Coubertin em finais do século XIX.
 

O “sucesso” de Samaranch ficou a dever-se ao facto de ter escancarado as portas do MO ao mercantilismo que, para além do comercialismo, envolveu, contranatura, os governos dos países tanto na obtenção de resultados de prestígio nos JO como na candidatura das cidades a receberem a organização dos JO. Por isso, não percebemos a posição do presidente do COP quando no seu discurso se manifesta contra o mercantilismo acusando-o de ser o responsável pelos diversos estigmas do desporto porque, para além da organização que  chefia receber muitos milhões de euros do Estado, numa entrevista ao jornal O Jogo (2018-06-16), afirma: “Eu veria, com muito bons olhos, uma candidatura ibérica à organização de uns Jogos Olímpicos. Espanha já foi candidata e não correu bem, mas tem capacidade para isso e acho que Portugal poderia ser parceiro desse desígnio, permitindo que se aproveitasse muito daquilo que nos é comum”. Lindo!

 

Independentemente de não serem nem regiões nem países a candidatarem-se não à organização mas a sediarem os JO, a opinião do presidente do COP revela acerca do assunto a mais genuína perspetiva mercantilista que ele critica no discurso que reproduzimos inicialmente. Direi mesmo que, do ponto de vista ideológico, considero a perspetiva do presidente do COP relativamente aos JO Ibéricos do mais genuíno neo-mercantilismo uma vez que, por contraditório que possa parecer, o neo-mercantilismo é uma fase avançada do neo-liberalismo em que os Estados através dos governos, numa lógica protecionista, atuam ao estilo de empresas na competição económica internacional como, hoje, está a acontecer, por exemplo, entre a RPC e os EUA. Nestas circunstâncias, os CONs passam a ser uns meros instrumentos da ação política do Estado o que nos parece uma perfeita aberração tendo em conta os princípios da Carta Olímpica que, embora indiretamente esclarece: Ao Estado o que deve ser do Estado, ao MO o que deve ser do MO.

 

Entretanto, é bom recordar que o mercantilismo comercial de Samaranch, embora possamos admitir que trouxe vantagens para o desenvolvimento do desporto, o que aconteceu foi que, o COI, tal qual novo rico, perdeu o controlo da situação e de tal maneira que, cerca de vinte anos depois, em 1998, o mundo tomou consciência de que as coisas tinham descambado para o lado da corrupção quando o membro do COI de seu nome Marc Hodler teve a coragem de afirmar publicamente aquilo que há muito já se suspeitava: que, de 5 a 7 por cento dos membros do COI eram compráveis. Infelizmente, embora tivessem sido expulsos do COI vários dos seus membros o que é facto é que, porque a dinâmica mercantilista fora de controlo continuou, passados cerca de 10 anos, surgiram novamente os mesmos problemas. No dia 2 de Outubro de 2009, na Sessão do COI em que se decidia a cidade que receberia os JO da XXXI Olimpíada, depois da cidade de Chicago, conjuntamente com outras, ter sido preteria relativamente ao Rio de Janeiro, Barack Obama manifestou o seu descontentamento ao afirmar ser o COI similar à FIFA e a decisão, relativa à cidade que iria receber os Jogos da XXXI Olimpíada (2016), como "little bit cooked". Em consequência, Obama decidiu não assistir às cerimónias de abertura dos JO de Londres (2012), Sochi (2014) Rio (2016). E as palavras de Obama até foram premonitórias. As instalações de milhões de dólares construídas para os JO do Rio (2016) acabaram no mais degradante  abandono e, por suspeita de compra de votos, o Presidente do Comité Olímpico Brasileiro (COB) que, simultaneamente, sob o beneplácito do governo, presidia à Comissão Organizadora dos Jogos, acabou preso e acusado de corrupção. Na realidade, na luta neo-mercantilista, o Brasil ganhou aos EUA, todavia, foi uma vitória de Pirro.

 

Hoje, o discurso neomercantilista quer seja produzido consciente ou inconscientemente, está a superar o discurso pedagógico, cultural, económico e social por muito que, na maior das hipocrisias, alguns dirigentes digam que o MO está ao serviço do desenvolvimento humano. Desde logo porque, para além dos discursos moralistas, os CONs estão ao serviço daqueles que os patrocinam. E, muitas vezes, para não dizer todas, as grandes empresas que os patrocinam não passam de multinacionais mercantilistas que se limitam a defender os seus próprios interesses. E, depois, sob a indiferença dos governos, faturam lucros extraordinários que disfarçam através do patrocínio de organizações e eventos desportivos a fim de credibilizarem e notabilizarem junto das populações que exploram o respetivo logotipo. E não é necessário sair de Portugal para se constatar esta triste realidade.

 

Mas, simultaneamente, as populações também estão a atingir o limite da sua paciência como temos estado a ver em França um País cujo orçamento previsto para os JO de Paris (2024) é de 6,8 bilhões de euros, sabendo-se, desde já, que a pressão dos prazos vai fazer disparar os custos para valores astronómicos. O que está a acontecer é que, enquanto os dirigentes desportivos e políticos vivem na mais pura irresponsabilidade a candidatarem as suas cidades, países e regiões a fim de receberem os JO e outros grandes eventos, felizmente, as populações, cada vez mais conscientes dos seus interesses, estão, simplesmente, a rejeitar a organização de tais eventos como já aconteceu com Nova Iorque (2012); Roma (2024); Hamburgo (2024); Boston (2024); Budapeste (2024); Graubünden (cantão suíço) (2022 & 2026); Innsbruck (2026); Graz/Schladming (Austria)(2026); Cracóvia (2022); Munique (2022); Oslo (2022); Roma (2020 & 2024); Sion (2026); Estocolmo (2022); Viena(2028).

 

Felizmente, as populações já começaram a perceber que, depois da festa e da condecoração dos dirigentes políticos e desportivos, ficam as despesas para elas pagarem. Por isso, no que diz respeito aos JO Ibéricos e ao Mundial de Futebol (2030), espero que os portugueses tenham aprendido a lição com o Euro 2004 cujos estádios ainda estão por pagar e, se necessário for, seja desencadeado um movimento nacional contra esses eventos que só servem para depauperar o País, prejudicar o desenvolvimento do desporto e deixar dívidas inúteis para as futuras gerações.

 

Contudo, muito embora a ideia de uma candidatura Ibérica a receber os JO seja perfeitamente idiota, a situação é, deveras, preocupante porque o COI, como referimos, está a receber cada vez menos candidaturas pelo que, na maior das irresponsabilidades, no sentido de estimular o aparecimento de novas candidaturas, até podem surgir incentivos a fim de, artificialmente, sustentar a candidatura ibérica. Só assim se compreende as dramáticas palavras do presidente do COI Thomas Bach quando, durante os JO da Juventude realizados em Buenos Aires (2018-10-06- 201810-18), sugeriu que a cidade estava em condições de se candidatar a receber a edição dos JO de 2032 (globoesporte, 2018-10-19). Tal sugestão é, no mínimo,  despropositada para não se dizer trágica uma  vez que é do conhecimento geral que a Argentina tem a economia em colapso ao ponto de, em Maio de 2018, devido à queda da sua moeda (peso), ter sido obrigada a receber um empréstimo de 50 mil milhões de dólares do FMI. Para além do mais, o orçamento dos JO da Juventude Buenos Aires (2018), em 2017, já tinha derrapado mais de 700% (A Bola, 2017-01-10) relativamente ao orçamentado em 2013. Mas a sugestão de Thomas Bach também revela a mais absoluta falta de sentido de oportunidade na medida em que foi realizada na Argentina país vizinho do Brasil que vive uma profunda crise económica, social e política da qual os JO têm grande responsabilidade.

 

Não vale a pena a oligarquia olímpica chorar lágrimas de crocodilo quando já ninguém acredita nos seus lacrimosos discursos acerca de um desporto ao serviço do desenvolvimento humano. Desde logo porque, ao contrário da afirmação do presidente do COP, não é o mercantilismo que está na causa dos graves problemas que o desporto tem de enfrentar. O mercantilismo é, eventualmente e tão só, mais um dos estigmas que decorrem das opções políticas  que apostaram mais na angariação de espectadores desportivos que alimentam a economia (veja-se o IVA dos espetáculos de futebol a 23% em Portugal) do que na formação de novos praticantes desportivos através do financiamento de políticas públicas direcionadas para os grupos sociais mais desfavorecidos, sobretudo num país como Portugal em que a taxa de prática desportiva é muito baixa e cerca de 25% das crianças são pobres.

 

Por isso, o maior problema do MO moderno não é o mercantilismo. Nem vale a pena transformá-lo em bode expiatório. O maior problema do MO moderno é, salvo as devidas exceções, a falta de coerência dos seus dirigentes que, à semelhança dos dirigentes políticos, passaram a desenvolver um discurso de convenientes incoerências a fim de se desculpabilizarem e, simultaneamente, ganharem a notoriedade necessária de modo a embarcarem no elevador socio-político. Por um lado, proclamam os valores pedagógicos e culturais do desporto e reclamam um desporto livre do doping, da corrupção, dos resultados viciados entre outros malefícios, mas, por outro lado, subordinam toda a sua ação a critérios do mais puro mercantilismo comercial desde logo instituindo um sistema híper-competitivo porque o que interessa é faturar seja do Estado seja das entidades comerciais. E, assim, para além de todas as competições nacionais e internacionais promovidas pelas Federações Desportivas, o COP já anunciou que, em 2019, vai chefiar cinco Missões Olímpicas (Portal/COP, 2018-08-02). E compreende-se porque, se por um lado, é necessário satisfazer os patrocinadores, por outro lado, é conveniente manter o País entretido. Em conformidade, entre outras medidas, os prémios de mérito desportivo até foram devidamente alterados para privilegiarem os resultados obtidos nos JO relativamente aos obtidos nos Campeonatos do Mundo ou da Europa. (Portaria nº 103/2014 de 15 de maio) A este respeito, F. Pacheco Torgal investigador da Universidade do Minho, levantou as seguintes questões: “Faz algum sentido que um país tecnicamente falido pague mais do que pagam vários países muito mais ricos do que o nosso por uma medalha olímpica? Faz sentido Portugal pagar 40.000 euros por uma medalha de ouro (e 25.000 por uma de prata) e Alemanha pagar 20.000 euros ou o Canada pagar 12.900 euros? E porque é que o mesmo Estado Português paga literalmente zero a algum cientista que faça importante descoberta científica ou que consiga tornar-se uma referência a nível mundial?”. (Novembro de 2018 /mail). É claro que não faz sentido. O problema é que o alto rendimento desportivo nacional como não é, naturalmente, alimentado a montante já não funciona sem doping financeiro.

 

Por isso, temos de dizer que o verdadeiro problema do desporto moderno não é o mercantilismo. O verdadeiro problema é falta de coerência, em matéria de políticas públicas para o desporto, da generalidade dos dirigentes políticos e desportivos. Aliás, basta ver quem são os grandes patrocinadores do COI e os dos CONs por esse mundo fora para se perceber o padrão de incoerência que, hoje, reina, no MO à escala do Planeta. Por um lado criticam os malefícios do mercantilismo, mas, por outro lado vivem à custa dele. Mas, até se pode levar a análise mais longe. Basta realizar uma breve  consulta ao que se passa nas minas de cobalto na República Democrática do Congo que, exploradas por empresas estrangeiras, alimentam a industria das novas tecnologias ou ao que se passa em vários países orientais nas “fábricas familiares” da industria têxtil e outras que alimentam as grandes marcas de material desportivo que, por sua vez, financiam o MO nos mais diversos países do Mundo, para se perceber que os verdadeiros problemas do desporto estão a montante no mercantilismo e dos fenómenos que, segundo o presidente do COP, dele decorrem e que lesam a boa imagem do desporto, como a dopagem, a corrupção ou a manipulação de resultados. Os grandes problemas do MO estão na falta de coerência (falta de educação e de cultura) dos dirigentes que criticam o mercantilismo, acusam-no dos mais diversos crimes e, depois, colocam as organizações que chefiam e os eventos que promovem precisamente, por um lado, ao serviço do mercantilismo, quer dizer, ao serviço de grandes empresas multinacionais que até exploram o trabalho infantil e, por outro lado, ao serviço dos negócios mercantilistas do Estado quer sejam financeiros quer sejam políticos quer sejam desportivos.

 

Por tudo isto, com a atual incultura dos atuais dirigentes políticos e desportivos, não acredito que, salvo as devidas exceções, seja possível construir um desporto que, verdadeiramente, esteja ao serviço da generalidade dos cidadãos e não dos interesses das grandes empresas neo-mercantilistas. Todavia, também sou daqueles que acredita que Pandora quando viu todos os diabretes a fugirem da caixa que, por curiosidade, abriu, ainda foi a tempo de a fechar conseguindo reter lá dentro a esperança. Pois é na esperança de contribuir, ainda que modestamente, para a construção de um desporto melhor que, apesar de tudo, continuo a acreditar que o Olimpismo é uma filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço do desenvolvimento humano.

 

Gustavo Pires é professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana

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