Victor Wembanyama vai cumprir a quarta temporada na NBA          Fotografia Imago
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Wembanyama recusa-se a promover casas de apostas

Poste dos Spurs diz que já recusou muitas ofertas e já 'perdeu' mais dinheiro do que aquele que tem ganho porque não se integram nos valores que tem e quer promover e acrescenta que «é muito triste ver alguns jogadores a fazê-lo»

O poste dos Spurs Victor Wembanyama colocou uma linha vermelha no que toca a acordos de patrocínio no mundo dos jogos de fortuna e azar. Apesar de somar várias parcerias comerciais de peso desde que ingressou na NBA, a estrela francesa garantiu que não tenciona associar a sua imagem a empresas de apostas desportivas ou a mercados de previsões.

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de vir a colaborar com entidades deste setor, Wemby foi perentório: «Absolutamente não. Nunca farei isso. Honestamente, acho muito triste ver alguns jogadores a promover isso. Cada um faz o que quer, mas sem mim.»

O poste da formação de San Antonio, de 22 anos, explicou ainda os critérios que orientam a gestão dos seus contratos publicitários, colocando os valores éticos à frente dos ganhos financeiros. «No passado havia uma dimensão financeira. Já não. Mesmo dizendo isto, recusei muito, muito mais dinheiro do que aquele que ganhei, por coisas que não se alinhavam com os meus valores.»

«Agora quero promover coisas que tenham um bom impacto, que tenham uma boa influência e com as quais possa partilhar mensagens e valores. Obviamente que ganhamos milhões e milhões, mas esse não é o nosso maior ponto forte. O nosso maior ponto forte é inspirar. Quero inspirar de forma positiva. Essa é a coisa mais forte que posso fazer.»

Atualmente, a carteira de patrocinadores de Wembanyama inclui a Nike, a Louis Vuitton e a Fanatics, a que, este anom, se junta o estatuto de atleta de capa do videojogo «NBA 2K27», da Electronic Arts.

A postura do francês contrasta com a tendência recente na Liga, onde várias figuras de topo têm firmado acordos com operadores deste ramo. Giannis Antetokounmpo é um dos rostos da Kalshi e detém uma participação na empresa, que frequentemente disponibiliza mercados centrados em transações da NBA, por vezes envolvendo o próprio jogador.

Já LeBron James, após ter colaborado com a DraftKings, assinou recentemente um contrato com a Polymarket no valor de 15 milhões de dólares anuais (13,223 milhões de euros) — superando o salário de 3,877 milhões (3,418 milhões) que receberá dos 76'ers esta época. Por sua vez, a empresa Boardroom, de Kevin Durant, mantém uma ligação de longa data à Fanduel, enquanto Nikola Jokic é embaixador da sérvia Superbet.

O crescente envolvimento dos atletas não passa despercebido à cúpula da competição. Em fevereiro, o commissioner Adam Silver abordou a ligação entre Giannis Antetokounmpo e a Kalshi através do Yahoo Sports. «Atualmente, olhamos para os mercados de previsões da mesma forma que para as empresas de apostas desportivas. No caso do Giannis, é um investimento minúsculo... Precisamos de ter um melhor controlo sobre toda a atividade que está a acontecer.»

Ao abrigo do atual acordo coletivo de trabalho (CBA), os jogadores da NBA estão autorizados a investir e a promover empresas de apostas e mercados de previsões, estando apenas impedidos de realizar quaisquer ações ligadas a apostas sobre os jogos da própria Liga.

As apostas desportivas tem gerado episódios polémicos no basquetebol americano, destacando-se as detenções de Terry Rozier, então base dos Heat, e de Damon Jones, treinador-adjunto dos Cavaliers, sob acusações federais relacionadas com apostas na NBA. O caso mais severo culminou no banimento perpétuo de Jontay Porter, antigo jogador dos Raptors. A estes escândalos somam-se os episódios de assédio e ameaças dirigidos a jogadores por parte de apostadores insatisfeitos, cenário que levou a NBA a unir-se a outras ligas no passado mês para exigir medidas de proteção.

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