Dono do AEK revela proposta da NBA para absorver e extinguir a Euroliga
Com a criação da NBA Europa já se sabe que basquetebol europeu pode estar na iminência de uma revolução, mas há quem considere que ela pode ser muito mais profunda do que se imagina. Mas também existem receios. Numa conversa com a comunicação social grega, o dono do AEK Makis Angelopoulos revelou, esta quinta-feira, a existência de uma proposta formal da NBA à Euroliga, que visa a fusão e absorção desta última, culminando na extinção da principal prova de clubes do continente.
«Existe, com certeza, uma proposta da NBA para a Euroliga. A proposta diz respeito à absorção. Fusão e absorção. A extinção da Euroliga. As equipas vão todas para a BCL [Liga dos Campeões]. Se este cenário se concretizar, haverá um atraso. Não pode acontecer num ano. É por isso que acredito que um eventual acordo irá adiar os investimentos», afirmou.
Angelopoulos dirigiu duras críticas ao modelo vigente no basquetebol europeu. «Se fores comprado, fechas. A Euroliga é a definição de concorrência desleal na Europa. Não deixam ninguém respirar. Perguntam-me por que não vou para a EuroCup. Se a ganhar, recebo 100 mil euros em direitos televisivos, enquanto os outros [Euroliga] recebem quatro milhões por serem acionistas.»
Recordando a própria passagem pela competição secundária europeia, Angelopoulos apontou a falta de transparência na gestão. «Jogámos um ano na EuroCup. Perguntei-lhes qual era o plano. Disseram-me que estavam bloqueados financeiramente. Havia uma solução para arranjar 70 milhões, mas os jogos teriam de passar para o fim de semana. Eles quiseram fazer isso por 35 milhões. Levantei-me e saí. É aí que se compreende a forma de pensar. A mim incomoda-me também esta falta de transparência.»
Em contrapartida, o projeto associado à NBA apresenta premissas distintas a nível comercial e desportivo. «A NBA diz que abre 25 por cento. Dois caminhos: aLiga dos Campeões e os campeonatos. Todas as equipas vão receber o mesmo dinheiro. Comercialmente, a Euroliga é um fracasso total. Falhou a entrada em novos mercados, como Londres. A NBA vem para desbloquear o valor comercial. Não funcionou canalizar o dinheiro para os 11, porque a NBA não gosta de águas estagnadas», explicou.
No que toca à estrutura competitiva, o plano da liga americana prevê uma expansão faseada. «A NBA vai atribuir 12 licenças. No final do terceiro ano dará mais três e, no final do sexto ano, outras três, fixando-se nas 18. Quando é que a Euroliga pensou em criar franquias? Quando a NBA apareceu. A Euroliga tentou salvar-se no Golfo [equipa Dubai Basketball], o que é uma confissão do seu fracasso. A NBA diz que todas as licenças ficam na Europa. Na NBA serão sete estrangeiros e cinco jogadores de formação local.»
Por fim, foram abordadas as discrepâncias financeiras e de regulamentação. «As nossas equipas na Euroliga pagam multas pelo teto salarial. Alguns que não aceitam o teto salarial na Grécia, aceitam-no na Euroliga. Mark Tatum [deputy commissioner da NBA encarregue do projeto NBA Europa] dizia-me que o maior sucesso da NBA é ter oito campeões diferentes», concluiu Angelopoulos.
Entretanto, está marcado para 5 de outubro um novo encontro entre a NBA e a Euroliga, que acontecerá Villa d'Este em Cernobbio, no Lago de Como. Uma reunião de onde se espera que possam sair importantes decisões e a qual os proprietária dos clubes da Euroliga esperam que a NBA apresente uma proposta decisiva, que pode passar pela aquisição de parte ou totalidade da Euroliga, projeto de expansão da NBA Europa e de transição de clubes de uma para outar comeptição.
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