Vinícius: a dimensão do Benfica, o coração puro de Lage, a preocupação de Rafa com um hambúrguer antes de um dérbi...
Carlos Vinícius, 31 anos, avançado do Grêmio, no qual é treinado por Luís Castro, puxou a fita atrás para recordar, com carinho, a passagem pelo Benfica. Foi contratado ao Nápoles, em 2019, por €17 milhões, então terceira maior transferência dos encarnados, só atrás de Raúl Jiménez (€22 milhões) e Raul de Tomás (€20 milhões). BOLA de Prata na primeira época, com 18 golos no campeonato, o avançado brasileiro não se afirmou na Luz. Depois de empréstimos a Tottenham (no qual foi treinado por Mourinho) e PSV, saiu para o Fulham em 2022 por €5 milhões (mais €6 milhões por objetivos, mantendo então o Benfica 50 por cento do passe).
Vinícius, o avançado que faz a pose depois de marcar, começou por falar, em entrevista à Liga, do impacto da chegada à Luz: «Foi muito grande. Já tinha passado por Real Sport Clube, pelo Rio Ave, já tinha um pouco de entendimento daquilo que era o Benfica, da grandeza que é. O Benfica — só quem esteve lá dentro sabe do que estou a falar — é um dos maiores clubes do mundo. Não somente de Portugal, mas dos maiores clubes do mundo».
Vinícius justificou a afirmação: «Começamos a ver a diferença nas redes sociais. Quando vamos ao Estádio da Luz fazer as questões de contrato e vemos aquele estádio, dá logo aquele impacto e aquela certeza: ‘Uau, agora estamos aqui num clube grande.’ E isso sela quando vamos ao Seixal e começamos a viver aquilo. Chega, verdadeiramente, a confirmação de que realmente estamos num grande. É até difícil de explicar os ambientes da Luz em dias de jogos.»
O coração de Lage
Sobre o treinador que encontrou quando chegou à Luz, Carlos Vinícius revelou: «Bruno Lage é uma pessoa de coração puro, verdadeiro naquilo que são as palavras. No primeiro dia, no primeiro contacto que tive com o Bruno Lage, chamou-me à sala e disse assim: 'Estás preparado para ser suplente? Porque quando tu estiveres preparado para ser suplente é que tu vais ser titular.’ Isso marcou-me, porque geralmente chegamos aos clubes e é aquela coisa: ‘Vais jogar aqui, tu vais jogar.’ E ele não. Esse cara é diferente. É gente boa e marcou-me. Temos amizade até hoje. Almocei e jantei com a família dele».
Rafa a pensar num hambúrguer
No que respeita ao balneário, o brasileiro revelou o perfil de Rafa: «O Rafa, lá dentro, solta-se. Ele vive mesmo a vida. As pessoas puxam para aquilo que é o jogador de futebol profissional, meio robô. O Rafa não. Antes de um jogo, na semana que cheguei ao Benfica, tivemos a Supertaça contra o Sporting. O Rafa faz assim: ‘Ah, vamos jogar depressa esse jogo, f…, devia estar agora a comer um McDonald's e jogar videojogos.’ Pensei assim: ‘Meu Deus, estamos aqui a ir para um jogo importante.’ A verdade é que rebentou com o jogo, ganhámos 5-0 e foi um dos melhores em campo. Esse é o Rafa, entendeu? Esse é o Rafa. Só que, sabe como é que é o mundo que a gente vive hoje, é difícil explicar isso lá para fora. Mas top, o Rafa é top.»
Pressão e tensão
Quanto à exigência de representar o clube, o avançado descreveu o cenário de tensão: «É ter mentalidade forte e provar a cada dois dias, praticamente. Para o Benfica ganhar em casa 1-0 não chega. Para os estrangeiros que vêm, para mim, essas coisas de que só um golo na Luz não chega marcam. O Benfica entra sempre nas competições com esse pensamento de ir até às finais, até na Champions. Isso faz com que se crie ali responsabilidade, tensões, pressões, mas é o do jogo. É o clube que defendemos.»
Atrás de RDT e Seferovic
Carlos Vinícius abordou ainda a hierarquia inicial no ataque: «Cheguei como terceira maior contratação da história do clube. Chegou comigo a primeira [segunda, ndr] que era o Raúl de Tomás. E já havia o Seferovic, que era o último melhor marcador. Adotei e entendi: ‘OK, vou arrancar essa corrida em terceiro.’ Tinha na minha cabeça que precisava de aproveitar os tais 5 minutos que me iriam dar. Sabia que tinha de ser humilde nesse tempo de suplente. E, no fundo, consegui ser o melhor marcador dessa época».
Campeonato perdido para o FC Porto
Sobre a perda do campeonato em 2019/2020, confessou: «Ninguém do plantel consegue explicar isso. Estávamos com sete pontos de avanço, vamos ao Dragão com a oportunidade de ficar com 10, e perdemos o campeonato com oito de atraso. Então são coisas que... e aí, por exemplo, naqueles jogos de pandemia, se temos os adeptos ali, fortes… É difícil explicar realmente o que é que foi, o que é que se passou ali, um ponto. É difícil e até frustrante porque com sete de avanço perder com oito de atraso... esquece.»
Mourinho? Privilégio
Mourinho? PrivilégioVinícius coincidiu com José Mourinho no Tottenham. Mas para o avançado houve outro técnico mais marcante. «Tive treinadores como o José Mourinho, que foi um privilégio máximo, temos amizade até hoje. Mas fico com o Marcos Valadares, que foi o treinador do sub-20 do Palmeiras, que me tirou de zagueiro [defesa-central] e me colocou de médio/atacante. Esse foi top», justificou