Laura McAllister, representante de Gales no Comité Executivo da UEFA, presente no Portugal Football Summit
Laura McAllister, representante de Gales no Comité Executivo da UEFA, presente no Portugal Football Summit
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Vice-presidente da UEFA defende «mudança de liderança» na FIFA

Laura McAllister, representante de Gales no Comité Executivo da UEFA e vice-presidente do organismo que rege o futebol europeu, presente no Portugal Football Summit

Laura McAllister, representante de Gales no Comité Executivo da UEFA e vice-presidente do organismo que rege o futebol europeu, marcou presença no Portugal Football Summit e reagiu ao comunicado conjunto de Premier League, LaLiga, Serie A e Bundesliga. As quatro entidades uniram-se para exigir uma reforma na FIFA.

«Não posso comentar comunicados, mas posso dizer que o que tem sido mais impressionante nas últimas semanas é a forma como as várias partes interessadas no futebol se juntaram para se oporem à FIFA Forward Enterprise. Isso foi fundamental. A proposta atacava o coração do desporto, e não só colocava em causa o futuro do futebol como desporto acessível a todos, como representava uma ameaça existencial ao jogo. A partir do momento em que empresas privadas, com interesses financeiros, entram nas decisões do futebol, perdemos de vista os valores do futebol. As várias organizações - federações, ligas, clubes, jogadores e adeptos - vão poder continuar a tomar as suas próprias decisões. O que nos deixou mais satisfeitos foi a união que surgiu em oposição à proposta da FIFA», referiu, em declarações aos jornalistas, defendendo uma reforma na gestão da FIFA.

«É fundamental que reformemos a gestão do futebol ao nível global para que não tenhamos situações como as que tivemos este verão. Fazemo-lo garantindo que há uma melhor responsabilidade para o futebol e transparência. Espero que este episódio nos ensine algo sobre o porquê de uma gestão moderna e transparente ser tão importante no futebol. Mas isso exige uma mudança de cultura e, para isso, tens de mudar de liderança. É uma oportunidade para promover um debate sobre este tema durante a corrida presidencial», acrescentou, sendo questionada sobre a Federação Portuguesa de Futebol.

«Todas as 55 nações da UEFA apoiaram as propostas que discutimos no final de julho e, depois, em agosto. Creio que todas as 55 federações da UEFA têm uma voz e isso incluiria cada uma delas», disse. As eleições da FIFA estão marcadas para março de 2027 e Gianni Infantino já anunciou a recandidatura.

«Receio que a confiança na liderança atual [de Infantino] se tenha deteriorado pelo que aconteceu no verão. Muitas federações, jogadores e ligas disseram que agora é hora da mudança. Espero que que haja um candidato contra Gianni Infantino. E espero que não seja apenas um», apontou Laura McAllister, que assumiu ter boas relações com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), quando questionada sobre o Mundial 2030, que será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos.

«Tenho uma ótima relação com os presidentes das Federações Portuguesa e Espanhola. São países fantásticos de futebol e irão contribuir para um maravilhoso Mundial. Têm grandes infraestruturas, grandes estádios, qualquer pessoa que não inclua Portugal e Espanha no coração da organização do Mundial estará a fazer um fraco serviço ao futebol. São dois países fundamentais para o crescimento do futebol», comentou, sendo igualmente confrontada acerca de Balogun, que originou o polémico caso da despenalização do cartão vermelho no Mundial 2026.

«O futebol tem de ser baseado nas regras. São princípios sobre os quais tomamos decisões, seja a nível de conduta no relvado, relativamente a cartões amarelos e vermelhos, ou ao nível da gestão do desporto. Um desporto que ignora as suas próprias regras corre o risco de se desmoronar. Uma decisão do árbitro em campo tem de vigorar, é um princípio fundamental. Quando isso acontece, estás a ameaçar a credibilidade do desporto. Perdes os adeptos, os patrocinadores. Essa é a razão pela qual achamos que não deve haver envolvimento político na decisão», defendeu, acreditando na possibilidade de surgir um candidato que possa derrotar Infantino nas eleições da FIFA.

«A Confederação Asiática apoiou algumas iniciativas da UEFA com vista a boicotar alguns torneios da FIFA, tal como a CONCACAF. Não é verdade que alguma das Confederações esteja inteiramente unida, com a exceção da UEFA, em torno de um candidato, depende de cada federação. Espero que uma forte corrida presidencial, com mais do que um candidato, traga à luz alguns destes argumentos, e que convença algumas das federações a seguir um caminho de modernização e mudança. O futebol não pertence a qualquer parte do mundo. Nós não acreditamos que o futebol pertença à UEFA. Somos uma organização poderosa, mas não significa que somos donos do futebol ou que tenhamos uma melhor posição», rematou.

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