Um português que conhece a Dinamarca: «Jantar fora? É melhor ir às 17h00...»
COPENHAGA — O início do outono tem sido brando na Dinamarca. O sol banha a capital e as temperaturas estão amenas, a roçar os 20 graus durante o dia. As ruas estão cheias e percebe-se: para quem vive invernos rigorosos, qualquer benesse é de aproveitar. «Os dias aqui terminam às 14h00. A vida é muito pacata e não há aquela cultura de ir jantar fora e sair até mais tarde, como em Portugal. Se é para ir jantar fora, convém marcar às 17h00, porque fecha tudo muito cedo», conta, a A BOLA, Dani Silva.
O médio português, de 26 anos, tem contrato com o Midtjylland até 2029 e, apesar de estar emprestado ao Widzew Lodz, da Polónia, tem bem presente o modo de vida nórdico: «Há coisas bastante diferentes. O Midtjylland é um clube familiar. As famílias tomam o pequeno almoço connosco no centro de treinos. É uma cultura muito intrincada. E nas vésperas dos jogos, por exemplo, comemos hambúrgueres e kebabs.»
Campeão pela última vez em 2023/24, o Midtjylland ilustra bem o crescimento que o futebol dinamarquês tem vindo a registar. «O clube exporta cada vez mais jogadores para os grandes campeonatos. Os estádios costumam ter sempre muita gente e as pessoas recebem-nos bem. Ainda não vemos muitos portugueses a entrar na liga, mas é um mercado cada vez mais interessante. Diria que o que ainda afasta um pouco o jogador latino são as diferenças culturais e o próprio idioma, que não é fácil de aprender», detalha Dani. «Não sei o que me reserva o futuro, mas, para já, estou focado em vingar no Lodz e na Polónia. Mas respeito muito o Midtjylland e faço questão de acompanhar a maioria dos jogos. Espero que voltem a ser campeões esta época», vinca.
Sobre o Dinamarca-Portugal de hoje, o centrocampista luso vê os nórdicos «em renovação» e deixa conselhos a Jorge Jesus e companhia. «São raros os jogadores com menos de 1,80 metros na Dinamarca. Sobrecarregam a área com cruzamentos e têm médios fortíssimos no meio-campo e nos duelos. Mas, se Portugal conseguir ligar jogo e tirar partido das ligações no ataque, podem sentir dificuldades. Vai ser um jogo com caraterísticas parecidas com o da Noruega», refere, identificando Damsgaard como perigo à solta: «É muito criativo e tem uma relação muito forte com o golo, além de grande capacidade no último passe. E cuidado com o Thomas Jorgensen, que está agora a aparecer. É um médio muito interessante.»
Quanto à nova era da seleção portuguesa, Dani Silva é perentório. «O balanço destes dois primeiros jogos só pode ser positivo. O trabalho do selecionador só pode ser avaliado a longo prazo, mas foram dois jogos competentes e onde Portugal conseguiu somar seis pontos. No fundo, é o mais importante», remata, otimista para o duelo no Parken.