Vai ser no Emirates Stadium que o Sporting vai tentar chegar às meias-finais da Liga dos Campeões - Foto: IMAGO
Vai ser no Emirates Stadium que o Sporting vai tentar chegar às meias-finais da Liga dos Campeões - Foto: IMAGO

Sporting à procura de fazer o que ainda não foi feito

Leão pode passar pela primeira vez às meias-finais da Liga dos Campeões. Esteve nos quartos de final em 1982/83 e um dos protagonistas, António Nogueira, relembra as mágoas de uma segunda mão aziaga diante da Real Sociedad

LONDRES — O refrão da canção de Pedro Abrunhosa pode servir de inspiração para o Sporting na montanha que terá de escalar no Emirates para ultrapassar o Arsenal e chegar às meias-finais da Champions. «Vamos fazer o que ainda não foi feito», diz a estrofe da música com o mesmo nome.

De facto, os leões, após a derrota por 0-1 em Alvalade, têm de ganhar por um golo para, pelo menos, levar o jogo para prolongamento. E o historial em Inglaterra não lhes é muito favorável, pois em 16 encontros em Terras de Sua Majestade apenas dois triunfos: em 1981/82 na Taça UEFA num 4-2 ao Southampton e um 3-2 na mesma prova em 2004/05 frente ao Middlesbrough, numa temporada em que os leões chegaram à final.

Diante dos gunners quer no estádio antigo de Highbury como no novo Emirates, uma derrota e dois empates: 0-3 em 1969/70 na Taça das Cidades com Feira, 0-0 em 2018/19 para a Taça UEFA e 1-1 em 2022/23 na mesma competição, mas esta com sabor a vitória, pois após Pedro Gonçalves ter empatado a eliminatória com o chapéu fantástico da linha do meio-campo, a qualificação decidiu-se nas grandes penalidades e o Sporting venceu por 5-3.

Pedro Gonçalves comemora efusivamente o fantástico golo em 2023 no Emirates que levou o jogo para prolongamento

A outra ocasião da história em que os verde e brancos estiveram nos quartos de final da então Taça dos Campeões Europeus foi em 1982/83, diante dos espanhóis da Real Sociedad, com vitória em Lisboa por 1-0 e derrota em San Sebastián por 0-2.

Um dos protagonistas desta eliminatória, António Nogueira, médio de fino recorte técnico hoje com 75 anos, recorda a A BOLA as incidências desse jogo. «O árbitro romeno, que era o último jogo que fazia, prejudicou-nos imenso. Permitiu que a Real Sociedad, que tinha futebolistas muito duros, fizessem faltas atrás de faltas e nada marcava. Para terem uma ideia, à beira do intervalo, marcou passos ao nosso guarda-redes, o grande Meszaros. Tinha-se de dar cinco passos com a bola e ele deu quatro. Ninguém assinalava esse detalhe, mas ele marcou. Daí resultou um livre indireto dentro da nossa área e eles marcaram. Na segunda parte, continuou na mesma toada», conta. «Eles tinham uma grande equipa, eram campeões espanhóis mas nós não nos ficávamos atrás. Porém, nesse jogo o grande Rui Jordão não foi porque a mãe tinha falecido», relembra.

António Nogueira jogou no Sporting de 1981 a 1983
Árbitro romeno esteve no centro da polémica em 1983

Há ainda um aspeto que não sai da mente do popular Pirezas, como era conhecido. «O tempo já estava mau, de chuva, e eles ainda regaram o campo. Parecia um batatal. Desta forma, eles ficaram com vantagem, porque a nossa equipa era muito técnica e não conseguiu aplicar o estilo de jogo que nos era característico», sublinha ainda hoje com alguma mágoa, passados já 43 anos desde esse 16 de março de 1983. «Fomos no dia do jogo, almoçámos em Biarritz, descansámos duas horas e fomos para a partida. Isso hoje é impensável. A culpa dessa derrota foi do árbitro, mas também do António Oliveira, pois ele era treinador-jogador, praticamente não treinava mas quis jogar quando existiam outros futebolistas em muito melhor condição física. Ficámos pelo caminho e foi uma pena», diz com alguma amargura — os vencedores da Taça dos Campeões Europeus foi o Hamburgo, que nas meias-finais eliminou os bascos.

Nogueira comemora um golo com Jordão e Manuel Fernandes

Mas nem tudo são memórias negativas para Nogueira no que se refere a essa eliminatória. «Em Lisboa ganhámos 1-0 com um golo do Manuel Fernandes após, modéstia à parte, uma grande jogada minha pela esquerda», afirma entre sorrisos a concluir.


«Sporting tem boas hipóteses de passar»

A missão que o Sporting tem pela frente é de monta, mas segundo Nogueira, a crença pode ser um fator determinante para alcançar um objetivo histórico. «Acredito que o Sporting pode passar às meias-finais, pois tal como a nossa equipa esta também luta sempre até ao fim e nunca desiste. Por isso, é possível. Aliás, viu-se no jogo de Lisboa, que foi muito equilibrado e decidido apenas e só na parte final, com aquele golo, o que foi uma pena», anota.

Nogueira, formado no Atlético, é leão de alma e faz parte da equipa campeã de 1981/82, liderada por Malcolm Alisson. «Grande homem e treinador mas saiu na pré-época de 1981/82. Era muito motivador e jogavam sempre os que estavam em melhor condição», refere.

Para o jogo de hoje, um desejo: «Que o Sporting passe às meias-finais. Já igualou o nosso feito, agora que o supere. Não gosto de colocar Deus nestas questões de futebol mas quero muito que isso aconteça», finaliza.