Romário, 60 anos, antigo craque brasileiro
Romário, 60 anos, antigo craque brasileiro

Romário sempre a faturar

'Hat trick' é o espaço de opinião do jornalista Paulo Cunha

Em agosto de 1988, o Vasco da Gama participou no Torneio Lusitânia, na Invicta, derrota, por 1-2, na final frente ao FC Porto. No centro do ataque da equipa do Rio de Janeiro estava Romário, então um jovem de 22 anos associado aos dragões que acabavam de contratar Rui Águas e ainda contavam com Fernando Gomes. Essa foi a primeira vez que ouvi falar dele e, agora, numa viagem pelo arquivo de A BOLA, recordei declarações do grande Quinito, à data a viver o começo de curto reinado ao serviço dos azuis e brancos.

«Não vamos contratar Romário, o FC Porto tem a casa arrumada e eu já tenho muito por onde escolher. Não quero mais dores de cabeça. No entanto, pelo seu valor, acho que Romário deve ficar pela Europa... No FC Porto é que não. Já falei com o presidente e disse-lhe que estou satisfeito com o plantel que tenho à disposição», assim se referiu Quinito ao hipotético interesse naquele que se tornaria uma dos mais fascinantes goleadores da história do futebol, logo nesse verão contratado pelo PSV Eindhoven (1988 a 1993), etapa inicial no velho continente antes de deslumbrar no Barcelona de sonho de Johan Cruyff (1993 a 1995).

Num futebol cada vez mais controlado, há figuras que resistem ao tempo não apenas pelo talento que ostentaram, mas também pela personalidade revelada sempre que tentaram domesticá-las. Romário é um desses casos raros — um jogador tão genial nos relvados quanto carismático fora deles.

A atualidade voltou a colocá-lo nas manchetes, não pela pontaria, somente pela vida pessoal. Aos 60 anos, o antigo internacional brasileiro, campeão mundial em 1994, foi notícia por um alegado triângulo amoroso com duas jovens universitárias — um episódio que rapidamente ganhou contornos mediáticos. Mais uma polémica que encaixa no perfil de quem vive sem filtros.

Dentro das quatro linhas era sublime. Corria o quanto bastava, não se enquadrava nos padrões modernos de intensidade, treinava quando as saídas noturnas permitiam e, na área, tinha um instinto único, pois decidia em segundos com uma frieza que desafiava a paciência dos adversários.

Algumas tiradas são tão memoráveis como os golos que assinou. «Pelé calado é um poeta», disse um dia sem receio da realeza. «Técnico bom é aquele que não atrapalha», aí está outra, tão icónica como esta: «Estou com 72 quilos, sim, e daí? O elefante é gordo, mas quando tem incêndio na floresta ninguém ganha dele na corrida.»

Não era só humor, era autoconfiança, exemplo saudável do politicamente incorreto. Romário dizia o que pensava, fazia o que queria e resolvia jogos. O baixinho era grande! E a avaliar pela imprensa cor de rosa desta semana continua a faturar…