Frederico Varandas, presidente do Sporting - Foto: Imago
Frederico Varandas, presidente do Sporting - Foto: Imago

Quem não se sente... E Varandas sentiu-se!

'O Mundo Sabe Que' é o espaço de opinião de Nuno Saraiva, consultor e sócio do Sporting

1Há momentos no futebol em que o silêncio seria mais elegante — mas não necessariamente mais justo nem corajoso. O recente episódio ocorrido após o jogo entre Sporting CP e FC Porto é um desses casos. E quem acompanha o futebol português com atenção sabe que há uma diferença entre rivalidade e deturpação dos factos.

André Villas-Boas decidiu apontar o dedo a Frederico Varandas com acusações que rapidamente ganharam eco no ruído mediático habitual. Disse o presidente dos dragões que «o presidente do Sporting já chamou ladrão ao presidente da Federação, ao João Capela, ao Nuno Almeida». Porém, quando as declarações foram escrutinadas de forma objetiva, verificou-se aquilo que muitos já suspeitavam: as imputações feitas a Frederico Varandas por André Villas-Boas são falsas. O próprio Polígrafo tratou de o confirmar. E perante isso, convém dizer o óbvio: quando se quer acusar alguém em público, convém ter razão, ser sério e decente. A aura de pretenso moralizador de uma instituição da dimensão do Futebol Clube do Porto com que «o André» (é desta forma cúmplice que o tratam os comentadores portistas nas televisões) se apresentou aos sócios do clube nas eleições que o elegeram, não lhe conferem qualquer superioridade moral sobre o seu antecessor.

Já Frederico Varandas fez aquilo que qualquer presidente responsável e qualquer adepto que ama o seu clube esperaria: defendeu o Sporting Clube de Portugal. Fê-lo sem rodeios, sem baixar a cabeça e sem aceitar que a honra do clube e da sua liderança fosse posta em causa com ligeireza. Há quem chame a isto confronto. Eu chamo-lhe coragem e dignidade.

É verdade que o futebol português precisa urgentemente de um clima de maior serenidade. Todos o repetem: dirigentes, comentadores, adeptos. Mas essa pacificação não pode assentar na aceitação passiva de acusações falsas ou na ideia de que quem é atacado deve ficar calado para não alimentar polémicas. A paz não se constrói sobre a mentira.

O povo diz que quem não se sente não é filho de boa gente. Varandas sentiu-se, e fê-lo porque percebeu que o que estava em causa era mais do que uma troca de palavras. Tratava-se do respeito institucional e da verdade dos factos.

Se queremos um futebol mais saudável, o primeiro passo é simples: responsabilidade no que se diz. Até lá, quando alguém ultrapassa essa linha, é natural que haja resposta. E, desta vez, houve e bem.

2 A exibição do Sporting frente ao Bodo/Glimt ficou muito aquém daquilo que um adepto leonino exige. No Sporting CP não basta entrar em campo, é preciso mostrar Esforço, Dedicação e Devoção — palavras que são a própria identidade do clube. Na Noruega faltou intensidade, faltou a fome competitiva que distingue as grandes equipas nos momentos difíceis. Ainda assim, uma má noite não apaga o que esta equipa já fez e provou ao ter sido, por exemplo, a sétima melhor da fase de liga da Champions. Eu continuo a acreditar nestes jogadores, neste grupo e no trabalho deste treinador. O caminho faz-se com exigência, mas também com confiança. E esta mantém-se, porque quem veste esta camisola sabe que tem de dar sempre mais.