Dorival Júnior. Foto: Corinthians
Dorival Júnior. Foto: Corinthians

Quem é o próximo? No Brasileirão cai um treinador a cada jornada

Dorival, do Corinthians, foi o último. Para o lugar, entrou Fernando Diniz, que tinha sido o primeiro demitido da prova, ao sair do Vasco da Gama. No caos, portugueses mais do que dobram presença

Após o nono jogo seguido sem vencer, o Corinthians decidiu demitir Dorival Júnior. O ex-treinador da seleção brasileira foi a décima vítima em dez jornadas do implacável chicote do Brasileirão, que começou à terceira jornada com a queda, no Vasco da Gama, de Fernando Diniz, outro ex-selecionador, que agora, por acaso, substitui Dorival na Neo Química Arena. Quem será o próximo a cair? Para já ninguém sabe a resposta sobre “quem será” mas toda a gente sabe “quando será”: em breve, certamente.

Para se ter uma noção do que representam estes números o melhor é compará-los: na Liga Portugal, houve nove despedimentos, menos um, e em 28 jornadas, mais 18 do que as disputadas na presente edição do torneio brasileiro; e na Premier League, que tem o mesmo número de participantes do Brasileirão, 20 clubes, também já houve dez demissões, números até altos para os padrões locais, mas em 31 rondas. Não há, portanto, dúvidas: independentemente dos motivos, despede-se demais no Brasil.

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«Quando analisamos isoladamente cada demissão quase sempre acharemos argumentos a favor da troca de comando», opina Carlos Eduardo Mansur, colunista do portal GE. «A questão é que, cada vez que tratamos uma demissão assim, perdemos o contexto, o cenário mais amplo, porque quando a queda de um técnico é a décima entre 20 clubes num espaço inferior a três meses de temporada e apenas 10 jornadas, tratar qualquer caso como isolado nos faz perder o mais importante: o personagem central não é o treinador».

Para o jornalista, como para a maioria dos observadores, o problema das demissões é cultural: dos dirigentes sem rumo, que as praticam, dos adeptos sem paciência, que as exigem, da imprensa sem autocontrole, que as estimulam, e do calendário insano de jogos e competições encavalitadas, que as fomentam. O mesmo Dorival que foi agora demitido havia ganho a Copa do Brasil, no final de 2025, ao Vasco de Diniz, e a Supercopa, já este ano, ao poderoso Flamengo de Filipe Diniz, que também caiu mesmo recheado de títulos.

Antes de Dorival, caíram o citado Diniz e Jorge Sampaoli (Atlético Mineiro), à terceira jornada, Juan Carlos Osorio (Remo), à quarta, a mesma que vitimou Filipe Luís e Hernán Crespo (São Paulo), Tite (Cruzeiro), à sexta, Juan Vojvoda (Santos), à sétima, Martín Anselmi (Botafogo), à oitava, e Gilmar Dal Pozzo (Chapecoense), à nona. Entre os que entraram destaque para três portugueses, Leonardo Jardim (Flamengo), Artur Jorge (Cruzeiro) e Franclim Carvalho (Botafogo) que se juntaram a Abel Ferreira, caso raro há seis anos no Palmeiras, e Luís Castro, no Grêmio desde dezembro.