Álex Rins (Yamaha) num momento de descontração no GP do Brasil que se realizou em Goiania. IMAGO
Álex Rins (Yamaha) num momento de descontração no GP do Brasil que se realizou em Goiania. IMAGO

Pedras atingem pilotos no GP do Brasil de MotoGP

Álex Rins e Álex Márquez consideraram que o circuito Ayrton Senna, que custou mais de 8,6 milhões de euros a recuperar, tem «condições inaceitáveis» para a realização de uma corrida de MotoGP

O asfalto em desagregação no circuito Ayrton Senna, em Goiânia, foi a razão para o encurtamento da corrida de MotoGP, bem como para o descontentamento de alguns pilotos do Mundial, que já tinham visto as qualificações serem adiadas por causa de um buraco que surgiu na pista no sábado.

Minutos antes do início da segunda ronda da temporada de MotoGP, foi anunciado que a distância da corrida seria reduzida de 31 para 23 voltas – devido à desagregação da camada superior do asfalto e à formação de pequenos buracos. Após a corrida, houve pilotos que se queixaram de terem sido atingidos por pequenas pedras lançadas pelas motos à sua frente.

Os pilotos espanhóis Álex Rins e Álex Márquez revelaram que foram atingidos por esses pedaços de asfalto e acrescentaram que se tratavam de «condições inaceitáveis» para a realização de uma corrida de MotoGP. O Campeonato do Mundo regressou ao Brasil pela primeira vez desde 2004, e a reconstrução do circuito Ayrton Senna, incluindo a repavimentação da pista, custou 10 milhões de dólares, cerca de 8,6 milhões de euros.

Os problemas com a pista começaram logo após a qualificação, quando um grande buraco se abriu na reta de partida/chegada, exigindo que o asfalto fosse cortado e a pista reparada. O campeão mundial Marc Márquez explicou, após a corrida sprint, que a sua realização só foi possível porque o buraco não estava na trajetória de corrida.

Além disso, a Michelin, fornecedora de pneus para o MotoGP, informou que a superfície da pista começou a «desfazer-se e desagregar-se» na Curva 11 imediatamente após as corridas de Moto2 e Moto3.

«O nível de aderência era muito baixo», comentou Rins após a corrida. «Acho que isso se deveu à corrida de Moto2, por causa dos seus pneus. Não vi pedaços de asfalto a faltar na camada superior da pista. Mas fui atingido por um pedaço de asfalto, acertou-me no dedo», relatou. «Podíamos sentir os pedaços de asfalto a voar nas curvas 11 e 12, perguntem ao meu dedo, um acertou-me. Isso aconteceu logo após o início, na primeira volta. Não me deixou mais lento, mas preocupou-me, pois uso este dedo para o travão», justificou.

Álex Márquez também foi categórico sobre as «condições inaceitáveis» da pista brasileira e também relatou os problemas dos pilotos nas 23 voltas de corrida.

«Foi realmente estranho, condições difíceis apesar do menor número de voltas», afirmou o piloto da Gresini. «Entre as curvas 10 e 11, todo o asfalto estava a desfazer-se, voavam pedras, tudo. Portanto, são condições inaceitáveis, mas corremos e foi um grande espetáculo», disse o irmão do campeão do Mundo, Marc Márquez.

«Nessas duas curvas, as motos à frente levantavam pedras no ar, que nos atingiam, era como uma corrida de motocross. Os pilotos explicavam constantemente como, ao longo do fim de semana, a pista ficava cada vez mais irregular, o que terá de ser corrigido para o próximo ano, e devido à chuva após cada sessão, abriam-se cada vez mais buracos. Também fui atingido por pedras, mas acho que o dedo do Rins está em pior estado do que o meu ombro», contou.