Tottenham tem apenas um ponto a mais que o West Ham, primeiro clube abaixo da linha de água na Premier League - FOTO: Imago
Tottenham tem apenas um ponto a mais que o West Ham, primeiro clube abaixo da linha de água na Premier League - FOTO: Imago

Os gigantes também caem: histórias que fazem tremer o Tottenham

O que parecia impossível é cada vez mais uma forte possibilidade. A equipa de João Palhinha pode cair da Premier League e há muitos exemplos de grandes clubes que passaram por isso

Cresce o medo no Norte de Londres. Há imagens aterradoras e aquela de centenas de adeptos a abandonarem o fantástico Tottenham Hotspur Stadium após o Crystal Palace é o símbolo de que há no futebol inglês um gigante prestes a cai. E para alimentar o medo ficam exemplos como os de Nottingham Forest, que fora campeão europeu e que desceu pela primeira vez em 1992/93, voltou a sentir essa tragédia em 1996/97 e finalmente em 1998/99.

Clubes gigantes que desceram de divisão

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Sem sair do Reino Unido, fica também o exemplo do Leeds, que depois de se sagrar campeão três vezes (1969, 1974 e 1992) foi ao fundo acabou por descer em 2004, consequência de longa e grave crise financeira. Caiu, caiu, caiu e em 2007 estava no terceiro escalão, a League One.

Não se pense, no entanto, que este é um exclusivo de Inglaterra e sem em Portugal temos como exemplos recentes o Vitória de Setúbal ou o Boavista. Dois emblemas que chegaram a ser enormes na Europa, que conquistaram troféus de relevo e no caso da formação do Porto até se sagrou campeã, em 2000/2001, com Jaime Pacheco como treinador e João Loureiro como presidente.

Mas não fiquemos por aqui. Vamos a França. Exemplo maior, o Reims, finalista da Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1956 e 1959, seis vezes campeão gaulês, duas vezes vencedor da Taça. A crise foi tão devastadora que em 1991 declarou falência e dessa forma foi relegado para divisões distritais. O regresso à elite foi lento, com alguns percalços.

Cenário idêntico foi vivido pelo VfB Leipzig, na Alemanha. Não confundir com o RB Leipzig, fundado em 2009 e que subiu todos os degraus do futebol germânico e só chegou à Bundesliga em 2016. Desde aí, nunca desceu e é hoje um crónico candidato aos primeiros lugares.

Já o VfB Leipzig, que viria a dar lugar ao Lokomotive Leipzig, ganhou três vezes o Campeonato da Alemanha, uma vez a Taça da Alemanha e quatro vezes a Taça da Alemanha Oriental, além de ter sido semi-finalista da Taça UEFA (1987) e vencedor da Taça Intertoto (1966). Mas foi arrastado para escalões secundários após a descida da Bundesliga, em 1993/94. Hoje anda pelos distritais porque não resistiu à mudanças da modernidade no futebol alemão e europeu.

Mas nenhum caso terá sido tão mediático como o da Juventus, até porque já estávamos em plena época de informação. Em 2006, na sequência do escândalo conhecido como Calciopoli, a Vecchia Signora foi despromovida à Serie B e perdeu dois títulos. Começou a época com penalização pontual, mas, mesmo assim, regressou logo no ano seguinte ao convívio com os grandes e rapidamente voltou a conquistar o mais cobiçados títulos.

Em todas estas histórias reside o aviso que o Tottenham deve olhar seriamente. Nos dias que correm, tradição não é garantia de sucesso e que erros grosseiros na gestão desportiva podem empurrar mesmo os maiores emblemas para as trevas. Em Londres, os adeptos acreditam cada vez menos na equipa. Os rivais acreditam cada vez mais na recuperação e entre eles estão o West Ham, de Nuno Espírito Santo, e o Nottingham Forest, de Vítor Pereira.