Dorgeles assinou o momento da noite aos 17 minutos, mas acabou por não ser suficiente para o SC Braga levantar o troféu. Foto: Paulo Novais/LUSA
Dorgeles assinou o momento da noite aos 17 minutos, mas acabou por não ser suficiente para o SC Braga levantar o troféu. Foto: Paulo Novais/LUSA

Obra de arte que Dorgeles começou a pintar ficou... a meio (as notas do SC Braga)

Bracarenses entraram com personalidade e intensidade na final, controlando largos períodos da primeira parte e criando situações para se adiantar no marcador. No entanto, a equipa perdeu fulgor após o intervalo, revelou dificuldades para manter o ritmo e acabou penalizada nos momentos decisivos.
A figura: Mario Dorgeles (6)
O marfinense não é pintor, mas aos 17' pintou uma autêntica obra de arte, assinando um golaço de livre direto, fruto de um remate de pé esquerdo irrepreensível, que deu vantagem aos minhotos e incendiou o jogo. Mas não foi só por isso que Dorgeles se destacou. Foi o principal foco de desequilíbrio dos arsenalistas sempre muito dinâmico, a aparecer entre linhas e a baralhar a organização defensiva do Vitória. Apesar de ser ala de origem, ocupou zonas interiores, dando fluidez ao ataque. Esteve perto de bisar ainda antes do intervalo, aos 45’, mas Strata negou-lhe o golo. Na segunda parte perdeu influência, acompanhando a quebra coletiva do SC Braga, mas na memória ficará aquele momento de magia ao minuto 17

Lukas Hornicek (5) – Respondeu (quase sempre) com segurança quando foi chamado, destacando-se logo aos 9’ com uma boa defesa a remate de Nélson Oliveira. Teve uma primeira parte tranquila, sendo mais solicitado no segundo tempo. No penálti sofrido, escolheu o lado errado. Viu ainda uma bola embater no ferro aos 70’ e brilhou com uma defesa impressionante a cabeceamento de Ndoye aos 81’, nada podendo fazer no lance seguinte, em que o avançado voltou a aparecer para marcar.

Gustaf Lagerbielke (5) – Teve uma primeira parte segura, mas acabou por ficar ligado ao golo decisivo, ao perder o duelo aéreo com Ndoye. Tentou redimir-se na reta final, com um cabeceamento perigoso aos 86’, que passou muito perto da barra, mas sem sucesso.

Vítor Carvalho (5) – Demonstrou serenidade e qualidade na construção, mesmo quando pressionado. Importante na saída de bola e no equilíbrio da linha recuada. Seria uma boa performance do central... não fosse o minuto 55, quando, num lance infeliz, tocou na bola com a mão dentro de área, originando a grande penalidade que, na altura, deu o empate ao Vitória.

Bright Arrey-Mbi (5) – Cumpriu com solidez no lado esquerdo, ajudando a fechar espaços e a equilibrar a linha defensiva. Sempre atento nas coberturas e nos duelos individuais, fez uma exibição consistente, sem erros relevantes.

Víctor Gómez (5) – Exibição consistente no plano defensivo, especialmente nos duelos com Saviolo. Cumpriu bem nas tarefas de contenção e mostrou disciplina tática. Foi mais comedido nas subidas no primeiro tempo, arriscando mais depois do golo sofrido. Sofreu a falta que originou o penálti a favor do SC Braga, num momento que podia ter marcado o encontro.

Florian Grillitsch (5) – Bem integrado no duplo pivô com Moutinho, destacou-se na pressão e na recuperação de bolas. Deu intensidade ao meio-campo, mas por vezes exagerou na agressividade. O cartão amarelo visto aos 35’ condicionou a sua atuação e acabou por ser um dos motivos que ditou a substituição aos 60’.

João Moutinho (6) – Um verdadeiro maestro talhado para os grandes palcos. Na quinta final da Taça da Liga, voltou a mostrar todas as suas qualidades, destacanso-se a classe, o critério no passe e o grande sentido posicional. Foi incansável na ajuda defensiva e ainda tentou a sua sorte com um remate perigoso aos 48’, travado pelo inspirado Charles.

Rodrigo Zalazar (5) – O mágico uruguaio tirou uma noite de folga. Longe do nível exibido em partidas anteriores, até se pode dizer que esteve algo irreconhecível. É verdade que teve alguns momentos de inspiração, mas esteve demasiado intermitente e pouco influente. A exibição cinzenta culminou com o penálti desperdiçado aos 90+10’, que teria mudado o desfecho da final.

Pau Víctor (5) – Esteve muito ativo, sobretudo, nos apoios e nas combinações, baixando frequentemente para ligar o jogo. Criou perigo aos 22’, não fosse o corte decisivo de Miguel Nóbrega. Na segunda parte, perdeu protagonismo e ficou mais isolado.

Ricardo Horta (5) – Entrou bem no jogo, criando perigo logo aos 12’ e dando dinâmica ao ataque bracarense. Foi importante na primeira parte, mas acusou a quebra coletiva após o intervalo. Ainda assim, após o primeiro golo do Vitória, tentou voltar a aparecer e chegou mesmo a ameaçar aos 76’, numa das últimas oportunidades dos arsenalistas.

Gorby (4) – Entrou aos 60’ para reforçar o meio-campo, mas coincidiu com a fase mais complicada da equipa. Teve dificuldades em pegar no jogo.

Fran Navarro (4) – Lançado aos 74’ para dar maior presença na área. Lutou e procurou espaços, tendo uma grande ocasião aos 90+4’, mas faltou-lhe eficácia no momento decisivo.

Diego Rodrigues (4) – Entrou aos 74’ para o lugar de Dorgeles. Tentou dar frescura e velocidade, mas teve pouca influência no desenrolar do encontro.

Gabri Martínez (-) – Utilizado já nos minutos finais, numa aposta clara no tudo por tudo. Ainda criou um lance de perigo aos 90+1’, mas o tempo e as circunstâncias já não permitiram ao SC Braga evitar a derrota.