O recado dos pitons, um dúvida no onze e a ambição de fazer história: tudo o que disse Rui Borges
- Olhando para o jogo de amanhã, há um Bodo/Glimt que tem surpreendido e apaixonado os amantes do futebol, pela forma como joga, por toda a história que está por trás, mas há também um Sporting que tem feito história. O que vai pesar mais nesta eliminatória?
- Para mim não é surpreendente, só para quem não acompanha muito, é só olhar para o Bodo nos últimos meses. É uma equipa que, apesar de tudo, na época passada, foi às meiias-finais da Liga Europa, foi eliminada por quem venceu. Este ano já bateu grandes equipas europeias, candidatas, se calhar, à vitória nesta grande competição. Por isso, naquilo que é as duas, ou diferenciar as duas equipas, são equipas com ambição enorme, um pouco diferentes naquilo que é a sua ideia, mas muito competitivas e muito ambiciosas. Acho que é muito por aí, são duas equipas muito ambiciosas, determinadas em querer marcar a história, em querer marcar o nome a nível do clube e a nível individual. Cada jogador também à procura desse sentimento de ficar na história do clube, por isso, nessa parte, são muito idênticas. Na outra parte do jogo são duas equipas, como disse, ambiciosas, acima de tudo, cada um com as suas armas, mas duas grandes equipas.
- Falando sobre as características diferentes do campo, que é sintético, sabendo que vai dizer que em nada servirá de desculpa para o que quer que seja, mas num passado recente o antigo treinador do Sporting, Ruben Amorim, criticou os jogadores por uma escolha errada de pitons no jogo PSV. Pode parecer algo banal, mas teve o cuidado de falar com eles sobre isso?
- Há algum tempo. Sim, claramente que sim. Felizmente hoje em dia eles têm acesso facilmente a qualquer tipo de botas e claro que têm de estar preparados como atletas para aquilo que é a exigência, para aquilo que é praticado e exigido para o jogo. Não servirá de desculpa, é certo, nem pode, jamais será. Agora é um pouco diferente de jogar na relva, como o Francisco [Trincão] disse, e bem, a bola salta mais se estiver seca, anda mais rápido se estiver molhada. Há jogadores que dentro daquilo que são as características individuais, naquilo que é rotações, prende mais, quem não está habituado tem mais dificuldade, mesmo na tração para ganhar a velocidade, é totalmente diferente para quem não está habituado e para quem está habituado nesse sentido. Agora não pode, jamais servirá de desculpa, até porque o Bodo tem sido uma grande equipa não só em casa como fora também, por isso, mais do que olhar para aquilo que é o campo, jamais poderemos olhar para isso, olhar-se para aquilo que é a força de um coletivo, de um Bodo bastante forte, bastante competitivo e bastante intenso.
- O Sporting nas últimas eliminatórias tem vacilado um bocadinho, sente que esta é uma oportunidade mesmo de ouro para fazer história, há mais de 40 anos que o clube não chega aos quartos de final, com respeito pelo Bodo/Glimt? Há pouco riu-se um bocadinho quando Trincão foi questionado sobre a física. Vai jogar?
- Ri-me porque não acreditava que o Francisco ia dizer, não, ou estou mais ou menos, senão não jogava amanhã, por isso é que estava a rir. Espero que a malta esteja bem. Não pode servir de desculpa, mas em Braga sentiu-se uma quebra física geral, mais num ou outro jogador. Quem está de fora pode não estar atento, mas eu estou. Não servirá de desculpa para aquilo que é a exigência. Se perguntarem a eles vão todos dizer que estão bem. Acreditamos que ao quarto dia eles estão bem para aquilo que é exigência do jogo. Acredito que com o desenrolar do jogo, até porque vamos defrontar uma equipa bastante intensa e que vai exigir muito de nós a nível físico, muito honestamente, agora claro, além daquilo que é o impacto também de jogar num sintético, que não é a mesma coisa de jogar num relvado natural, aquilo que é o impacto físico para cada um, um sentimento de forma diferente, mas tem toda essa particularidade do jogo, vamos ter de estar atentos, perceber também dentro do jogo quem é que se sente mais adaptado ou não, quem é que está bem. Amanhã falar também individualmente com a grande maioria dos jogadores, para perceber qual será o melhor onze e o mais forte para conseguir, desde uma fase inicial, combater um grande Bodo/Glimt. Em relação à história, penso que o Sporting já fez história. Agora é continuar a sonhar, com os pés bem assentes na terra, perceber das dificuldades que vamos apanhar amanhã. É a duas mãos, mas volto a dizer, é uma equipa que já venceu grandes equipas, não só em casa, mas fora também, nesta competição. Por isso, mostra bem aquilo que é a qualidade do Bodo. Acho que é um coletivo muito forte. É uma equipa que, no seu contexto, no seu campeonato, tem muita posse, 65% de posse de bola. Não foi campeão, mas foi o melhor ataque, a melhor defesa, a equipa que tem média, em 2025, em casa, em 24 jogos, média de três golos marcados por jogo. E também aquilo que é a sua fortaleza a jogar em sua casa. Na Champions é a equipa que tem mais golos em contra-ataque, o ataque rápido, é um bocado o contraste, dita bem a força do Bodo, tanto num processo ofensivo como num processo defensivo, contra grandes equipas. É para isso que temos de estar preparados e perceber a exigência que vamos ter para este jogo.
- Olhando para tudo o que já referiu, o cansaço de alguns jogadores, a questão do sintético, os que já tiveram problemas graves recentemente, ainda vai ter que falar com a almofada para o que serão as escolhas para o onze? Acha que este jogo é mais decisivo do que em Alvalade?
- Não, penso que os dois jogos vão ser decisivos, e foi o que acabei de dizer, o Bodo já fez grandes jogos em casa, mas já fez grandes jogos fora e já ganhou a um Atlético de Madrid, por exemplo, que é um tipo de jogo parecido naquilo que é intensidade e exigência individual e coletiva, e o Atlético em sua casa foi derrotado pelo Bodo, dita bem aquilo que é a qualidade da equipa, o jogo de amanhã não vai ser decisivo, nem o jogo em casa, é o conjunto das duas mãos, e aquele que foi mais forte passará aos quartos de final, a ambição será das duas equipas, com toda a certeza, de igual forma. Em relação à parte da almofada, vou falar com os adjuntos e mesmo os jogadores, é perceber aqui algumas coisas entre hoje e amanhã, para percebemos qual é o melhor onze para o jogo. Há jogadores que, por exemplo, o Nuno, o Dani [Daniel Bragança], vieram há pouco tempo de lesões de joelho, é perceber um bocadinho o impacto que vão ter, aquilo que é a adaptação ao campo, mas não só da malta que esteve lesionada, com lesões mais graves ou demoradas, toda a outra malta, cada um à sua maneira vai ter de se adaptar e a exigência de se adaptar ao relevado e ao campo será também determinante perceber hoje no treino.
- Quem vai ser o lateral-esquerdo, Nuno Santos tem hipótese de ser titular?
- Se está aqui, pode jogar, por isso... Vamos ver. Se não jogar o Nuno tenho de fazer uma adaptação, não há mais nenhum lateral-esquerdo. Há o [David] Moreira sim, o Moreira está na convocatória... Também pode passar pelo Moreira, às vezes... [risos].
- Qual é a chave, ou qual pode ser, para o do jogo de amanhã?
- Honestamente, penso que é um pouco o que tinha acabado de falar há pouco. Acho que é muito aquilo que é a nossa capacidade de estarmos preparados para aquilo que será a exigência física dos noventa minutos. Porque é uma equipa que mete muita intensidade, tanto no processo defensivo como no processo ofensivo. É uma equipa muito vertical, muito intensa naquilo que é a procura da baliza. Por isso ter dito que nesta competição é a a equipa que tem mais golos em contra-ataque e ataque rápido. É algo que temos de estar muito preparados, muito equilibrados. Como somos uma equipa que também gosta de ter bola, que gosta de estar no processo ofensivo, mesmo dentro desse momento do jogo temos de estar muito lúcidos e muito rigorosos naquilo que é equilíbrios, para não deixar também o Bodo entrar nesse processo, visto que é uma equipa forte nesse momento do jogo, na transição ofensiva, nesta competição.
- Se Nuno Santos for chamado, independentemente de ser um sintético, que oferece sempre maior risco, tendo em conta que é um jogador que vem de lesão prolongada, está preparado para jogar?
- O Nuno, é claro que vem de uma paragem muito longa, de uma lesão gravíssima. Já tive a oportunidade de falar disso. É claro que naquilo que é a parte física o Nuno não é o Nuno ainda e vai levar aqui algum tempo. A parte técnica está lá, é um jogador extraordinário, a parte tática também. Agora, naquilo que o podermos ajudar, naquilo que é o crescimento dele, é também dentro daquilo que é muito comunicação que gosto de ter com o atleta, perceber de que forma é que ele se sente, o que é que acha. Nós também, depois de fora, temos a nossa perceção. Porque senão o jogador vai dizer sempre que está bem. Mesmo que ande a passo, ele diz que está bem. Eles querem jogar todos. Agora, é claro que o Nuno está à procura, e vai levar algum tempo, porque a lesão dele não foi uma lesão normal e não podemos fugir disso, ele sabe. Agora que é um guerreiro, se há alguém que poderia ter superado isto, e poderá voltar a ser o mesmo Nuno é ele.
- Pode explicar o porquê da opção de ter sido adiado o jogo com o Tondela, da Liga?
- Temos esse direito. Temos essa oportunidade optámos por ela, porque vínhamos de três jogos seguidos e vamos ter o de amanhã também. Jogos de exigência grande, a nível físico, mental. É importante, dentro daquilo que é a exigência dos dois jogos também, da eliminatória da Champions. Se temos esse direito, é tirar proveito dele. Noutros momentos, se calhar tínhamos, mas não podíamos adiá-los. Se calhar tínhamos adiado um ou outro, mas não conseguimos. É o que é, são as leis, são as regras e temos de cumpri-las e aceitá-las. Gostámos de ter sempre semanas normais, a equipa respira mais, treina um pouquinho mais também. Nestes dias é só recuperar, recuperar, recuperar, treinar é muito pouco. É recuperar em vez de mais nada. É observar.