'Red devils' foram surpreendidos em casa pelo Leeds #DAZNPremier

O pior Man. United está de regresso e história volta a escrever-se 45 anos depois (crónica)

Leeds não vencia em Old Trafford para a Premier League desde 1981; grande primeira parte dos visitantes, 'red devils' jogaram melhor com 10, reagiram, mas não chegou

O Leeds venceu, nesta segunda-feira, o Manchester United por 2-1, em Old Trafford. Num campeonato competitivo e face ao histórico errático dos red devils isto até nem seria uma notícia assim tão relevante, mas neste caso assim é: 45 anos depois, os homens que se vestem de branco (e também conhecidos por pavões) foram ao Teatro dos Sonhos ganhar uma partida da Premier League. Para que conste, portanto: desde fevereiro de 1981 que tal não sucedia.

Para o Leeds, é um acontecimento. A rivalidade é ancestral e para muitos adeptos terá sido penoso andar tantos anos no segundo escalão. Agora que voltaram em nesta época, o fantasma da descida pairava e um mau resultado poderia deixar a equipa a abanar. Eram apenas três os pontos acima da linha de água, margem de segurança escassa para um clube que foi o último campeão da First Division (1992) antes da reconversão do campeonato para Premier League.

Quem desconhecesse a classificação julgaria que era o Leeds quem ocupava a terceira posição da tabela, em lugar de Champions. Porque os visitantes entraram autoritários, organizados, explorando todas a mais algumas fragilidades defensivas do Manchester United, que não competia há três semanas. A dupla de médios Casemiro-Ugarte (Kobbie Mainoo foi baixa de última hora) não dava fluidez ao jogo, Diallo só aparecia a espaços, Matheus Cunha não pegava no jogo e apenas Bruno Fernandes tentava queimar linhas, mas sem o acerto habitual. E Sesko andava demasiado só na frente e meio desconchavado.

Ao contrário do Leeds, que entrou com a lição muito bem estudada. Meio-campo pressionante na saída de bola do adversário, numa ação coletiva que começava em Calvert-Lewin, o primeiro defesa e o primeiro a ameaçar o golo, logo aos 3', permitindo a mancha de Lammens.

Mas nada podia fazer o belga dois minutos depois. A passividade do Man. United era evidente e contrastava com a atitude de faca nos dentes do adversário: aos 5', Okafor colocava a bola no fundo da baliza, para euforia dos adeptos que andaram 50 quilómetros para assistir a uma noite memorável.

O golo abanou a equipa de Michael Carrick, que quase nunca construiu jogadas com critério, à exceção de dois lançamentos nas costas da defesa do Leeds desperdiçados por Diallo e Sesko, respetivamente.

À medida que o tempo passava maior era o desnorte e adormecimento do United. O segundo golo do Leeds teve mérito de quem o procurou (novo remate de primeira de Okafor, este sofrendo desvio de Leny Yoro), mas igual demérito de quem defendia - todos, sem exceção.

Se pudesse, o técnico da equipa da casa pediria ao guarda-redes para fingir uma lesão, mas em Inglaterra a mentalidade é outra e o que se seguiu foram lances de perigo constante na área de Lammens, um deles a roçar os apanhados de tanto amadorismo, valendo o corte em cima da linha de Lisandro Martínez, de regresso aos relvados mais de dois meses após lesão.

Puxão no cabelo e vermelho

Mas se por momentos foi herói, depressa tornou-se vilão. Na disputa de um lance aéreo, Lisandro puxou o cabelo a Calvert-Lewin, lance que foi ao VAR e mereceu o vermelho ao argentino. O relógio assinalava 56 minutos e parecia deixar o Man. United ainda mais em baixo.

Só que o futebol tem uma surpresa a cada esquina. Ugarte, que a atacar nada fizera até então recuou para central, deixando Casemiro mais solto; Bruno Fernandes também recuou para começar a fazer lançamentos e na sequência de uma das muitas jogadas de insistência o médio brasileiro reduziu para 1-2, aos 60', cabeceando ao segundo poste após excelente cruzamento de Bruno Fernandes (6.ª assistência para o colega).

Jogava melhor (ou pelo menos tinha mais atitude) o Unjted, que teve mais oportunidades para empatar, a última delas por Casemiro, vendo Calvert-Lewin salvar, de cabeça, em cima da linha, ao minuto 85, a bola à qual o guarda-redes Darlow já não conseguia chegar.

No final, a festa dos jogadores dos Leeds representava a importância daquele feito. Fez-se história numa segunda-feira à noite.