Insónias e fantasmas após 9.º lugar de Catarina Costa e Bernardo Tralhão
Catarina Costa (-48) e Bernardo Tralhão (-60) foram os primeiros portugueses a entrar em ação nos Mundiais de judo que arrancaram neste domingo em Baku, no Azerbaijão, caindo ambos diante de colossos das respectivas categorias nos oitavos de final, o que valeu aos dois judocas de Coimbra o nono lugar.
A competir no oitavo mundial da carreira, a judoca de 30 anos, que soma quatro medalhas em Europeus, começou por ficar isenta, antes de vencer a belga Victoria Sibelle por waza-ari na segunda eliminatória.
Só que pelo sorteio já sabia que nos oitavos de final, teria pela frente o ‘fantasma’ de Shirine Boukli, vice-campeã mundial, pentacampeã europeia e bronze olímpica, francesa que Catarina Costa nunca vencera e com quem já perdeu três finais de Europeus.
O facto de a judoca da Académica de Coimbra vir de uma lesão que a obrigou a uma paragem longa este ano também não lhe permitiu estar no melhor nível desejado, tendo sido eliminada fruto de três castigos, ao fim de 2m41 de combate.
No final, a portuguesa lamentou não ter conseguido acertar com a pega, o que a impediu de fazer o seu judo. «Não estive bem, ela esteve bastante melhor. Tive muita dificuldade em fazer as pegas. Tenho pena, porque fisicamente sinto-me bem e acredito que conseguia dar mais», começou por dizer, citada pela agência Lusa.
Já sobre o facto de ter perdido novamente para Boukli, a número 28 do ranking mundial desvalorizou.
«Já tive combates mais equilibrados, já tive combates também menos equilibrados, em que levei ippons mais rápidos por erros que fiz. O que eu tenho consciência com esta atleta, que está a um patamar acima do meu, sem dúvida, é que eu tenho sempre a minha oportunidade», acrescentou.
«Não vou dormir bem…»
Se Catarina Costa disputou os oitavos mundiais da carreira, Bernardo Tralhão estreou-se aos 23 anos nestes palcos, terminando também no nono lugar, depois de perder frente ao georgiano Giorgi Sardalashvili, campeão mundial em 2024 e europeu em 2025, também devido a um terceiro castigo, a 13 segundos do fim, quando estavam ambos tapados por castigos e com um waza-ari cada.
Antes disso, o judoca da ACM Coimbra tinha vencido Moussa Yahaya, do Níger, e Ali Popalzai, do Afeganistão, ambos por ippon, o primeiro com uma imobilização e o segundo com uma chave de braço.
Frente ao oponente georgiano, porém, Tralhão não conseguiu levar o combate para o chão, onde se sente mais confortável, e acabou eliminado e com um sabor agridoce.
«Se por um lado tenho algum alento de ter o nono lugar, não vou dormir bem esta noite, porque sei que se calhar conseguia até fazer mais. Nos dois primeiros combates tive um sorteio acessível, o que me ajudou também a ganhar confiança, motivação, e também a combater um pouco a ansiedade», começou por dizer à Lusa.
«Infelizmente, no terceiro combate deparei-me com o ex-campeão do mundo, cometi erros. Também tenho de aceitar a decisão do árbitro, mas não concordo com a terceira falta», acrescentou.
Nesta segunda-feira prossegue a participação portuguesa em Baku, com Miguel Gago (-66 kg) a defrontar o britânico Michael Fryer (63.º).
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