O treinador do Sporting, Rui Borges
O treinador do Sporting, Rui Borges

O Alverca, a euforia europeia, o desgaste, o jogo adiado e a renovação, tudo o que disse Rui Borges

Treinador leonino fez este sábado a antevisão do jogo com o Alverca, da 27.ª jornada do campeonato

O Sporting joga este domingo no terreno do Alverca, jogo da jornada 27 do campeonato cinco dias depois da épica reviravolta (5-0 em Alvalade depois de 0-3 na Noruega) com o Bodo/Glimt, que colocou os verdes e brancos nos quartos de final da UEFA Champions League, fase da prova em que defrontam o Arsenal (7 de abril em casa, dia 15 em Londres).

A malta, como Rui Borges gosta de referir, tem agora de mudar agulhas de prova, recuperar do desgaste físico e emocional e ganhar motivação para aquela que é a principal prova no que a objetivos diz respeito, com a perseguição ao líder FC Porto, que joga em Braga, e com a pressão do Benfica às costas.

Mas este sábado na Academia Cristiano Ronaldo, na antevisão ao encontro de Alverca, o treinador abordou também a questão do jogo adiado com o Tondela e a renovação do seu contrato, numa semana em que se revelaram as primeiras conversas para o prolongamento do vínculo que só termina em 2027.

Eis tudo o que disse Rui Borges:

— Como sente a equipa para este jogo com o Alverca?

— Será difícil, por todo o desgaste que foi o jogo com o Bodo/Glimt. O Alverca também tem crescido em 2026… Vai ser um jogo difícil e é preciso perceber como estamos em termos físicos e na parte mental também, que conta muito. A equipa percebeu a importância do jogo, a intensidade, o peso psicológico e de paixão e entrega. O desgaste foi enorme e o mais importante agora é recuperar os jogadores e ligá-los ao máximo na exigência.  

— Sem Maxi (castigado) e Mangas (lesionado), é altura ideal para colocar Nuno Santos a titular?

— Sim, na esquerda temos o Nuno e o Mangas já está de volta. Portanto temos duas soluções que nos dão garantias. 

— Devido ao desgaste, pode haver mais alterações na equipa?

— Sim, é possível que haja mudanças. Vamos ver como sentimos a equipa amanhã. 

— O jogo com o Bodo/Glimt foi de grande exigência e desgaste, teme que possa vir  ater consequências no futuro?

— Isso faz parte da exigência e da grandeza do clube. Temos jogos de três em três ou de quatro em quatro dias e não há outro remédio. Claro que houve um desgaste emocional e físico fora do normal e não fugimos a isso mas temos de saber lidar, arranjar estratégias para lutar contra esse desgaste. Mas não é só agora, é algo que vem desde sempre... Vamos entrar num mês preenchidíssimo, estratosférico mesmo em termos de quantidade de jogos. Mas é a exigência que acarreta estarmos onde estamos e disputar aquilo que queremos. Temos de arranjar soluções e pronto!

— A euforia pode ser um desgaste adicional?

— Euforia é para fora. Para nós, aqui dentro, a euforia acabou passados 10 minutos. Pelo menos para mim acabou assim. Há pouco tempo para recuperar. Enquanto treinadores, percebemos a dificuldade que será o jogo com o Alverca. Para fora é natural que haja essa euforia, agora internamente os jogadores também quebraram logo. Houve a folga para respirarem, aproveitaram com a família. Não existiu mais euforia a partir do momento em que começámos a treinar. Vejo-os ligados mas é conseguir puxar a energia deles, não só com o treino mas também fora do treino. É colocar a energia num estado alto para conseguir dar resposta num jogo de grande grau de dificuldade.

— Antes do jogo com o Estoril disse que esse seria um dos jogos mais exigentes da época. Este com o Alverca está ao mesmo nível?

— Claramente. Por tudo o que foi o jogo com o Bodo/Glimt, por tudo o que foi descer à Terra... De repente ganhamos e esvazia o balão de oxigénio. É importante arranjar formas de ligar os jogadores, puxar a energia. Por mais que queiramos dar a mesma resposta é impossível, isso queria eu! Mas o tempo de repouso e de descanso não é o mesmo, a recuperação também não será a mesma. Mas teremos de puxar a energia para um patamar de exigência alto contra uma equipa que em 2026 ainda não perdeu em casa e tem crescido muito. Em termos de bloco médio/baixo é das melhores equipas a nível defensivo e vai exigir muito de nós. O jogo pode entrar em transições também... É perceber a resposta que vamos conseguir dar contra uma equipa que está a crescer e tem muitos bons valores. 

Luís Guilherme, Ioannidis, Suárez…

— O jogo da Champions deixou marcar no que respeita a lesões?

— Felizmente, não houve mais quedas. Não temos tido grande sorte… O Luis Guilherme foi sozinho no último momento do treino e há coisas que não conseguimos controlar. O desgaste físico e mental é a única coisa menos positiva que trazemos do jogo e temos de lutar contra isso. 

— Qual é a verdadeira extensão da lesão de Luís Guilherme?

— A paragem será de entre quatro a seis semanas. Tem a ver com o tornozelo, viram a proteção eu ele usa.

— Luís Suárez está no limite físico e foi convocado para aseleção da Colômbia. Como vai gerir isso?

Ioannidis não está e não acredito que esteja nas próximas semanas… O Luis Suárez é um caso particular. Acreditamos que os selecionadores terão bom senso, por causa do desgaste dos jogadores nos clubes, e que vão conseguir gerir. Espero que isso aconteça com o Luis, que tem sido um jogador bastante sacrificado no sentido de dar tudo à equipa, nota-se que tem sido estrondoso, mas não é uma máquina, vai ter quebras, já teve, mas acredito que os selecionadores vão ter isso em conta e vão gerir. 

— E qual o impacto das idas de Pote e de Trincão à Seleção, ainda para mais antes de um mês de abril que vai ser especialmente difícil?

— O Pote, o Trincão, o Inácio, o Rui [Silva], o Luis [Suárez]... Não podemos fugir a isso. Querem jogar nas seleções e estão à porta do Mundial… Eu fico feliz por vê-los a concretizar mais um objetivo e um sonho nas suas carreiras. E não é por aí que vamos deixar de dar resposta. Há lesões, ganhar forma física é difícil em jogos sobre jogos, as semanas são quase só a recuperar e não a treinar... E a malta que precisa de tempo é difícil. Por exemplo: o Zeno [Debast] tem vindo aqui em semanas em que só recupera. Dá para 30 minutos. Se o colocar de início não vai ter aquela resposta, talvez apenas durante 20 minutos, depois a capacidade física não vai acompanhar. É pagar se calhar a fatura do que tem sido a época toda, bastante exigente a nível de jogos, que são intensos, de grau de dificuldade elevado. Mas eles querem disputá-los e é arranjar estratégias para chegarmos na melhor forma e continuarmos a dar grande resposta. 

Diomande já terminou o Ramadão. Como vai fazer a gestão dos centrais?

— Se calhar é a posição mais difícil de gerir. Tenho quatro centrais fabulosos, diferentes e que merecem jogar todos e por isso dão dores de cabeça. O Eduardo Quaresma tem respondido bem e tem tido minutos, talvez seja eu o treinador com quem tem tido mais minutos. O Diomande teve esta quebra no Ramadão, até pela estrutura física e atlética dele é normal que a energia não tenha estado lá… O Inácio tem feito uma época fantástica. É a posição mais difícil de escolher e qualquer um poderá ser titular.

Jogo adiado com o Tondela

— Muito se tem falado do jogo adiado com o Tondela. Sentem que podem ser prejudicados? Há arrependimento??

— Nenhum arrependimento. É um direito regulamentar, optámos por isso e ainda bem que o fizemos, caso contrário não teríamos conseguido dar a resposta física e mental que demos no jogo com o Bodo/Glimt. Estávamos mais frescos e demos uma resposta absolutamente fantástica durante 120 minutos. Zero arrependimento! Agora, vamos ter de meter esse jogo em algum sítio. O resto é tudo ruído à volta. Às vezes dizemos que os outros campeonatos é que são bons, mas acontece exatamente o mesmo.

— Mas tem havido críticas dos rivais, que o Sporting pode ter sido beneficiado. Como responde?

— É ruído, faz parte mas era um direito que tínhamos. Estamos sempre a dizer que o campeonato inglês é o melhor, mas vejam a quantidade de jogos adiados na última jornada. Às vezes criticamos o nosso e enaltecemos os outros, mas estamos ao mesmo nível. 

A renovação

— Esta semana também se falou muito da renovação do seu contrato. O que nos pode dizer e preferia que não se tivesse falado tanto disso?

— As notícias fazem parte, é o vosso trabalho. Em relação à renovação estou supertranquilo, sei bem o que é a nossa interação com a estrutura, a confiança é mútua. Tenho contrato com o Sporting

— Mas houve reunião?

— Não houve reunião nenhuma. O que tiver de acontecer acontecerá a seu tempo.