Neemias Queta vai cumprir a sexta temporada na NBA, quarta com a camisola dos Celtics
Neemias Queta vai cumprir a sexta temporada na NBA, quarta com a camisola dos Celtics

«Neemy deixou de ser um bónus, temos de contar com ele»

Brian Scalabrine, antigo campeão dos Celtics e analista televisivo em Boston desde 2014, costuma estar entre os que elogiam o poste português, mas agora quer mais para que a equipa vá longe no 'play-off'

BOSTON — «Se dependesse de mim, erigia uma estátua ao Neemias Queta neste momento. Nunca vi alguém evoluir tanto numa época. Ele estava com dificuldades no dribble handoff [passe de mão em mão após drible] e agora faz isso com tanta fluidez. O passe de mão em mão dele... Ele flutua no ar, passa a bola para o colega, bum! Sai de baixo do defensor... É muito bom a posicionar-se. Jamais na minha vida vi pessoas evoluírem da forma como eles evoluíram, especialmente os postes: o Luke Kornet e o Neemias Queta. Estou impressionado». Estes foram os elogios de Brian Scalabrine a Neemias Queta em abril, no final da última época regular e antes de começar o play-off.

Poste dos Celtics (2,06 m) durante cinco temporadas — campeão em 2007/08 —, das onze que disputou na NBA, Scalabrine, de 48 anos, nunca foi uma estrela dentro de campo, tendo alinhado no cinco inicial em apenas 38 partidas das 277 que dispuwtou por Boston (incluindo play-offs).

No entanto, pela sua agressividade, esforço e empenho sempre que era chamado, era dos mais adorados pelos adeptos e tinha uma forma especial de se relacionar com as bancadas do TD Garden.

Depois de ter jogado nos Bulls, após começar a carreira nos Nets, que o escolheram na 35.ª posição do draft de 2001 (Neemias foi 39.º no de 2021), passou pelos italianos do Benetton Treviso e trabalhou como treinador-adjunto nos Warriors em 2013/14.

Em 2014, estava de regresso a Boston, agora como analista televisivo para os jogos dos Celtics no canal NBC Sports Boston e na NBC Sports quando as transmissões são de âmbito nacional.

Antes de cada partida, corre entre pré-gravações no court para a televisão e o corredor do TD Garden, local onde fala para a rádio SiriusXM NBA Radio, na qual tem o programa The Starting Lineup.

Brian Scalabrine

Tendo atribuído por várias ocasiões a distinção The Tommy Award pelo esforço e eficiência do português em múltiplas tarefas — com a conquista de ressaltos, desarmes e bloqueios para libertar colegas no ataque —, A BOLA conversou com Scalabrine antes do jogo de pré-temporada contra os 76’ers sobre o que espera de Neemias para 2026/27.

«Provavelmente será um jogador de duplos-duplos [dois dígitos em dois dados estatísticos diferentes, como 10 pontos e 10 ressaltos] e temos esperança de que jogue melhor nos play-offs, para que possamos ir longe, porque necessitamos dele. Deixou de ser um bónus, temos de contar com ele», começou por referir.

Perguntámos ainda em que aspetos espera que o internacional luso evolua e se prevê que passe a lançar de três pontos. O ex-jogador sorriu enquanto se inclinava um pouco para trás: «Naahhh! Que leia o jogo no passe à mão a partir do drible, as rotações, a maneira como é capaz de sair dos bloqueios, a habilidade que tem para ir fundo a defender, a proteção do aro… No ano passado nunca vi um jogador melhorar numa época como ele fez. Se conseguir refinar essas coisas, será de grande valor», disse.

E pensa que terá de lutar pelo lugar com Mitchell Robinson? «Não, vai ter tempo de jogo. Penso que irá jogar entre 22 e 26 minutos por noite. Ele é superfiável, o Neemy é de confiança. Podemos contar com ele. O Mitchell Robinson tem o problema dos lances livres, há muitas coisas diferentes, mas gosto da combinação dos dois», salientou.

E o que espera dos Celtics para esta temporada? «Sei que seremos uma boa equipa na época regular. Isso sei que é um facto, mas aquilo que irão conseguir nos play-offs, isso não sei, vou ter de descobrir. Mas sei que vamos ganhar muitos jogos, talvez até tenhamos o melhor registo na Conferência Este. A equipa joga duro e é bastante profunda, o que cria hábitos que dão crédito para os play-offs», concluiu Brian Scalabrine, que depois da conversa disse pelo menos umas três vezes que no próximo ano quer visitar Portugal.

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