Perto de completar 42 anos, LeBron James mudou de clube e volta ao Este para tentar ser campeão na 24.ª temporada
Perto de completar 42 anos, LeBron James mudou de clube e volta ao Este para tentar ser campeão na 24.ª temporada

NBA: o rei LeBron à procura do quinto anel na era da imprevisibilidade

Começa hoje o 81.º campeonato da NBA com o Madison Square Garden a ter bilhetes a preços proibitivos para a festa do campeões Knicks, que têm a missão de tentar interromper um emocionante e expectante ciclo de oito anos nunca visto na história da liga

NOVA IORQUE — Está preparado para esgotantes 1.230 jogos nos próximos seis meses de época regular e mais dois de intensos play-offs? Se não está, então terá de se adaptar pelo caminho porque, depois de ontem os plantéis das 30 equipas terem ficado fechados — com o máximo de 15 jogadores e três two-way (que podem atuar na G-League) —, esta terça-feira arranca a 81.ª temporada da NBA.

Com novas regras dentro e fora do campo, um Rei à procura da quinta coroa aos 41 anos e novos candidatos a quererem intrometer-se no caminho dos campeões Knicks e dos finalistas Spurs.

Terá de adaptar-se porque a Liga não pára e continua a reinventar a sua própria dimensão, sempre com o objetivo do espetáculo sem paralelo e do lucro de milhares de milhões de dólares que produz e a sustenta. Quando, na próxima madrugada em Portugal, for atirada a bola ao ar em Detroit, Nova Iorque e San Antonio, dar-se-á início a uma caminhada imparável até junho com a disputa da NBA Cup no Natal depois da formação de Nova Iorque ter sido a primeira a conseguir reunir os dois troféus e na mesma época.

Isto numa competição moldada pela paridade, pela cada vez mais notória renovação das superestrelas — ainda que muitas atenções se virem para o que fará a mais velha delas — e por um dado histórico sem precedentes: nas últimas oito temporadas, a liga coroou oito campeões diferentes. O império das dinastias deu lugar a uma era de imprevisibilidade, onde a margem de erro no topo é milimétrica e a coroa troca de mãos época após época.

A abrir o campeonato, as atenções viram-se para o Madison Square Garden, onde os Knicks vão defender o título que quebrou um longo jejum de 53 anos sem levantar o troféu Larry O'Brien.

Jogos de hoje, terça-feira

Detroit Pistons-Boston Celtics

New York Knicks-Philadelphia 76’ers

San Antonio Spurs-Oklahoma City Thunder

Os bilhetes estão a preços mais do que proibitivos na revenda: entre os 1700 dólares (1500 euros) lá no alto e os 25.800 dólares (23 mil euros) junto ao court para se assistir de perto à habitual cerimónia de entrega dos anéis de campeão e ao hastear do estandarte do título no mais antigo e mítico pavilhão da Liga.

A NBA estava em pulgas para saber onde iria jogar King James e não perdeu a oportunidade de colocar os Sixers como adversário especial para a noite de festa, de forma a elevar a carga mediática e as audiências. Isto numa tripla abertura que conta ainda com o duelo entre os Pistons e os Celtics de Neemias Queta, além do embate entre Spurs e Thunder.

Longevidade de LeBron James

Se o início do campeonato promete emoções fortes, o grande foco mediático do defeso aponta para um homem que, tal como Cristiano Ronaldo, continua a reescrever as leis da longevidade desportiva. Prestes a celebrar o 42.º aniversário (a 30 de dezembro), LeBron prepara-se para disputar a sua 24.ª temporada — ampliando um recorde absoluto que já lhe pertencia.

Mas, mais do que a longevidade, o dado avassalador é o contexto: trocou os Lakers pelos 76'ers, abraçando o quarto clube da carreira. Campeão e MVP das Finais por todas as franchises anteriores por onde passou (Heat por duas vezes, Cavaliers e Lakers), rumou a Filadélfia — ainda que esteja a viver em Nova Iorque — com uma missão obsessiva: alcançar o quinto anel de campeão (menos um do que Michael Jordan) ao lado de Joel Embiid, Tyrese Maxey e do reforço Jaylen Brown.

A mudança dos Lakers para os Sixers foi a grande bomba do defeso, mas esteve longe de ser a única num mercado de transferências que viveu dias frenéticos e que mudou as peças do xadrez. Por exemplo, Jaylen Brown deixou Boston ao fim de uma década para se juntar aos 76'ers, enquanto os Celtics responderam ao receber em troca o experiente extremo Paul George vindo dos Sixers. Um negócio que deixou muitos adeptos em Boston furiosos, até porque reforçou um rival direto.

Em Nova Iorque, os campeões Knicks mantiveram a espinha dorsal, mas trouxeram profundidade interna; enquanto, do lado dos Lakers, a reconstrução pós-LeBron começou a desenhar-se em torno de escolhas de draft e juventude.

Jogos de amanhã. quarta-feira

Orlando Magic-Ãtlanta Hawks

Washington Wizards-Milwaukee Bucks

Miami Heat-Minnesota Timberwolves

Brooklyn Nets-Charlotte Hornets

Toronto Raptors-Chicago Bulls

New Orleans Pelicans-Indiana Pacers

Memphis Grizzlies-Utah Jazz

Houston Rockets-Dallas Mavericks

Los Angeles Lakers-Golden State Warriors

Portland Trail Blazers-Phoenix Suns

Los Angeles Clippers-Sacramento Kings

Candidatos alinham-se

Com oito campeões diferentes nos últimos oito anos, antecipar quem levantará o troféu é um exercício de alto risco, mas as forças dominantes estão identificadas. No Este, os Knicks voltam a partir na linha da frente; no entanto, a concorrência é feroz. Os renovados 76'ers assumem-se como outro candidato. Provavelmente sem a mesma força de candidaturas anteriores, os Celtics de Jayson Tatum, Paul George e Neemias Queta continuam a querer ter uma palavra a dizer, a que se juntam os Heat, reforçados por Giannis Antetokounmpo, ou os Raptors, que voltaram a contar com Kawhi Leonard.

No Oeste, a juventude irreverente e o talento voltam a ditar leis. Os Thunder, liderados pelo MVP Shai Gilgeous-Alexander, chegam consolidados e maturados para procurar regressar aos Finals. Terão a oposição dos Nuggets de Nikola Jokic e dos Timberwolves de Anthony Edwards e LaMelo Ball. Mas a atenção estará sobretudo virada para os Spurs, onde Victor Wembanyama deseja tirar o sabor amargo da derrota na final contra os Knicks.

Guerra declarada ao 'tanking'

A nova época traz também profundas alterações estruturais e disciplinares. A liga implementou um conjunto de medidas históricas destinadas a erradicar de vez o tanking — a prática de perder jogos deliberadamente na fase regular para obter melhores probabilidades no draft.

A partir desta temporada, andar a acumular derrotas no fundo da tabela deixa de compensar. O novo sistema nivelou e penalizou drasticamente as probabilidades das equipas mais perdedoras: os últimos colocados deixaram de ter garantias de escolhas no topo e as equipas eliminadas no play-in passam agora a ter acesso a bolas na Lotaria do Draft.

Adicionalmente, nenhuma equipa poderá ter a primeira escolha do draft em dois anos consecutivos, e a direção da liga passa a ter luz verde para aplicar sanções disciplinares, multas milionárias e perda direta de posições no draft a equipas que apresentem atitudes antidesportivas. Perder de propósito deixou oficialmente de ser uma estratégia viável na NBA.

Isto significa também que, se no fundo da tabela classificativa não haverá tantas formações a acumular derrotas, no topo também será mais difícil ir além das 50 vitórias. Na época anterior, nove terminaram acima dos 50 triunfos na regular season.

Outras curiosidades prometem marcar a edição de 2026/27. A liga estabeleceu novas e rigorosas restrições aos mercados de apostas desportivas dentro e fora dos pavilhões para proteger a integridade do jogo, enquanto a arbitragem promete uma aplicação ainda mais rígida e consistente das faltas de contacto físico no perímetro e no dribble handoff.

Está tudo a postos. Será que em junho alguém abrirá uma nova nona porta diferente?

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