Magia e desperdício, eis a receita do empate no melhor dérbi do Mundo
O primeiro dérbi da temporada na Liga foi mais uma demonstração da dimensão de duas das melhores equipas do Mundo. Sporting e Benfica empataram 3-3 e protagonizaram uma história intensa, alucinante e (muitas) reviravoltas. Os leões, embalados pelo triunfo na Supertaça (3-2) e pela perfeição na Liga, começaram com maior intensidade discernimento ofensivo,
Quatro minutos bastaram para levar o vulcão de Alvalade à loucura. Merlim, segundos depois de ter testado a atenção de Léo Gugiel, assistiu, na marcação de um canto, Diogo Santos para o primeiro da partida.
O remate colocado espoletou a loucura verde e branca... e a reação encarnada. Arthur serviu Silveste Ferreira que, com muita astúcia, empatou as contas, menos de um minuto depois do golo de Diogo Santos.
As águias de Cassiano Klein, mais pressionadas pelo deslize em Portimão (2-2) na jornada anterior, capitalizaram o golo marcado e colecionaram hipóteses de selar a reviravolta. Bernardo Paçó, ainda assim, foi muro intransponível nos quatro minutos que se seguiram ao remate certeiro de Silvestre.
O Sporting recuperou o ímpeto e ficou à porta do golo. E de que maneira. Rocha, de baliza escancarada, atirou a bola por cima aos 11'. Bruno Pinto teve direito a uma ocasião com o esférico parado, sem oposição, mas na marcação de um penálti acertou com estrondo na trave. Silvestre, que tinha sido essencial na reação encarnada, quase deitou a perder quando desviou um remate de Merlim com o braço.
A trave foi conselheira das águias, que terminaram a primeira parte com menor fulgor. O Sporting acumulou situações de perigo na cara de Gugiel após recuperar a bola em zona subida, mas a falta de eficácia era mal que não largava os verdes e brancos.
O segundo tempo foi a confirmação de um hino ao futsal. Cléber abriu mais um festival de ocasiões falhadas, de parte a parte. Se do lado encarnado, o internacional brasileiro permitiu duas defesas a Paçó e Tchuda acertou no poste (23'), o que dizer da falta de eficácia leonina.
O principal culpado, ainda assim, merece destaque. Léo Gugiel foi pássaro amarelo que de todas as maneiras e feitios defendeu a baliza encarnada como se do bem mais precioso do mundo se tratasse.
A resistência abriu a porta à felicidade na outra baliza. Bernardo Paçó já colecionava avanços no terreno com relativo perigo quando perdeu a bola no último terço encarnado e espoletou a corrida desenfreada de Arthur e Kutchy em direção à felicidade. O internacional luso carimbou a reviravolta aos 26'.
O cerco verde e branco intensificou-se e, após sucessivas tentativas, a resistência cedeu... com uma traição. Carlos Monteio desviou de forma fortuita um pontapé de canto marcado por Bruno Maior 28'.
O ketchup leonino abriu e, dois minutos depois, eis o golo da tarde. Wesley ganhou espaço no corredor direito, encheu o pé e mostrou como se fura a resistência de Gugiel. Mais uma reviravolta num enredo denso, sem espaço para distrações e com muita abertura para heróis improváveis.
André Correia entregou a candidatura quando entrou na quadra para render Gugiel e, minutos depois, efetuou uma dupla defesa milagrosa, a remates de Tomás Paçó e Bruno Maior (33'). A camisola amarela tinha peso em pleno João Rocha.
Quem desperdiça tantas ocasiões do início ao fim do jogo, arrisca-se a sofrer. Foi esta a moral da narrativa verde e branca que podia ter goleada no título, mas teve de se contentar com o equilíbrio.
Kutchy bailou pela esquerda e serviu de bandeja o golo do empate a Clébe, a 33'. A expulsão de Rúben Teixeira, aos 36' tirou ainda mais força ao líder, que até resistiu e voltou à carreira de tiro, mas Merlim atirou ao lado, a 20 segundos da buzina final.
O melhor dérbi terminou empatado e os leões perderam pontos pela primeira vez na Liga. Os comandados de Nuno Dias mantêm-se na liderança com 10 pontos, mais cinco do que o Benfica, que tem menos um jogo.