Mourinho abraça Pavlidis depois do jogo entre Benfica e FC Porto no Dragão — Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Mourinho abraça Pavlidis depois do jogo entre Benfica e FC Porto no Dragão — Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Luís Mendes: «A degradação desportiva é muito grande»

Economista e vice-presidente no último mandato teme que Benfica vá negociar direitos audiovisuais «de mão estendida»
Luís Mendes identifica falta de exigência, ambição e cultura de vitória no Benfica — Foto: Paulo Santos

— O que lhe diz a derrota do Benfica com o FC Porto sobre o momento da equipa e sobre a época?
— O momento atual exige responsabilidade. Vê-se quebra de competitividade desportiva, instabilidade do projeto desportivo, política de mercado pouco equilibrada, focada na valorização financeira e menos na construção de uma equipa vencedora, há um défice de liderança interna, faltam exigência, ambição e cultura de vitória, que distinguiam o Benfica. A nível económico, vejo dependência excessiva em relação às vendas, estrutura de custos rígida, continua a verificar-se exposição excessiva às receitas da UEFA e essa situação leva-nos apenas à sobrevivência. Pergunto: por que razão o Benfica não está a conseguir contratar neste mercado? Isso indicia que não tem a capacidade financeira de outrora, provavelmente descontou os grandes contratos e agora vai a correr fechar a venda de dois anos de direitos audiovisuais com a NOS, mais uma vez, de mão estendida. Se tínhamos a expectativa interna de receber na ordem de €70 milhões época, agora vai a correr fechar o contrato com a NOS. Tudo abaixo de €70 milhões será um fracasso. Quando há urgência, parte-se em desvantagem para as negociações. Vejo o momento atual muito complicado

Desportivamente, a degradação é muito grande. A época anterior não foi boa, mas ganhámos a Taça da Liga, fomos à final da Taça de Portugal e disputámos o campeonato até ao fim. E ganhámos duas vezes 4-1 ao FC Porto. Este ano nem um golo lhe marcámos.

— Como justifica essa situação?
— O que se está a passar é reflexo da quebra da competitividade desportiva, da instabilidade do projeto e das mudanças constantes. Já toda a gente mudou — diretor desportivo, do futebol até das operações. Isso, naturalmente, tem reflexos nos resultados. Depois, a política de mercado também não foi boa. Há um défice de liderança interna, faltam de exigência e ambição.

— Gostaria de acrescentar alguma coisa que considere importante?
— Agora que o Benfica está fora da Taça de Portugal, ter perdido a Taça da Liga e com menos 10 pontos que o FC Porto no campeonato precisa, fundamentalmente, de olhar para o futuro. Para o campeonato também — o segundo lugar, perfeitamente ao alcance, é muito importante por causa das receitas da Champions. Mas há que acreditar no título. O treinador do FC Porto, na última época, perdeu 15 pontos na última fase do campeonato. Recuperar 10 pontos é difícil, mas é preciso continuar a acreditar, não se pode baixar os braços.