Denis Coulson arrisca 14 anos de prisão. IMAGO
Denis Coulson arrisca 14 anos de prisão. IMAGO

Jogadores de rugby acusados de violação em grupo arriscam penas pesadas

O ministério público francês pediu 14 anos de prisão para os três jogadores. A vítima revelou conhecido os atletas no bar e ter acordado na manhã seguinte, nua numa cama, com uma muleta na vagina, rodeada por dois homens nus e outros vestidos

O Ministério Público pediu, esta sexta-feira, penas de 14 anos de prisão em recurso para três antigos jogadores de râguebi do Grenoble, acusados da violação em grupo de uma jovem em Bordéus, em março de 2017. Os factos ocorreram após um jogo do Top 14, durante uma noite de excessos com álcool.

No julgamento em primeira instância, no final de 2024, o irlandês Denis Coulson e o francês Loick Jammes foram condenados a 14 anos de prisão, enquanto o neozelandês Rory Grice recebeu uma pena de 12 anos. A defesa dos arguidos alega que a vítima, que tinha 20 anos na altura, estava consentido.

No entanto, no tribunal de recurso de Charente, que decorreu à porta fechada a pedido da vítima, o procurador-geral solicitou penas idênticas para Coulson e Jammes, ambos com 31 anos, e um agravamento da pena para Grice, de 36 anos. O crime de «violação em grupo» é punível com até 20 anos de prisão.

Segundo um dos advogados da vítima, Grégoire Mouly, o procurador-geral considerou que Rory Grice «prolongou o calvário da vítima e esteve totalmente incluído no projeto criminoso». Em reação, o advogado de Grice, Denis Fayolle, declarou-se «estupefacto com tais pedidos».

O caso remonta a 12 de março de 2017. Após uma derrota do Grenoble contra o Union Bordeaux-Bègles, a equipa pernoitou num hotel em Mérignac. Na manhã seguinte, a estudante foi vista a sair do hotel em lágrimas e apresentou queixa. Relatou ter conhecido os jogadores num bar, seguido para uma discoteca onde todos consumiram grandes quantidades de álcool e afirmou não se lembrar do que aconteceu a seguir.

A vítima acrescentou ter acordado na manhã seguinte, nua numa cama, com uma muleta na vagina, rodeada por dois homens nus e outros vestidos. Ao longo de todo o processo, os arguidos mantiveram que a relação foi consensual, baseando-se num vídeo gravado por um deles.

Me Grégoire Mouly, advogado da queixosa, sublinhou que a sua cliente não tem qualquer «desejo punitivo», afirmando que «ela precisa de ouvir que a sua versão está em conformidade com a realidade, e a pena importa pouco».

Recorde-se que outros dois colegas de equipa, o irlandês Chris Farrell e o neozelandês Dylan Hayes, que assistiram à cena sem intervir, não recorreram das suas sentenças. Farrell foi condenado a quatro anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa, e Hayes a dois anos com pena suspensa. O veredicto final do recurso é aguardado para o final da noite.