Jack Doohan é, atualmente, piloto de reserva da Haas       Fotografia Imago
Jack Doohan é, atualmente, piloto de reserva da Haas Fotografia Imago

Jack Doohan com revelação chocante: «Disseram que me cortavam todos os membros do corpo»

Piloto australiano, filho da antiga grande estrela de MotoGP Mick Doohan, conta que foi ameaçado de morte caso competisse pela Alpine no Grande Prémio de Miami de 2025 e que ainda hoje está a recuperar psicologicamente desses momentos que passou

Jack Doohan revelou ter sido alvo de ameaças de morte e de uma campanha de intimidação durante a sua curta e conturbada passagem pela Alpine na passada temporada, uma situação que o obrigou a ser acompanhado por seguranças armados no Grande Prémio de Miami.

As chocantes revelações surgem na oitava temporada da série documental da Netflix, Drive to Survive, com lançamento a 27 de fevereiro. O piloto australiano, filho do cinco vezes campeão mundial de MotoGP Mick Dohan, detalhou a campanha de ameaças violentas que sofreu antes da corrida na Flórida, que viria a ser o seu sétimo e último Grande Prémio pela Alpine antes de ser substituído por Franco Colapinto.

«Recebi ameaças de morte sérias para este Grande Prémio [Miami], a dizer que me iam matar aqui se eu não saísse do carro», afirmou Doohan na série. O piloto de 23 anos descreveu o conteúdo perturbador das mensagens, que foram muito além do típico abuso online.

«Recebi seis ou sete e-mails a dizer que, se eu ainda estivesse no carro em Miami, todos os meus membros seriam cortados».

A gravidade da situação escalou a tal ponto que Doohan necessitou de uma escolta policial e de proteção armada durante o fim de semana da corrida em Miami, onde se encontrava com a namorada e o treinador. «Na quarta-feira, estava lá com a minha namorada e o meu treinador, e tinha três homens armados à minha volta. Tive de chamar a minha escolta policial para controlar a situação», recordou.

A passagem de Doohan pela equipa de Enstone foi marcada pela instabilidade. Depois de ter substituído Esteban Ocon no Grande Prémio de Abu Dhabi de 2024, a sua posição já era precária no início do novo ano. A contratação de Colapinto durante o inverno aumentou a pressão sobre o australiano, numa altura em que Flavio Briatore mostrava pouco entusiasmo pela sua presença ao volante.

O desempenho em pista também não ajudou. Doohan. de 23 anos, não conseguiu somar um único ponto nas seis primeiras corridas, tendo sofrido um acidente no seu Grande Prémio caseiro, na Austrália, em condições traiçoeiras, e outro incidente em Suzuka, ao tentar fazer a primeira curva a fundo com o DRS ativado. Em oito sessões de qualificação, superou o colega de equipa, Gasly, apenas duas vezes, ficando frequentemente a mais de seis décimos do seu ritmo.

A Alpine acabou por o substituir por Colapinto antes do Grande Prémio da Emilia-Romagna, relegando Doohan para o papel de piloto de reserva. Em janeiro deste ano, a equipa e o piloto acordaram mutuamente a rescisão do contrato.

O impacto psicológico de toda a situação foi evidente nas palavras do piloto sobre a sua experiência na Alpine. «Não consegui desfrutar de ser um piloto de Fórmula 1, algo com que sonhei durante tanto tempo. Por isso, sim, é uma grande porcaria», desabafou.

Desde então, Jack Doohan juntou-se à Haas como piloto de reserva para 2026, onde dará apoio a Oliver Bearman e Esteban Ocon, numa tentativa de reconstruir a carreira após a difícil passagem pela Alpine.