Já todos (Dorg)eles sabem e sonham: Istambul é já ali (crónica)
Não há lesão de Ricardo Horta nem penálti desperdiçado por Rodrigo Zalazar que ouse colocar em causa o grande sonho do SC Braga.
Isto já para não falar de Sikou Niakaté, Bright Arrey-Mbi, Adrian Barisic, Florian Grillitsch, Diego Rodrigues e Gabri Martínez, todos entregues ao departamento médico. E sem esquecer Gabriel Moscardo, esta noite a cumprir suspensão.
O preâmbulo não é feito por mero acaso: Carlos Vicens teve de fazer (muitas) contas de cabeça. Antes e durante este desafio da primeira mão das meias-finais da UEFA Europa League. Mas guerreiro que é guerreiro... vai à luta. Está sempre pronto para todas as batalhas.
Noite de gala na Pedreira: 27.161 espectadores (cerca de 1.500 alemães) deram um anfiteatro fantástico ao Municipal de Braga. E nem as principais figuras de Estado faltaram à chamada: António José Seguro (Presidente da República), Luís Montenegro (primeiro ministro), José Manuel Fernandes e Margarida Balseiro Lopes (ambos ministros do atual Governo) e Pedro Dias (secretário de Estado) assistiram ao vivo à partida. Bem como, e não menos importante, Marcelo Rebelo de Sousa, antigo Presidente da República e assumido (e fervoroso) adepto do emblema bracarense. Tudo dito quanto ao momento histórico para o SC Braga.
Dentro das quatro linhas, duelo intenso e com momentos de domínio repartido. Mas a entrada dos minhotos foi de quem queria... dançar. Pau Víctor deu o mote, logo aos 5 minutos, e, pouco depois, marcador aberto: cruzamento de Rodrigo Zalazar, da esquerda, assistência de Víctor Gómez, ao segundo poste, e desvio primoroso de Demir Tiknaz para a primeira pintura a vermelho e branco.
A vantagem dava (ainda mais) conforto anímico aos bracarenses, mas a resposta alemã foi firme. Johan Manzambi foi o autor da primeira ameaça, Vincenzo Grifo consumou-a: desentendimento entre Lagerbielke e Paulo Oliveira (quiseram ambos ganhar o duelo aéreo e acabaram por chocar um com o outro, deixando a bola escapar), Jan-Niklas Beste fugiu pela direita e assistiu o italiano, que empatou.
Os arsenalistas voltaram a carregar e Mario Dorgeles (33') e João Moutinho (34') deram corpo à reação. Que Zalazar poderia ter firmado, na compensação da primeira parte: penálti de Philipp Lienhart sobre Lagerbielke (abençoado VAR...), mas o internacional uruguaio não conseguiu levar a melhor sobre Atubolu — que grande defesa!
A intensidade manteve-se na etapa complementar, quase sempre na intermediária. Foi,necessário esperar até ao último suspiro para que a Pedreira voltasse a explodir: passe sublime de João Moutinho, cruzamento de Víctor Gómez, remate de Vítor Carvalho para defesa incompleta de Atubolu e recarga de Mario Dorgeles a selar o triunfo.
A Pedra Filosofal, de António Gedeão, diz que «eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida». O SC Braga, de Carlos Vicens, diz que já todos (Dorg)eles sabem e sonham: Istambul é já ali. Carimbem lá esse passaporte na Alemanha, guerreiros! Rumo à final!
Artigos Relacionados: