«Fui lá agradecer mas rejeitei o FC Porto porque era capitão do Sporting»
O antigo capitão do Sporting, Oceano, abriu o livro no videocast 90+3, conduzido por Ricardo Quinteiro, Afonso Couto e José Miguel Saraiva, e deixou histórias de balneário, convites improváveis e noites que marcaram uma era. No jeito que os 3 mágicos já habituaram os expectadores da A BOLA, foi mais um episódio muito direto ao assunto, divertido, com frases fortes e recheado de confissões.
«Soube que era um deles no dia que apalpei o rabo do Vítor Damas e ele se riu»
Oceano entrou no episódio com o humor de quem já viu quase tudo na vida e entre gargalhadas, solta a primeira pérola de balneário: «No Sporting, soube que era um deles no dia que apalpei o rabo do Vítor Damas e ele se riu». Uma imagem crua da cumplicidade vivida num grupo liderado por referências como Damas, Jordão e Manuel Fernandes, que souberam acolher muito bem um jovem cheio de garra, que tinha acabado de chegar do Nacional da Madeira.
Da Madeira a Alvalade, de calções arregaçados e garra até ao fim. O percurso é conhecido: Almada, Odivelas, Nacional, Sporting por duas vezes, Real Sociedad e Toulouse e 54 internacionalizações “A” ao serviço da Seleção Nacional, bem como a participação no mítico Euro ´96.
«Depois do 7-1 ao Benfica fomos ao Bingo»
Há jogos que ficam escritos a tinta permanente e indelével no imaginário de qualquer apreciador de futebol e o 7-1 ao Benfica é, sem dúvida, um desses jogos. Oceano não poupa nas palavras: «A seguir ao 7-1 contra o SLB fomos festejar para o Bingo». É a fotografia de um futebol com outro código: celebração popular, espontânea, muito antes dos telemóveis tomarem conta dos balneários.
Pinto da Costa, um convite, um «não» honrado e um elogio para a vida
É um dos momentos altos do episódio. Oceano revela o convite para rumar ao FC Porto e a conversa que se seguiu: «Fui às Antas de propósito agradecer, mas rejeitei porque era capitão do Sporting». A resposta do líder portista ficou: «Já gostava de ti como atleta, agora adoro-te como homem». Mais tarde, confessa, quando Pinto da Costa passava por Lisboa, havia sempre um jantar… e o pedido para levar a cantora Marina Mota à mesa.
O peso de Pinto da Costa nas encruzilhadas de carreira tem feito escola em mais do que um episódio do 90+3 — que o diga Hélder Postiga, quando contou que «teve um pé no Benfica» antes de um telefonema do presidente o levar de volta ao Dragão.
Maradona 'seco' e a camisola trocada
Há feitos que dispensam legendas. Oceano recorda o jogo em que secou Maradona e a troca de camisola que se seguiu. Um capítulo que casa com o seu currículo europeu: UEFA com o Sporting, protagonismo na Real Sociedad e golos com selo grande — incluindo o último oficial no velho Atocha e um chapéu ao Real Madrid.
«Cruyff queria-me, só não fui para o Barça porque a Real Sociedad não deixou»
Outra revelação que mexe com a nostalgia: o interesse de Johan Cruyff em levá-lo para Barcelona. Oceano admite que chegou a sonhar jogadas com Romário, Koeman e Guardiola, mas a Real Sociedad travou a mudança. Um cenário que já tinha sido referido publicamente e que aqui ganha cor de bastidores.
O auge de verde e branco… e a escadaria que subiu sozinho
«Levantar a Taça pelo Sporting foi o meu auge, mas não queria ter subido a escadaria sozinho». É o capitão a falar, num retrato fiel do que foi a década de 90 para os leões: muita alma, títulos a custo, e uma liderança que marcava passo. A carreira de Oceano condensa esse espírito — de pulmão inesgotável, voz alta e compromisso sem rodapés.
«Beto? Mandei-o para casa e foi meu empregado um mês»
O episódio também abre espaço ao anedotário leonino: a noite em que entra num bar, vê Beto Severo e o manda para casa. Resultado? Um mês «a trabalhar» para o capitão. O futebol de então, nas pequenas histórias que dizem tanto quanto as grandes vitórias.
Porsche de calções e chinelos, Toulouse na bagagem
Há sonhos que se medem ao milímetro. «Realizei o sonho de ir comprar um Porsche de calções e chinelos», confessa, já com a passagem pelo Toulouse no horizonte e aquela sensação de missão cumprida que se cola aos veteranos que se fizeram a pulso. Trajeto que qualquer ficha estatística confirma: carreira longa, golos importantes, paragem final em França antes de pendurar as botas.
«Caso Paula? Quando cheguei já tinha dado muita m…»
Oceano não foge a temas quentes. Sobre o polémico “Caso Paula”, disparou curto e grosso: «Quando cheguei, já tinha dado muita m…» — e segue em frente. Há memórias que o tempo não apaga, há outras que o tempo prefere varrer.
Veja o episódio completo nesta terça-feira à noite em A BOLA e A BOLA TV.