Declarações de Francisco Neto no Portugal Football Summit acerca dos próximos compromissos da Seleção. Equipa das quinas defronta a Irlanda do Norte no 'play-off' para o Mundial 2027
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Francisco Neto: «Há 12 anos, ninguém acreditava que Portugal estaria no Mundial»

Treinador da Seleção Feminina fez antevisão dos jogos com Irlanda do Norte e abordou desafios de estar 12 anos no cargo

Francisco Neto, treinador da Seleção Feminina, partilhou palco com a homóloga de Espanha, Montse Tomé, e Tatjana Haenni, CEO do RB Leipzig, num painel onde se discutiu a liderança, pessoas e performance no futebol feminino no Portugal Summit Football.

«Não é fácil estar 12 anos no mesmo projeto, por vezes com as mesmas jogadoras. Temos de entender que algumas coisas precisam de mudar. Ou mudas o treinador, e eu não quero ser despedido [risos], ou mudas as jogadoras, e eu não as quero mudar, porque gosto delas, e não temos muitas jogadoras. Mudei a forma como comuniquei com as jogadoras ao longo destes 12 anos, também mudámos a forma como jogamos e o desenvolvimento das jogadoras permitiu essa transformação. Não tínhamos pressão, agora temos, quer dizer que evoluímos. Estamos orgulhosos da pressão, estamos a crescer no nosso jogo. A pressão extra também vem do nível da seleção masculina, as pessoas não perceber por que razão não estamos ao mesmo nível, o que traz mais pressão, mas gostamos dessa pressão. Há 12 anos, ninguém acreditava que Portugal estaria no Mundial. Agora não há impossíveis», realçou.

Francisco Neto, Montse Tomé, Tatjana Haenni e Begoña Pérez - Foto: FPF

A espanhola Montse Tomé, que se tornou na primeira mulher a ocupar o cargo de selecionadora da atual seleção campeã do Mundo, também partilhou a sua experiência: «Numa seleção nacional  chegamos a passar dez, vinte ou até quarenta dias juntas. Temos de criar uma boa energia, um ambiente competitivo, uma cultura profissional. Os membros da equipa técnica têm de perceber os seus papéis, e colocar as jogadoras no centro de tudo. Quando o staff tem os seus objetivos alinhados, damos às jogadoras o melhor ambiente possível.»

Depois de ouvir a intervenção dos selecionadores, Tatjana Haenni, CEO do RB Leipzig, gracejou: «Ainda bem que não estou envolvida no lado mais desportivo, é um trabalho duro, com pressão por resultados [risos]. Estar fora do campo é mais fácil, mas é importante equilibrar as emoções, temos de ter uma visão de futuro, temos de dar à equipa técnica e às jogadoras todas as condições de que precisam. Temos de ser a pessoa mais calma e temos uma grande responsabilidade ao trabalhar nesta indústria, temos de liderar, temos de ser exemplos para as pessoas.»

Irlanda do Norte ao raio-x

Portugal enfrenta a Irlanda do Norte no próximo mês, tendo em vista o apuramento para o Mundial 2027, no Brasil, Francisco Neto realçou o trabalho de que tem vindo a realizar: «O primeiro jogo é fora, depois em casa, de muita importância, porque sabemos que estamos numa fase a iluminar. Estamos numa fase que temos de ser melhores porque senão nunca vamos conseguir concretizar os nossos objetivos, não há espaço para errar. Tem de ser essa a mentalidade que temos de levar para estes jogos. Já fui à Irlanda visitar o estádio, vamos jogar num sintético, com medidas mais reduzidas, temos de nos preparar bem.»

Sobre alguma novidade na convocatória, o selecionador não se quis alongar: «Estamos felizes pelo regresso da Andreia Norton, após lesão, sabendo que ainda não pode jogar os 90 minutos.»

Total apoio a gravidezes

Outro tema que Francisco Neto abordou foi a gravidez das jogadoras, garantindo que a FPF está a trabalhar para providenciar tudo o que for preciso para o bem estar e segurança das atletas.

«Já tivemos três casos, que não foram tão visíveis, a Patrícia Gouveia, a Suzane Pires e a Nádia Gomes. Todas elas em situações diferentes e com decisões pessoais diferentes em relação ao futuro das suas carreiras. A grande mensagem é que temos de encarar isto com naturalidade. Primeiro com muita felicidade, porque as jogadoras querem e tomam essa decisão nas suas famílias e nós, enquanto instituição, teremos de ser capazes de dar resposta e poder suportar. Estamos a preparar um conjunto de normas que, a seu tempo, serão apresentadas às jogadoras», anunciou.

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