França escolhe selecionador estrangeiro pela primeira vez em 78 anos e franceses não se conformam
A Federação Francesa de Andebol nomeou esta semana Talant Dujshebaev como novo selecionador, respondendo dessa forma ao que considera terem sido os fracassos do 7.º lugar no Europeu deste ano e o 3.º no Mundial de 2025, no qual bateu Portugal na luta pela medalha de bronze.
Guillaume Gille, antigo internacional gaulês, deixou o comando da equipa que assumira em 2020 e que teve como pontos altos o título olímpico em Tóquio 2020 [disputado em 2021] e o Europeu conquistado em 2024.
Ora, o nome de Dujshebaev é inquestionável em termos de currículo, fruto das quatro Champions, três Mundiais de clubes, nove títulos nacionais na Polónia e quatro em Espanha, conquistas como treinador de quem é considerado também um dos melhores jogadores da história do andebol.
Mas em França, onde o selecionador de andebol não era um estrangeiro desde 1958, a opção não foi muito bem aceite pelos treinadores franceses. Não pela escolha do homem nascido há 57 anos no território do Quirguistão, na antiga URSS, garantem, mas pela forma como Dujshebaev foi escolhido.
A liderar as críticas está Thierry Anti, antigo treinador do Sporting, que preside à associação de treinadores profissionais de França, entidade que lançou um comunicado a lamentar a forma como decorreu um processo que «representa uma rutura com a tradição do andebol francês» e foi conduzido «com ausência de diálogo e de transparência lamentáveis».
«Não é a escolha da pessoa, mas o processo que questionamos. Não houve um concurso, mas que tivesse havido, pelo menos, uma consulta», lê-se no comunicado citado pelo L’Equipe.
«Ao contrário das práticas habituais em grandes empresas do desporto, esta decisão de recrutamento parece ter sido tomada sem concurso e sem qualquer concertação», continua a mesma nota.
Além disso, a associação presidida por Anti ainda questiona o facto de terem sido ouvidos no processo alguns jogadores internacionais que trabalham ou trabalharam com Dujshebaev.
«Caso se confirme, a consulta aos jogadores internacionais não é, a nosso ver, uma modalidade de recrutamento suficiente para um cargo de tão alto quadro desportivo», refere ainda o mesmo comunicado.
Outro dado questionado é o facto de Dujshebaev ir acumular o cargo de selecionador com o de treinador dos polacos do Kielce, que lidera 2014.
Certo é que a oficialização já foi feita e a estreia no banco francês será contra a Espanha, que o mais velho do clã Dujshebaev representou enquanto jogador e na qual brilham os filhos dele, Álex e Daniel, que Talant orienta no Kielce.