Fernando Alonso antes do início do GP da Austrália, com os seus colegas de profissão
Fernando Alonso antes do início do GP da Austrália, com os seus colegas de profissão - Foto: IMAGO

Fernando Alonso sem espinhas aos 44 anos: «Há 24 épocas que me sinto superior»

Piloto espanhol de 44 anos subiu ao 10.º lugar no arranque do GP de Austrália, o primeiro da época, mas problemas inevitáveis no carro obrigaram-no a parar, como esperado

Apesar de um Grande Prémio da Austrália para esquecer, que terminou com o abandono dos dois carros da Aston Martin, Fernando Alonso protagonizou um momento de brilhantismo no arranque, a sua imagem de marca ao longo da carreira. O piloto espanhol saltou do 15.º para o 10.º lugar, uma proeza que fez questão de realçar no final da corrida.

«A primeira volta é mais instinto do que motor [risos]. Há 24 anos que me sinto superior e no 25.º continuo a sentir-me superior a eles», afirmou Alonso, em declarações às televisões, sublinhando a sua mestria nos arranques. «Não foi uma partida difícil para o carro, a diferença está na carga dos turbos», acrescentou.

O momento de magia, contudo, foi sol de pouca dura. A realidade do projeto da Aston Martin e da Honda impôs-se rapidamente, e em pouco mais de uma volta e meia, Bearman e Bortoleto ultrapassaram o piloto asturiano. Pedro de la Rosa, embaixador da equipa, explicou a inevitabilidade da situação: «Não se pode lutar com carros 30 quilómetros por hora mais rápidos. Eles não ficam sem energia e essa é a diferença...»

O Grande Prémio da Austrália, que Alonso tinha apontado como um objetivo durante 2025, acabou por ser um reflexo das dificuldades atuais da equipa. O AMR26 cedeu e, na volta 15, o espanhol foi forçado a abandonar. «Tentei ajudar a equipa dando o máximo de voltas possível. Na volta 15, surgiu um dado anómalo que nos fez parar, fizemos algumas alterações para o solucionar... e depois tivemos outro problema que nos obrigou a parar por precaução», confessou.

Apesar do duplo abandono, com Lance Stroll também a não terminar, Alonso encara o resultado sem dramatismo. «Era o esperado, sabíamos que era quase impossível terminar. Demos bastantes voltas entre o Lance e eu, e procuraremos dar mais um passo na China», afirmou, resignado.

O piloto destacou ainda a importância da corrida para recolher dados valiosos. «Serve sempre, porque foi a primeira volta de formação que fizemos, a partida, o desenvolvimento inicial... isso não conseguimos no Bahrein. Aqui sim, e algumas coisas funcionaram e outras não. Também os pit-stops que falharam, temos de melhorar», analisou.

Com o foco já na próxima prova, na China, Alonso mostra-se cauteloso quanto a melhorias imediatas. «Não há tempo para melhorar nem solução, pelo que teremos extrema cautela. Oxalá chegue alguma melhoria e peças sobresselentes no Japão, pois haverá mais baterias para forçar mais o carro», projetou, concluindo que, enquanto a unidade de potência não garantir fiabilidade, a equipa tem de se focar em evoluir noutras áreas.