Os vilões de Inglaterra estão à porta da Premier League, com o seu estádio mítico
O futebol inglês prepara-se para o reencontro com um dos seus cenários mais viscerais. O Millwall, o eterno outsider (e vilão) do sudeste de Londres, está na reta final de uma campanha de afirmação no Championship, trazendo consigo a mística inconfundível do The Den e de uma massa associativa que vive o clube (e as rivalidades) como poucas. Durante os anos 80, as ruas em redor do estádio foram palco de verdadeiras batalhas campais, por vezes até combinadas com grupos rivais.
Sob a orientação de Alex Neil, os Lions ocupam atualmente os lugares cimeiros da tabela nesta temporada de 2025/26. A equipa tem sabido canalizar a energia que desce das bancadas de Bermondsey, transformando o seu estádio numa autêntica coutada privada onde os adversários raramente encontram espaço para respirar. O The Den não é apenas um recinto desportivo; é um bastião de betão onde a proximidade dos adeptos ao relvado cria uma pressão sufocante. Com cerca de 20 mil lugares, o estádio preserva uma identidade operária e hostil que se tornou a imagem de marca do clube. Para quem visita o sudeste de Londres, o cântico «No one likes us, we don't care» funciona como um aviso: ali, o futebol joga-se com o coração e sem pedidos de desculpa.
Na última jornada, a mística do estádio voltou a ser decisiva. No empate dramático frente ao Leicester City, foi o apoio incessante dos adeptos que empurrou Macaulay Langstaff para o golo da igualdade aos 90 minutos. Este espírito de sobrevivência e combate reflete a simbiose perfeita entre os jogadores e uma claque que se orgulha de ser a mais temida e fiel de Inglaterra.
Com o capitão Jake Cooper a liderar a defesa e o talento de Ivanovic na frente, o Millwall encara o jogo decisivo de sábado, frente ao Oxford United, como uma final. Se a subida se confirmar, a Premier League terá de se preparar para o regresso de um ambiente que não se via na elite há décadas. O The Den está pronto para rugir de novo no grande palco, provando que, no futebol moderno, ainda há lugar para o peso da história e a força bruta das bancadas. E, se não surgir agora, ainda haverá todo um play-off como segunda oportunidade.