Federação Angolana de Futebol volta a surpreender pela negativa
Era muita e natural a curiosidade quanto à tomada de posição da Federação Angolana de Futebol sobre a não realização do 1.º de Agosto-Petro de Luanda, no passado domingo, uma vez que o 1.º de Agosto não compareceu no Estádio 11 de Novembro, palco escolhido pela Federação. Ora a curiosidade... pariu um rato, já que a Federação, em comunicado, limitou-se a registar uma alínea com a seguinte descrição: «Jogo não realizado». Uma expressão escolhida que se presta a todo o tipo de interpretação.
Mas vamos ao início de tudo:
No fim do mês de Fevereiro, a FAF emitiu o comunicado oficial n.°54, onde, para além da homologação da primeira volta, lançou também a segunda volta. Foi aí que começou o burburinho. Diz o clube das Forças Armadas Angolanas que tentou junto da FAF, desde o dia 3 de Março, que o jogo com o Petro de Luanda fosse disputado no seu estádio, o França Ndalu, já que, pelo calendário, é o clube visitado. Pedido rejeitado pela FAF, que alegou razões de segurança.
Recorde-se que, de acordo com o que disse o diretor de alta competição da FAF, Sousa Francisco, o Estádio França Ndalu foi aprovado no início da época com restrições, como de resto aconteceu nas épocas anteriores, mas com uma diferença. Se antes eram considerados jogos de alto risco as partidas frente a Petro de Luanda, Kabuscorp e Sagrada Esperança...Para esta época, apenas o Clássico dos Clássicos não podia ser jogado no quartel militar.
Não satisfeita com as recorrentes negas, alegando falta de esclarecimentos convincentes, a direção liderada por Gouveia de Sá Miranda quis sentar-se à mesa com Alves Simões, presidente do órgão reitor do futebol angolano, na presença do seu vice Mário Calado e do Secretário Geral Cardoso Lima, onde na quinta-feira passada voltaram a ouvir um não.
Entretanto, o 1.º de Agosto optou pela via judicial, interpondo uma Providência Cautelar no Tribunal da Comarca de Luanda. Com o objetivo de anular a ordem da FAF de realização do jogo entre D'agosto e Petro no Estádio 11 de Novembro. A verdade é que isto nunca aconteceu. De acordo com um documento posto a circular nas redes sociais, o Tribunal só recebeu e protocolou o comprovativo de pagamento dos emolumentos (taxa de justiça), no dia 24 de Março, dois dias depois do jogo. Assim, a Providência Cautelar não produziu qualquer efeito.
No dia e à hora do jogo, só o Petro de Luanda e a equipa de arbitragem compareceram no estádio 11 de Novembro. Depois de cumprido o protocolo regulamentado para partidas de futebol, equipa de arbitragem e Petro de Luanda entoaram o hino da República de Angola, aguardaram e foi dada por encerrada a partida. Isto porque o 1.° de Agosto, contrariando a decisão da FAF, apresentou-se com a constituição da equipa no estádio França Ndalu... Uma posição de força e uma desautorização por parte do 1.º de Agosto em relação à Federação.
O que isto significa? Que, em condições normais, o 1.° de Agosto averba uma derrota de 3-0 e é multado por falta de comparência, enquanto os três pontos são atribuídos ao Petro. Era o que se esperava que viesse a acontecer, mas não aconteceu...ainda. O próprio presidente do 1.º de Agosto, Gouveia Sá de Miranda, referiu que aa FAF decretaria falta de comparência e que iria recorrer dessa decisão. Mas, para já, qual decisão?
A FAF não foi perentória no seu comunicado 56, usou um termo dúbio e volta a dar argumentos aos que têm acusado o elenco presidido por Alves Simões de impreparação para as funções. Da demissão de Pedro Gonçalves como selecionador, no timing e na substância; passando pela escolha que se revelou desastrosa em Patrice Beaumelle; o fracasso na CAN; as declarações polémicas sobre os jogadores da diáspora na Seleção; a demora na contratação de um novo selecionador e que levou a que não se usasse uma data FIFA para começar a implementar as suas ideias; e a recente guerra com um dos dois principais clubes angolanos; casos que têm alimentado uma oposição que de forma cada vez mais audível pede mudanças drásticas no comando.