FC Porto passou ‘teste do algodão’

Depois do empate com o Famalicão no Dragão, perder pontos na Amoreira significaria, para o FC Porto, abrir de par em par as portas a todas e quaisquer dúvidas quanto ao estofo da equipa e a … Farioli.

É de ciência certa que, quando se aproxima o final da temporada e as decisões apertam, o conceito de ‘jogo fácil’ pura e simplesmente desaparece. Ontem, num estádio António Coimbra da Mota onde o FC Porto viveu, ao longo da história, momentos de grande frustração, a equipa de Farioli, esteve perante um teste difícil e ingrato, uma espécie de ‘vamos lá ver se aguentas a pressão’, que iria invocar, em caso de insucesso, o ‘meltdown’ do Ajax na temporada anterior.

Num cenário em que os dragões vinham de dois empates caseiros, cada um à sua maneira, que constituíram desilusões, a que se adicionava a vitória do Sporting na Reboleira, que permitia aos leões uma noite de domingo cheia de esperanças mas isenta de riscos, da resposta que dessem no Estoril podia depender o título de campeão nacional de 2025/26. Mas antes que haja leituras apressadas, digo, desde já, que se vencer na Amoreira foi um passo importante para o FC Porto, isso não significa que tenha o Campeonato no bolso porque, como referi, sem margem para dúvidas, atrás, aqui chegados, qualquer serra da Estrela parece, aos olhos de quem tem de escalá-la, um Everest.

Quando, muitas vezes, se fala em estofo de campeão, isso não tem a ver com grandes proezas mas, sobretudo, prende-se por fazer o que é preciso nos momentos certos. E, derrotar o Estoril de Ian Cathro, que joga um futebol positivo, ao mesmo tempo permitindo espaços defensivamente, e sendo ofensivamente ameaçador, inseria-se nas tarefas que o FC Porto precisava de realizar, para não deixar que se hiperbolizassem os dois pontos perdidos perante o Famalicão

Ficam agora por disputar cinco jogos (seis para o Sporting) e partindo do princípio de que os leões derrotam, em Alvalade, o Tondela, o FC Porto - se os bicampeões nacionais vencerem todos os jogos (e ainda vão receber o Benfica, que não perde, na Liga, há 44 jornadas) - ainda podem empatar um jogo e mesmo assim chegarem ao título.Pode dizer-se, de uma forma simplista, que os jogos são todos iguais, porque cada um pode valer, no máximo, três pontos. Mas, na verdade, não é assim. Há um aspeto psicológico a considerar, à medida que as decisões se aproximam, que muitas vezes faz a diferença entre uns e os outros.

O jogo de ontem do FC Porto no António Coimbra da Mota valia, é certo, essencialmente pelos três pontos, mas estes traziam associados outros fatores, com a confiança a surgir à frente de todos os outros.

E que papel joga a UEFA nestas contas, já que na próxima quarta-feira o Sporting (vencido mas não convencido pelos gunners) joga em Londres uma presença inédita nas meias-finais da Liga/Taça dos Campeões Europeus, e no dia seguinte o FC Porto vai a Nottingham, tentar eliminar um Forest que lhe é manifestamente inferior? O que devem fazer Rui Borges e Francesco Farioli? Limitar as ambições europeias, introduzindo uma rotatividade que privilegie a Liga doméstica (a seguir defrontam, em casa, Benfica e Tondela, respetivamente), ou apostar as fichas todas na UEFA? São dilemas destes que fazem da profissão de treinador uma das atividades mais apaixonantes e desgastante no universo do Desporto.

Mas nunca esqueçamos uma regra de ouro: «No futebol, só tem razão quem ganha.»