Eduardo Silva, antigo diretor desportivo do Tondela — Foto: André Carvalho
Eduardo Silva, antigo diretor desportivo do Tondela — Foto: André Carvalho

«Estou pronto para novo desafio»

Depois de uma década no Tondela, com muito sucesso à mistura, Eduardo Silva sente-se preparado para abraçar projeto que considere aliciante. Tão jovem e já com tanto vivido

Eduardo Silva teve toda uma vida ligada ao clube da terra, o Tondela, onde viveu momentos de grande alegria profissional e pessoal, nomeadamente uma subida à Liga e um título nacional da Liga 2, mas apresenta horizontes bem abertos para uma carreira que ainda tem muito para ser preenchida. Aos 35 anos, o jovem dirigente assume, em entrevista exclusiva a A BOLA, que está preparado para novos desafios.

— Nasceu em Tondela e o seu início de ligação ao desporto foi através do andebol. Só depois disso passou a estar ligado ao futebol, sempre na área diretiva. Conte-nos um pouco desta história.

— Durante cinco ou seis anos pratiquei andebol, mas a minha paixão foi sempre o futebol. Lembro-me de ir com o meu avô ao café, sempre com o jornal debaixo do braço, ver as figuras, as classificações, os resultados. E consegui, no Tondela, concretizar um sonho de menino, que era trabalhar no futebol. Comecei nos escalões de formação, de uma forma amadora, por carolice, onde eram precisas pessoas para ajudar e em que nos pagavam um valor meramente simbólico, que dava apenas para as despesas. Fui uma espécie de team manager da formação durante três anos e, basicamente, estava envolvido em tudo, desde treinos, a planos, fichas de jogo, estágios...

— Como surge a possibilidade de chegar ao futebol profissional?

­— Em 2015, sensivelmente em março, saiu uma pessoa da estrutura e o presidente Gilberto Coimbra, que conhecia bem o meu trabalho e que tinha muita confiança em mim, convidou-me para ser uma espécie de diretor de operações. Fazia um pouco de tudo. Desde inscrições do plantel, a estar no dia a dia, jogos... O clube acabou por subir à Liga e a partir daí passou a ser um mundo completamente diferente para mim.

— Foi team manager, diretor de operações, diretor desportivo e, mais tarde, administrador da SAD. O que retirou dessas experiências?

— Havia pessoas que até brincavam e diziam que eu um dia seria presidente [risos]. Mas isso não é para mim. Essas funções que desempenhei permitiram-me adquirir competências alargadas e passei a dominar temas que me deram a oportunidade de chegar onde cheguei.

Dirigente esteve nos estúdios de A BOLA e foi entrevistado pelo jornalista Eduardo Pedrosa Marques

— É enquanto diretor desportivo que pretende continuar?

— Sim, o relacionamento com empresários, jogadores, treinadores, presidentes. Isso sempre me apaixonou. Depois há também a parte legal, dos contratos, a relação com os advogados, com a área financeira. Tornei-me um profissional multifacetado. Comecei no futebol com 25 anos, tenho já 10 de experiência e isso dá-me alguma vantagem para o meu futuro.

— Por que razão decidiu deixar o clube no final da época passada?

­— Acima de tudo, foi uma decisão minha. Foram tomadas algumas decisões com as quais não concordei, nomeadamente depois da entrada dos novos investidores, e decidi sair. Foi uma decisão dura, mas tomada em consciência.

— Para quando um regresso?

— O futebol é a minha paixão, é onde quero estar e agora, depois de ter sido pai, sinto-me preparado para voltar e abraçar um novo desafio. Terei como prioridade a função de diretor desportivo e em qualquer realidade. O importante são as pessoas e os projetos.

SUBIDA E TÍTULO? MELHOR SÓ A PATERNIDADE

— Se uma promoção à elite nacional e um título da Liga 2 marcam a vida de um profissional, ainda para mais quando esses feitos são alcançados no clube da terra...

— Costumo dizer e brincar que acima disso só o nascimento da minha filha. Para já foi um sentimento de alívio, porque o clube em 2022 desceu divisão, foi ano difícil. Ao mesmo tempo que descemos de divisão, chegámos à final da Taça de Portugal. Há aqui um misto de sentimentos. E nós vamos jogar a final da Taça de Portugal já despromovidos, ou seja, foi uma semana... Depois, devido a um castigo, vimo-nos impedidos de inscrever jogadores nas duas janelas seguintes. Foi tudo muito complicado.

— Como é que se estrutura um plantel sem poder contratar?

­— Não é nada fácil. E ainda houve jogadores a quererem sair. Mas nós, ainda que compreendendo a posição deles, não os podíamos deixar sair. Só tínhamos os atletas que mantiveram contrato e os juniores do clube, não podia entrar mais ninguém com novos vínculos.

— O Tondela passa por um momento complicado. Está na luta pela permanência e até teve recentemente a saída atribulada de Cristiano Bacci, após uma altercação com o presidente. Que análise faz?

— Vejo o momento com tristeza, já vamos no terceiro treinador... Mas o Tondela já passou por outras situações delicadas no passado e provou que luta até à última. Sobre a saída do mister Bacci, não foi situação agradável, mas acredito que muito do que foi escrito não foi verdade. Conheço muito bem o presidente Gilberto Coimbra.

LUÍS PINTO MERECIA FICAR NO VITÓRIA DE GUIMARÃES

No início da época 2024/25, o Tondela decidiu apostar em Luís Pinto, técnico que estava no Fafe, da Liga 3. Depois da grande caminhada que fez nos auriverdes, o treinador mudou-se para o Vitória de Guimarães, vencendo, já esta temporada, a Allianz Cup, mas deixando os minhotos pouco depois.

Eduardo Silva e Luís Pinto festejaram efusivamente o sucesso alcançado no Tondela, na época 2024/2025

Eduardo Silva não concorda com a decisão do emblema vitoriano: «Além de ser um grande treinador, o Luís Pinto é um grande homem. Não gosto de criticar opções, mas vi a sua saída com alguma surpresa e até tristeza. Não foi só a Allianz Cup que venceu. Também valorizou imensos jogadores. O Luís merecia poder dar continuidade ao trabalho que estava a fazer e no final da época fazia-se, então, um balanço.»