«Estava feliz no Benfica, mas o Real Madrid é o Real Madrid...»
José Mourinho revelou os motivos que o levaram a aceitar um regresso ao Real Madrid, deixando o Benfica, sublinhando a abordagem do clube, com uma proposta irrecusável.
O treinador português explicou que a decisão de voltar foi influenciada tanto pelo desejo do clube como pela forma como foi contactado. «Regresso porque o clube queria que eu voltasse, mas também pela forma como se dirigiram a mim», afirmou, recordando a sua saída em 2013. «Saí em excelentes termos com o clube, o presidente e a direção; por isso, estivemos sempre em contacto». As explicações decorreram no programa «Bet it drives show», cuja conversa decorre dentro de um carro.
Mourinho detalhou a conversa com a direção do Real Madrid no final da época passada. «Disseram-me: 'Conhecemo-te, conheces-nos; conheces o clube, a cultura e as pessoas. Sabemos como trabalhas. Queremos que reconstruas a equipa. Precisamos de ti e que inicies de novo uma década prodigiosa como a que o clube viveu. Precisamos de uma pessoa com o teu perfil'».
Apesar de se sentir feliz no Benfica e em Portugal, o apelo do clube espanhol foi mais forte. «Eu estava feliz no Benfica, feliz em Portugal. Tinha deixado o meu país há tantos anos que, ao regressar ao Benfica, sentia-me muito bem. Mas o Real Madrid é o Real Madrid. Todos no clube perceberam que o meu regresso representava uma grande oportunidade. Por isso, mais uma vez, deixámos Portugal em bons termos; não poderia estar mais feliz nem ter mais motivação do que tenho agora», confessou.
¡El episodio con José Mourinho ya está disponible! 🚗
— GR8_TECH (@GR8_TECH_) September 22, 2026
Ambición. Confianza. Instinto. Sacrificio. Los principios detrás del rendimiento al más alto nivel.
En el nuevo episodio de Bet It Drives Show, José Mourinho habla sobre:
• Por qué la ambición debe estar basada en la… pic.twitter.com/fp1vxd2HYB
«Não me traias»
No que toca à sua metodologia de trabalho, a comunicação com os jogadores é fundamental. «Tento sempre chegar a uma situação ideal em que o treinador está contente e confortável, mas o jogador também se sente confortável. Não creio que funcione se um jogador fizer algo em que não acredita», explicou. Mourinho citou um dos seus professores universitários para reforçar a sua filosofia: «Não treinas futebolistas, treinas homens. Depois, o homem é futebolista, mas antes de tudo é um homem». A dimensão humana, para si, é «muito importante».
O técnico abordou um dos seus lemas mais conhecidos: «Não me traias». «Quando digo 'não me traias', falo, claro, de futebol. Não me traias e estarei sempre lá para ti. Aconteça o que acontecer». Para Mourinho, ser futebolista é um compromisso total. «És futebolista 24 horas por dia. Treinas duas ou três horas, mas és futebolista 24 horas. Tudo tem impacto no teu trabalho: o que comes, o que bebes, como dormes». O treinador alertou ainda para os riscos de atividades como andar de bicicleta ou esquiar, mesmo que feitas às escondidas. «O contrato não me importa. Importa-me como encaras o teu trabalho», concluiu.
«O futebol, no fundo, não é um trabalho, é uma forma de vida. Se o consideras um passatempo, estás acabado. Se te consideras futebolista apenas durante um par de horas por dia, não chegarás ao topo», afirmou Mourinho.
Para ilustrar as renúncias, deu um exemplo concreto da vida social de um jovem atleta: «Tens um grupo de amigos, és jovem, solteiro, tens 22 ou 23 anos; os teus amigos saem à noite à quarta, quinta e sexta-feira, mas tu não podes ir. Só podes sair na noite a seguir ao jogo, desde que não tenhas outro encontro três dias depois, algo que pode acontecer».
Mourinho comparou a dedicação exigida no futebol à de outros desportistas de elite, mencionando um documentário sobre Rafa Nadal. «Claro que ele não é futebolista; é, sem dúvida, um desportista incrível. É impressionante aquilo a que renunciou e os sacrifícios que fez para alcançar essa carreira», comentou, reforçando que «existe sempre uma relação entre o que se consegue e o que se dá para o conseguir».