Zalazar abraçado a Rui Borges no Sporting-Galatasaray, jogo em que marcou através de um livre direto - Foto: IMAGO
Zalazar abraçado a Rui Borges no Sporting-Galatasaray, jogo em que marcou através de um livre direto - Foto: IMAGO
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«Especialista na cobrança de livres faz a diferença»

André Cruz, antigo internacional brasileiro e dono do mítico pontapé-canhão, tem explicação para o menor número de golos marcados de bola parada no futebol atual. Deixou alerta para a defesa através de A BOLA

Há nomes que ficam gravados na história de um clube pelos títulos, outros pela liderança e alguns por um detalhe técnico que desafiava as leis da física. O brasileiro André Cruz conseguiu reunir todas estas virtudes numa passagem por Alvalade que atingiu o estatuto de lenda.

Mais de duas décadas depois, o defesa-central continua a ser recordado pelos adeptos do Sporting como dono de um dos remates mais temidos do futebol português: o mítico pontapé-canhão.

Há dias, A BOLA deu conta de que Rui Borges tenta corrigir uma lacuna identificada nas últimas épocas, definindo nova hierarquia para os batedores de livres, nomeadamente, Zalazar, Irankunda, Catamo, Flávio Gonçalves e Debast — o uruguaio, que chegou ao clube no último defeso, marcou o único golo de livre esta época, na Champions, frente ao Galatasaray (Irankunda também, mas foi ao serviço da seleção do Austrália) —, agora, voltamos a abordar o assunto pela voz de um dos especialistas que já passou por Alvalade.

Questionado sobre o porquê de haver poucos golos marcados através e livres diretos, André Cruz não hesitou na resposta: «É porque não treinam diariamente. Esse é um trabalho que precisa de ser feito desde que se é garoto.»

Contratado a meio da época de 1999/2000, ao Torino, André Cruz chegou a Lisboa com a responsabilidade de liderar a linha defensiva de um Sporting que carregava o peso de um jejum de 18 anos sem vencer o campeonato nacional. O impacto do internacional brasileiro foi imediato. Aliando elegância técnica invulgar e leitura de jogo imperial a uma liderança natural, o central transformou-se no pilar que faltava à equipa comandada por Augusto Inácio.

André Cruz tem hoje 58 anos - Foto: A BOLA

Não deve haver adepto leonino que não se recorde o golo de livre que marcou a Vítor Baía, na 26.ª jornada do campeonato, o Sporting venceu (2-0), ultrapassou o FC Porto e assumir a liderança isolada, e o próprio também não: «Foi espetacular, modéstia à parte [risos].»

Depois, na última jornada, a 14 de maio de 2000, o Sporting carimbou a conquista do título no Vidal Pinheiro, ao golear o Salgueiros (4-0). André Cruz foi a figura do jogo ao marcar o primeiro e o último tentos (ambos de livre direto).

«Ter no plantel um especialista na cobrança de livres faz a diferença. Ter jogadores com essa qualidade ajuda muito, desde 2000 que faz a diferença [risos]. É preciso fazer um trabalho diário tanto na cobrança de livres como de pontapé de canto», realçou o antigo central.

Atenção aos golos sofridos

André Cruz, em conversa com A BOLA, confessou sentir saudades de Portugal e mostrou-se atento, sempre que possível, aos jogos do Sporting e, claro, não lhe tem passado despercebido o facto de os leões sofrerem alguns golos nos últimos dez minutos em jogos do campeonato.
«Normalmente, isso é um problema da equipa quando se defende, a não ser que haja algum erro individual», apontou.

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