Elena Congost perdeu a medalha de bronze por ajudar outro atleta. IMAGO
Elena Congost perdeu a medalha de bronze por ajudar outro atleta. IMAGO

Elena Congost não desiste da medalha olímpica após polémica em Paris2024

A controvérsia remonta aos Jogos Paralímpicos, onde a espanhola foi desqualificada da maratona na categoria T2. A atleta, que seguia na terceira posição, largou a corda que a ligava ao seu guia para o socorrer, evitando que este desmaiasse durante a prova. Esta ação violou o regulamento e resultou na sua desqualificação e na perda do bronze.

A espanhola Elena Congost luta há dois anos para que o seu caso seja julgado em França e não em Londres, alegando que os custos de um processo em Inglaterra são incomportáveis. O Tribunal Judicial de Paris tem até 20 de junho para decidir qual a jurisdição competente para avaliar o mérito do caso.

A controvérsia remonta aos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, onde Congost foi desqualificada da maratona na categoria T2. A atleta, que seguia na terceira posição, largou a corda que a ligava ao seu guia para o socorrer, evitando que este desmaiasse durante a prova. Esta ação, embora humanitária, violou o regulamento e resultou na sua desqualificação e na perda da medalha.

A audiência desta segunda-feira, realizada na sala número 4 do Tribunal Judicial de Paris, não se focou na devolução da medalha, mas sim na questão processual. Os advogados da atleta espanhola argumentaram que julgar o caso em Londres, como defende o Comité Paralímpico Internacional (IPC), representa um obstáculo financeiro significativo para atletas com menos recursos. O IPC, por sua vez, insiste que os competidores aceitam uma cláusula que estipula que este tipo de litígios deve ser resolvido em Inglaterra.

Para esta batalha legal, Elena Congost contratou os serviços de Jean-Louis Dupont, o advogado belga de 61 anos que ficou famoso pelo seu papel decisivo no Caso Bosman, que revolucionou as leis do futebol. Dupont aceitou defender a atleta por acreditar na justeza da sua reivindicação.

Após a audiência, em declarações ao Diario AS, Congost mostrou-se confiante e criticou as regras do Comité Paralímpico.

«A nível económico, é inviável para qualquer atleta recorrer à justiça de Londres. Hoje estivemos aqui para debater o facto de nós, desportistas, sermos privados de recorrer à justiça. E acreditamos que a justiça deve ser livre e gratuita, além de garantir igualdade de condições para ambas as partes», afirmou a atleta.

Congost sublinhou que a sua luta transcende o seu caso pessoal, visando uma mudança mais ampla nas regras que regem o desporto. «Vamos tentar parar o processo judicial. O Comité Paralímpico quer continuar com as suas normas e leis. O que queremos é que a justiça seja justa e acessível a todos os desportistas. Estou a lutar para mudar normas, leis e para que estas nos protejam a todos», concluiu, manifestando a sua crença na «responsabilidade social de todos os desportistas».