Depois de conquistar nove títulos da NBA, ganhou um Óscar
Depois de ter conquistado cinco títulos da NBA como jogador, três pelos Chicago Bulls e dois nos San Antonio Spurs, e mais quatro como treinador dos Golden State Warriors, aos 60 anos o técnico do californianos Steve Kerr, juntou ao currículo mais um troféu dourado. Desta vez um Óscar. Apesar de na noite de domingo o conjunto de São Francisco ter perdido contra os Knicks, por 110-107 (21-35, 24-19, 38-26, 27-27) no Madison Square Garden, a vitória de Kerr aconteceu fora do campo e na costa contrária dos Estados Unidos, na 98.ª edição dos Óscares, que decorreu no Dolby Theatre, em Los Angeles, à qual não pôde comparecer.
Kerr foi distinguido como produtor executivo de All the Empty Rooms, que venceu na categoria de Melhor Curta-Metragem Documental. O documentário foca-se nos quartos vazios de crianças vítimas de tiroteios em escolas, uma causa que o treinador apoia ativamente. Em parte devido à sua história pessoal, já que o seu pai, Malcolm Kerr, foi assassinado a tiro em 1984 em Beirut, no Líbano, por membros da Jihad Islâmica. Cidade onde era professor universitário e o próprio Steve nasceu. Ainda que quando o pai foi morto, com dois tiros na cabeça no hall à porta da sua sala, Steve tinha 18 anos e estivesse nos EUA, no primeiro ano da Universidade do Arizona.
Em recentes declarações ao The Hollywood Reporter, Steve Kerr minimizou o seu papel em All the Empty Rooms, afirmando que a sua contribuição foi essencialmente de apoio.
«A piada que costumo dizer, que é a mais pura das verdades, é que produtor executivo é uma forma elegante de dizer: 'Não tive nada a ver com isto'. Mas eu apoio. Perguntaram-me há talvez um ano se estaria interessado em ser produtor executivo e disse imediatamente que sim, porque acho que é brilhante e poderoso», explicou.
«Acho que é tão poderoso, fala para toda a gente e que vai direto ao cerne da questão, sem toda aquela treta política. E penso que é tão importante. Quero dizer, tenho duas netas que vão começar a ir para a escola nos próximos anos. A ideia de terem de passar por estes exercícios de simulação de tiroteio é simplesmente de partir o coração. Por isso, acho que tem de haver formas de fazer com que as pessoas percebam que esta é uma questão que podemos resolver e que não temos de nos opor uns aos outros por motivos políticos», completou o técnico dos Warriors desde 2014/15.
Steve Kerr não é, no entanto, a primeira estrela da NBA a receber um Óscar. Juntou-se a um grupo restrito de basquetebolistas que também foram reconhecidos pela Academia do cinema americano.
Uma das que causou maior impacto foi, sem dúvida, Kobe Bryant. Em 2018, o falecido cinco vezes campeão pelos Lakers tornou-se o primeiro atleta profissional a ganhar um Óscar. Conseguio-o na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação por Dear Basketball, obra que escreveu e narrou, inspirada no seu ensaio de despedida publicado no The Players' Tribune em 2015.
Três anos mais tarde, em 2021, Kevin Durant, atualmente nos Houston Rockets, e Mike Conley, Minnesota Timberwolves, foram produtores executivos de Two Distant Strangers, que venceu o Óscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action (Imagem Real). O filme aborda a brutalidade policial contra os afro-americanos nos Estados Unidos. Na altura, Conley partilhou que os colegas de equipa brincavam com ele, dizendo: «Podes ganhar um Óscar antes de ganhares um campeonato». O que continua a ser verdade para quem está com 38 anos e leva 19 épocas na Liga. «Eu pensei: 'Se conseguisse ganhar os dois, seria fantástico', mas, obviamente, nunca imaginei que um Óscar fosse algo com que eu pudesse estar envolvido», referiu ainda Mike Conley.
Um ano depois, em 2022, Stephen Curry (Golden State Warriors) e Shaquille O’Neal, este retirado dos courts há muito, venceram um Óscar como produtores executivos de The Queen of Basketball, galardoado como Melhor Curta-Metragem Documental. O filme retrata a vida de Lusia Harris, uma das maiores basquetebolistas da história e a primeira mulher a ser oficialmente escolhida no draft da NBA por uma equipa, em 1977 (7.ª ronda, 137.ª posição), pelos New Orleans Jazz.