Camila Rebelo: «Prata com recorde, estou muito feliz»
«Vim para estes Campeonatos da Europa com o objetivo de passar cada etapa, das eliminatórias às meias-finais e depois à final», começou por declarar Camila Rebelo à comunicação da federação de natação depois de ter subido ao pódio do Paris Aquatic Center para ir buscar a sua medalha de vice-campeã de 200 costas, após a prova desta tarde de terça-feira.
«Ao longo das etapas fui melhorando alguns pormenores para chegar da melhor forma possível à final. Na final fiz a minha prova da maneira como costumo fazer, deu um segundo lugar e medalha de prata com novo recorde nacional e estou muito feliz», limitou-se a acrescentar a olímpica do Louzan que pela segunda vez subiu ao pódio no evento e na edição anterior, Belgrado 2028, sagrara-se campeã.
Curiosamente, desta vez tudo aconteceu numa piscina para a qual levara muitos sonhos nos Jogos de Paris-2024, mas as coisas estiveram aquém de terem corrido como ambicionara.
Desta vez não! Camila Rebelo sagrou-se vice-campeã europeia de 200 costas com novo recorde nacional de 2.07,62m. Disputou esta final pela terceira vez na carreira, sendo apenas batida pela britânica Katie Shanahan, com 2.06,13. O 3.º lugar foi para a francesa Pauline Mahieu, com 2.08,63.
Na segunda-feira, dia de arranque da natação pura nos Europeus, havia já sido a segunda mais rápida entre as semi-finalistas ao bare na parede em 2.08,48m e também só ultrapassada pela britânica Katie Shanahan (2.07,61). A marca da portuguesa constituiu novo recorde nacional visto ter derrubado os 2.08,95m que fixara precisamente no Euro de Belgrado-2024, quando a estudante de medicina arrebatou o cetro.
Nas eliminatórias havia passado às meias-finais com a quinta melhor marca (2.10,67) num total de 29 nadadoras.
Vítor Ferreira: «Estamos cada vez mais próximo da final olímpica»
Naturalmente satisfeitos encontravam-se os treinadores de Camila no CAR de Coimbra, Vítor Neves e Gonçalo Neves, que estão igualmente na capital francesa.
Afinal são já três participações em Europeus, outras tantas finais e dois pódios: ouro em Belgrado-2024, prata em Paris-2026. Era para este resultado que andaram a trabalhar nos último meses? Saiu tudo como queriam? «Sim, sim. O objetivo era fazer o recorde pessoal e defender o título. Sabíamos que era difícil, mas não impossível. Estava convencido até que quem fizesse um 2.07m era campeã», foi contando Vítor Ferreira.
«Tinha quase a certeza absoluta que seria a Camila, porque estava a valer 2.07m, mas não contava com a inglesa, que fez recorde pessoal na semana passada com 2.08.5 e agora mandou 2.06.13. Mas mesmo um 2.º lugar com marca que foi, é extraordinário», considerou Vítor contando ainda que a preparação para estes campeonatos não teve qualquer percalço.
«Mas também não competimos muito, por opção técnica», adianta. «Temos que fazer a gestão por a Camila ser estudante. Passou para o 5.º anos de medicina e por competiu pouco, mas sempre com foco neste Europeu. Treinou muito bem, mas somente quando as aulas acabaram, este último mês pôde ser foco total», completa.
E daí a Camila não ter ido ao Campeonato Nacional no Jamor? «Sim, o Nacional foi uma opção técnica, porque não fazia sentido ir perder volume de treino e uma preparação mais específica para nadar e passar quatro dias fechado a uma piscina quando possível estar a dormir na cama dela, a comer a que está habituada e a treinar no local onde treina todo o ano. O que não acontecia se tivesse ido para Lisboa. Tento evitar grandes viagens e mudanças na sua rotina nestas alturas. E pensamos que foi uma aposta ganha», salienta.
A Camila continua a evoluir. Ainda é difícil ver qual será o limite dela em termos dos tempos, não é? «Sim, acredito que num futuro próximo 2.06m não está longe. É só necessário ir limando uma coisinhas. O objetivo será apresentar-se nos próximos jogos com um 2.07 baixinho ou 2.06 alto, o que lhe dará uma capacidade de gestão para passar por várias etapas: eliminatórias e meias-finais, para tentar chegar à final olímpica. É sonho, mas que a cada ano que passa se aproxima de tornar-se em realidade. Por isso é que trabalhamos todos os dias», revela.
E agora que estão cumpridos os 200 costas, qual é o objetivo para os 100 costas? «O objetivo era os 200 e tudo o resto é forma de treino. Irá aos Jogos Mediterrânicos e aqui a participação nos 50 costas é só para manter-se focada nestes dias e tentar recarde o pessoal, assim com aos 100», diz.
«Mas nos 100 almejamos que se torne na primeira portuguesa a baixar do minuto. No entanto, as características da Camila não a tornam tão explosiva como as outras. Só que não está fora dos nossos planos que isso aconteça. Mais cedo ou mais tarde acontecerá naturalmente, o que lhe alargará o leque de opções maiores para os 200 costas. Quanto mais rápida for, mais descontraída pode passar aos 100 metros na prova de 200» afirmou Vítor Ferreira que na capital francesa sentiu que Camila também existiu colocar as coisas no sítio.
«Quando soubemos que o Europeu serie era em Paris, pensei: ‘Será um bom local para acertar umas contas por causa de como haviam corrido os Jogos de 2024’. E a Camila também disse o mesmo quando chegou ao pé de nós. Ri-me e disse-lhe: ‘Pensei no mesmo’. Correu bem. Esta prata sabe a ouro», finaliza sabendo que desta vez, ao contrário de Belgrado-2024, não podem dizer que faltavam algumas das melhores.
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