Benfica: sem Aursnes a banda não toca
Finalmente com semanas limpas para trabalhar, depois do adeus às Taças e também à Liga dos Campeões, e apenas um jogo a cada sete dias, esperava-se que o Benfica pudesse, finalmente, ser convincente e mostrar uma versão que ainda não se viu esta época, e tão longa que ela já vai. O 3-0 de ontem frente a um Vitória de Guimarães em crise desde que ganhou a Taça da Liga podia ter sido revelador de uma equipa mandona, mas, depois de ter sido encostado às cordas pelo Arouca, na passada jornada, voltou a aparecer uma águia tímida e que não fez por justificar vitória tão confortável.
É certo que o Benfica disso não teve culpa e aproveitar os erros alheios também exige mérito e até permitiu que Ríos desse um ar de sua graça, mas, ao ver os três golos oferecidos, foi fácil perceber o porquê de os vimaranenses estarem mergulhados numa espiral tão negativa de resultados desde há dois meses.
A estatística, já se sabe, não ganha jogos, mas expõe muitos defeitos e virtudes e o facto de o Vitória ter tido mais bola ou remates indicia a postura pouco enérgica e autoritária contra adversários inferiores que o Benfica tem revelado. Depois do empate no clássico com o FC Porto, Mourinho abriu a ferida de um plantel desequilibrado e expô-la para o país (e Rui Costa) ver, dizendo que, não tendo Aursnes ao dispor, a música é outra. E é mesmo. Porque, depois de Florentino e Kokçu terem carregado a cruz de uma época de insucesso e sido trocados por Barrenechea — agora até já adaptado a central e a relegar Gonçalo Oliveira para a bancada (é a tal aposta na formação...) — e Ríos, que custaram mais de 40 milhões de euros, continua a ser o norueguês o cimento que tudo cola e que faz a equipa funcionar. Para a frente, para trás, e para os lados.
Por isso, a Mourinho convirá encontrar outra fórmula, porque alcançar o FC Porto no primeiro lugar parece uma missão praticamente impossível, mas o segundo lugar, de Champions, é muito diferente do terceiro, da muito menos prestigiante e rica Liga Europa, e esse está perfeitamente ao alcance.
Hoje há domingo gordo, na ressaca dos brilharetes europeus. No Minho, o espetáculo está prometido entre o atrativo SC Braga de Carlos Vicens e o FC Porto, que voltou a ter a frescura do início de época na sua fase mais decisiva. Antes disso, o Sporting, motivado pelo impressionante amasso dado ao Bodo/Glimt, terá jogo trabalhoso em Alverca, que, pontuando, irá para a pausa das seleções com a manutenção bem encaminhada.