Benfica: Marco Silva quer equipa 'à Premier League'
Os jogadores do Benfica dividiram-se entre os trabalhos de seleção (larga maioria) e no Seixal, com os últimos a beneficiar de pausa competitiva pela primeira vez esta época. Foram 14 jogos em menos de dois meses, calendário carregado que exigiu, para lá da aprendizagem das ideias, dinâmicas e rotinas do novo treinador, em resumo uma nova forma de trabalhar, resposta física imediata. A equipa técnica deu atenção especial à condição dos jogadores, depois de análise aos dados da última época.
Com praticamente os mesmos recursos, leia-se jogadores, de Bruno Lage e José Mourinho, a resposta desportiva do Benfica, no início da época, foi positiva. Foi claro, aos olhos de todos, que Marco Silva exige, como prometeu na apresentação, uma equipa dominadora e capaz de produzir futebol atrativo.
A filosofia de jogo que o treinador implantou é óbvia — muita intensidade, pressão no meio-campo adversário para recuperar a bola o mais depressa possível, ataques rápidos e verticais sempre que possível, futebol ofensivo e de alta rotação. Para isso acontecer, porém, é obrigatório os jogadores estarem no topo de forma física.
Bruno Mendes em campo
Uma das preocupações da nova equipa técnica foi fazer a avaliação dos dados físicos da última época. E a conclusão foi simples — a resposta dos jogadores teria de ser muito superior.
Equipa técnica analisou dados físicos da última época. Exige mais dos jogadores
A análise foi liderada por Bruno Mendes, head of performance do Benfica, que integra a equipa técnica de Marco Silva desde 2018 — trabalharam dois anos no Everton, na Premier League, e cinco no Fulham, o primeiro no Championship e os restantes quatro na Premier League.
Bruno Mendes, que acompanhou Marco Silva na mudança de Londres para Lisboa, esteve 15 anos no Benfica e liderou o Benfica LAB, supervisionando equipa multidisciplinar com uma abordagem técnica e científica em relação à condição física dos jogadores.
Schjelderup e Aursnes
O trabalho físico, logo no início da época, foi, como tal, de importância capital. Ajuda, por outro lado, a explicar algumas decisões técnicas. Andreas Schjelderup, que participou no Mundial até aos quartos de final, apenas se apresentou no Seixal a 26 de julho, com a época em andamento. O extremo norueguês precisou de recuperar a forma física e só agora está pronto para dar a resposta que dele espera Marco Silva, que o considera um dos mais importantes jogadores do plantel.
Fredrik Aursnes, por exemplo, que no início da época sofreu entorse no tornozelo direito, que atrasou todo o processo para ganhar forma. Só nos dois últimos jogos, com Milan e FC Porto, foi titular, ainda sem estar nas condições físicas ideais. Também jogou de início, anteontem, pela Noruega, como lateral-esquerdo, embora sem grande impacto positivo no jogo com a Dinamarca.
Experiência em Inglaterra
A experiência de Marco Silva e da equipa técnica em Inglaterra, cujo calendário competitivo está carregado de jogos, proporcionou um lastro de conhecimento que está, agora, a ser aplicado no Benfica. Daí que os jogadores também já saibam que os espera muito trabalho físico.
No próximo ciclo competitivo, para lá de campeonato e Liga Europa, arranca a Taça da Liga, neste caso aproveitada por Marco Silva para dar minutos aos menos utilizados. Certo é que haverá pouco tempo para descansar dos jogos e dos treinos.