Clément Lenglet, central do Benfica (foto: Imago)
Clément Lenglet, central do Benfica (foto: Imago)

A forma como o Benfica conseguiria substituir Nicolás Otamendi dominou o final da época passada e o arranque da atual, mas a SAD encarnada encontrou em Clément Lenglet um substituto de qualidade, que em pouco tempo conseguiu, de certa forma, fazer esquecer o peso tremendo que tinha o defesa-central internacional argentino, campeão do mundo e que deixou o clube, em final de contrato (seguiu para o River Plate), depois de cinco temporadas a nível e regularidade impressionantes — 281 jogos pelo Benfica, 280 na condição de titular, 18 golos marcados e oito assistências.

Lenglet, 31 anos, chegou ao Benfica este verão por empréstimo do Atlético de Madrid, mas com cláusula de compra obrigatória no final da época, momento em que o contrato se estenderá automaticamente por mais duas épocas, fixando o vínculo definitivo até junho de 2029. A operação não envolve custos para os encarnados em taxas de transferência, além dos encargos salariais com o jogador, tendo o clube espanhol salvaguardado direitos numa eventual futura venda.

Clément Lenglet já tem 13 jogos pelo Benfica, todos como titular, falhando apenas o desafio em Itália frente ao Milan (2-0), para a Liga Europa. Foi totalista de minutos em 10, tendo sido substituído frente ao Hearts nos dois jogos com os escoceses para a Liga Europa (aos 73 minutos e aos 45’) e com o Aarhus na mesma competição (83’).

O defesa-central já marcou dois golos — na vitória europeia por 5-0 frente ao St. Gallen e no 2-1 frente ao Estoril para a Liga — e fez uma assistência, no 3-1 com o Aarhus. No que diz respeito a golos e assistências, estes são números que Otamendi só conseguiu atingir na terceira temporada de Benfica, quando marcou precisamente dois golos e fez uma assistência ao fim de 46 jogos, em 2022/23.

Expulsão no clássico abre a porta do onze a Circati

A boa resposta de Lenglet fica manchada, porém, pela expulsão no clássico da última jornada em casa do FC Porto (1-3). O central colocou a mão na cara do ponta de lança André Silva, recebeu segundo cartão amarelo e ordem de expulsão logo aos 35'. Lenglet retratou-se internamente, mas falha o jogo de dia 11, frente ao V. Guimarães, na Luz. Para o lugar de Lenglet avançará Circati, internacional australiano que se destacou pela sua seleção no particular frente ao Brasil (2-4), terça-feira, com um golo e uma assistência. Circati, no final do jogo, lembrou exigência no Benfica como exemplo para a seleção: «Agora volto ao meu clube e a tendência é a mesma: tentar ganhar todos os jogos. Se perderes ou empatares, é desapontante.»

Clément Lenglet tem características muito diferentes de Otamendi. É esquerdino, enquanto Otamendi é central destro que joga pela esquerda, e coloca em campo maior qualidade técnica, sobretudo na saída com bola e no passe longo. Lenglet é mais discreto, em contraste com a impetuosidade e presença física que o argentino oferecia. Mas as diferenças na personalidade não se refletem, até agora, numa menor influência de Lenglet na equipa, no capítulo defensivo.

O francês é o terceiro jogador com mais recuperações de bola no campeonato: 43, as mesmas que Thiago Balieiro (central do V. Guimarães), e atrás de Pedro Pacheco (central do Santa Clara, que tem 50 recuperações) e de Altimira (médio do Sporting, que soma 59 recuperações).

Com uma carreira consolidada em representação, sobretudo, de Sevilha, Barcelona, Tottenham e Atlético de Madrid, Clément Lenglet já tinha sido alvo de Marco Silva para o Fulham, mas só agora, no Benfica, o técnico conseguiu trabalhar com o defesa francês.

Em pouco tempo, Lenglet resolveu um dos maiores desafios defensivos da equipa e não há dúvida do papel importante do central que até já usou a braçadeira de capitão de equipa, frente ao Hearts, na Liga Europa, a 13 de agosto.

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