Quan Hongchan confessou que chegou a ponderar acabar a carreira. IMAGO
Quan Hongchan confessou que chegou a ponderar acabar a carreira. IMAGO

Assédio digital à campeã olímpica por excesso de peso alerta polícia chinesa

A nadadora chinesa, 19 anos, foi alvo de violência na Internet revelando que todos os dias lhe chamavam gorda mesmo quando já passava fome e que chegou a ponderar colocar um ponto final na carreira

A Associação Chinesa de Natação anunciou que está a investigar um caso de assédio digital contra a atleta Quan Hongchan, tricampeã olímpica de saltos para a água. As críticas centram-se no peso e na condição física da jovem de 19 anos.

Em comunicado, o organismo, que depende da Administração Geral do Desporto, informou ter iniciado diligências em colaboração com as autoridades desportivas da província de Guangdong. A ação surge após a deteção de «violência na Internet, ataques maliciosos e informações falsas» dirigidas à atleta.

A investigação foi espoletada por uma queixa apresentada à polícia por um centro de treino de Guangdong. A associação já garantiu que apoiará o recurso a «meios legais» para proteger os direitos dos atletas e prometeu «tolerância zero» perante estes comportamentos, assim que os factos sejam confirmados.

A polémica intensificou-se depois de Quan Hongchan ter revelado, em entrevistas recentes, que a pressão pública e as críticas nas redes sociais a levaram a ponderar o abandono da carreira. A atleta confessou o impacto que os comentários sobre o seu peso tiveram após os Jogos Olímpicos de Paris2024.

«Todos os dias, chamavam-me gorda, mas eu já estava a passar fome», desabafou a atleta.

Quan admitiu ainda que o assédio afetou a sua confiança, fazendo com que «movimentos que antes» não lhe causavam receio passassem a assustá-la, chegando a sonhar que caía da plataforma.

A Associação Chinesa de Natação condenou veementemente qualquer ato que prejudique a saúde física e mental dos desportistas ou a imagem da equipa nacional, criticando o que classificou como uma «cultura de fãs» distorcida.

Entretanto, nas redes sociais, multiplicaram-se as manifestações de apoio à atleta, com apelos para que «não se coloque demasiada pressão» sobre ela e que possa «viver feliz e com liberdade».

Recorde-se que as autoridades chinesas têm vindo a reforçar as medidas contra o assédio online a atletas. Durante os últimos Jogos Olímpicos, várias pessoas foram detidas por comentários difamatórios e centenas de contas em plataformas digitais foram punidas. Federações como a de ténis de mesa já tinham denunciado uma «cultura fanática» que interfere com o desempenho e a vida privada dos atletas, levando mesmo algumas equipas a dissolver clubes de adeptos oficiais para conter comportamentos invasivos.