Angola de prata garante apuramento para africano de ténis de mesa
Decorreu entre os dias 10 e 12 de julho de 2026, em Harare, no Zimbábue, o Campeonato Africano da Região 5. O torneio, que juntou seis nações da região — Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia, Malawi e o país anfitrião —, serviu de antecâmara e apuramento para o tão desejado Campeonato Africano de Ténis de Mesa, agendado para o próximo mês de outubro, em Marrocos.
A comitiva angolana regressou a Luanda de cabeça erguida e com os principais objetivos alcançados. Numa conversa franca com A BOLA, o Secretário-Geral da federação, Sebastião Cruz, abriu o livro sobre o desempenho dos nossos atletas, os desafios financeiros e os próximos passos rumo a Marrocos.
A seleção angolana em masculinos entrou de forma demolidora na prova por equipas. Na fase de grupos, despachou o anfitrião Zimbábue por uns claros 3-0 e repetiu a dose frente ao Botswana (3-0), garantindo com naturalidade a liderança do grupo. Na meia-final, a vítima foi a Zâmbia (vitória por 3-1), o que carimbou a passagem à grande final. No duelo decisivo pelo título regional, Angola chegou a estar a vencer por 2-0, mas acabou por consentir a reviravolta frente à forte seleção da África do Sul, perdendo por 3-2. Um segundo lugar que, ainda assim, garantiu a tão almejada presença no Campeonato Africano.
«O nosso objetivo era o primeiro lugar, mas o segundo lugar acabou por ser muito positivo para nós», confessa Sebastião Cruz. «O primeiro lugar escapou-nos também devido à falta de apoio financeiro prévio. O dinheiro é fundamental para a preparação. Não tivemos o estágio ideal que devíamos ter tido, o que influenciou um pouco o resultado físico e emocional na final», desabafou.
Nas provas individuais masculinas, Elizandro André, Délcio Casule e Domingos Manuel lutaram bravamente e atingiram os quartos de final, carimbando também a nível individual a qualificação para Marrocos. Contudo, a barreira voltou a vestir-se de sul-africano: Elizandro caiu frente a Luke Abrahams (4-1), Délcio perdeu com Cutten (4-1) e Domingos caiu numa partida disputadíssima até à negra frente a Chetan Nathoo (4-3).
O Secretário-Geral desvalorizou o fator climático (o frio que se faz sentir no sudeste africano) e apontou o rival histórico como o grande obstáculo a ultrapassar: «O frio não influenciou tanto. Na Região 5, a nossa luta é quase sempre pelo primeiro ou segundo lugares, e a nossa disputa direta é sempre contra a África do Sul. Quer no masculino, quer no feminino, são eles quem nos conseguem vencer, e a quem nós também tentamos sempre superar».